Pressão para seguir tendências, opiniões ou comportamentos dos outros
Na era digital atual, todas as pessoas estão expostas a novas ideias e tendências, frequentemente por meio de mídias sociais, inteligência artificial e outras plataformas online.
Influência é definida como a mudança nos pensamentos, sentimentos ou comportamentos de alguém causada por outras pessoas. Isso é chamado de influência social.
Influenciadores, pessoas com grande número de seguidores online, podem moldar significativamente a maneira como as crianças pensam, sentem e agem. Eles são pagos para postar versões de suas vidas que são apresentadas como perfeitas.
Isso pode incluir vídeos de “um dia na minha vida”, “o que eu como em um dia”, “arrume-se comigo” e até compras. Mesmo conteúdos que parecem inocentes podem transmitir mensagens para as mentes dos jovens apenas por seguirem tendências.
Algumas tendências podem ser divertidas, enquanto outras são perigosas. As crianças podem copiar tendências que veem online, sem saber que muitas são falsas ou encenadas.
Por exemplo, algumas tendências mostram pessoas comendo produtos domésticos tóxicos, participando de brincadeiras que ofendem estranhos, roubando ou fazendo outras coisas perigosas, às vezes fatais. Não entender a diferença entre o que é real e o que é falso online pode fazer com que as crianças se machuquem ou machuquem outras pessoas acidentalmente.
Esse conteúdo pode afetar a forma como eles se sentem em relação aos seus valores, ao seu corpo e à sua saúde.
Nada do que você ou seu filho veem online é aleatório. Programas de computador são projetados para aprender o que gostamos e, em seguida, nos direcionar para conteúdos e anúncios.
Muitas plataformas de IA criam notícias e conteúdo falsos realistas com o objetivo oculto de manter os usuários online por mais tempo. À medida que a tecnologia muda, é difícil para qualquer pessoa, especialmente para as crianças, saber o que é real e o que é criado por IA.
Quando as mensagens que as crianças veem não são realistas, isso pode levar a preocupações com a autoestima, o comportamento ou a identidade. Como responsáveis, é importante ajudar as crianças a perceber a diferença entre o que vemos online e a vida real.
O que é típico?
É comum que as crianças queiram copiar o que veem nas redes sociais. Muitas vezes, isso é apenas curiosidade ou uma forma de explorar quem elas são. Também é uma maneira de se sentirem conectadas aos amigos e ao que está na moda, pois não querem se sentir isolados, afastados, ou não pertencendo ao grupo.
Mas quando as crianças começam a depender demais de influenciadores para moldar quem são, isso pode se tornar um problema.
Idade recomendada para o uso de redes sociais
A Academia Americana de Pediatria afirma que o ideal é esperar até que as crianças tenham pelo menos 13 anos para permitir que criem contas em redes sociais. Aliás, a maioria das redes sociais exige que a pessoa tenha 13 anos para se cadastrar.
No entanto, cada criança é diferente. Há adolescentes de 13 anos com mais preparo para interagir com as redes sociais do que adolescentes de 16 anos. É importante conhecer seu próprio filho.
Comportamento típico envolvendo influência nas redes sociais
Muitas crianças e adolescentes seguem influenciadores por diversão, para obter informações e para se sentirem parte de um grupo. Os influenciadores podem ser bons exemplos e ajudar os adolescentes a se sentirem melhor consigo mesmos. Às vezes, as redes sociais podem ajudar as crianças a aprender novas habilidades, se conectar com a família ou descobrir novos hobbies.
Copiar o estilo, os hobbies ou as palavras de um influenciador pode ser uma parte normal do crescimento.
Também é comum que as crianças gostem dos produtos que seus influenciadores favoritos promovem, por exemplo, uma blusa, um tênis, maquiagem ou queira fazer um corte de cabelo parecido. No entanto, é importante ficar atento aos sinais de que a influência das redes sociais sobre seu filho se tornou prejudicial.
Quando devo me preocupar?
Às vezes, dar atenção excessiva a um influenciador pode se tornar um problema. Aqui estão alguns sinais de que seu filho pode precisar de ajuda:
- Tomar decisões baseadas apenas nos conselhos de um influenciador, sem pensar por si mesmo;
- Falar mal de si mesmo, ou comparar-se ao que vê online de maneira negativa;
- Desenvolver hábitos alimentares que podem trazer prejuízos com base no que vê ou é recomendado online;
- Ter dificuldade em diferenciar o que são as redes sociais do que é a realidade da vida da maioria das pessoas;
- Sentir-se mal consigo mesmo após usar as redes sociais;
- Planejar atividades com o principal interesse de postá-las online;
- Mudanças na rotina diária (como não se exercitar, não praticar hobbies ou não ir para a cama na hora certa) por causa das redes sociais;
- Demonstrar irritação ou tristeza intensas ao não receber curtidas, comentários ou visualizações;
- Gastar dinheiro de forma impulsiva, excessiva, ou que gere prejuízos para comprar produtos indicados por influenciadores;
- Se engajar em comportamentos que pode ser prejudiciais para alcançar padrões de aparência irreais ou excessivamente rígidos;
- Isolar-se da família ou de amigos para ficar mais tempo online;
- Reproduzir discursos preconceituosos, agressivos ou radicais aprendidos nas redes;
- Apresentar queda no rendimento escolar associada ao uso excessivo de redes sociais;
- Demonstrar ansiedade quando está longe do celular ou quando não consegue acessar determinada plataforma;
- Acreditar em todas as informações divulgadas por influenciadores, sem questionar fontes ou interesses comerciais.
O que posso fazer para ajudar?
Como responsável, aqui estão algumas coisas que você pode fazer para ajudar:
- Atrase a exposição. Recomenda-se adiar o uso de mídias sociais pelo seu filho até, no mínimo, o oitavo ano do ensino fundamental.
- Escolha o momento certo. Cada criança é diferente. Decida se seu filho está pronto para as mídias sociais observando como ele lida com críticas e como pensa antes de agir.
- Converse sobre o uso seguro das mídias sociais. Antes de permitir o uso das mídias sociais, converse bastante com seu filho sobre como se manter seguro, o que é certo e errado fazer e como equilibrar a vida online e offline. Peça ao seu filho que pense cuidadosamente sobre o que posta e com quem compartilha. Mantenha o diálogo aberto sobre esse assunto.
- Supervisione os primeiros passos. Ao apresentar as mídias sociais pela primeira vez, observe como seu filho as utiliza. Isso pode incluir acessar o Instagram juntos e conversar sobre o que veem.
- Estabeleça regras e limites. Seja claro sobre as regras para o uso das mídias sociais. Uma boa regra é dizer às crianças para não publicarem nada que não gostariam que um avô ou avó visse. Estabeleça consequências claras para quandou houver quebra de regras.
- Controle parental. Use o controle parental para definir limites saudáveis para o tempo de tela. As principais plataformas, como TikTok, Instagram e Snapchat, têm configurações de controle parental. Você também pode criar uma conta conjunta com seu filho. Isso dá a ele liberdade, enquanto você pode ver ao que ele está exposto.
- Ensine-os sobre privacidade. Converse sobre como o que eles publicam online pode durar para sempre. Ensine-os a configurar suas contas como privadas e a nunca compartilhar informações pessoais, como endereço, escola ou número de telefone.
- Ofereça modelos da vida real. Certifique-se de que seu filho tenha pessoas em sua vida real, não apenas online, para admirar e das quais aprender.
- Seja um modelo. As crianças aprendem com o que você faz. Se você está sempre no celular, elas acharão isso normal. Ao prestar atenção ao seu próprio tempo de tela e dizer coisas como “Usei muito o celular hoje, então vou deixá-lo de lado por um tempo”, eles também aprenderão a gerenciar o próprio tempo.
Sobre o que devo conversar com meu filho?
- Padrões irreais. É importante lembrar às crianças que as redes sociais são editadas para esconder imperfeições e mostrar ideias irreais de beleza e sucesso. Corpos e estilos de vida são moldados para parecerem perfeitos com aplicativos de edição, cirurgias e equipes de maquiagem.
- Edição de fotos. Converse com seu filho sobre aplicativos como FaceTune ou Photoshop, que são usados para alterar a aparência das pessoas em fotos. Lembre-os de que a maioria das fotos que veem são editadas.
- Conteúdo perfeitamente produzido. Conteúdo que parece fácil e perfeito pode ter equipes inteiras de filmagem e edição trabalhando nos bastidores. Geralmente até quando o conteúdo deve parecer espontâneo, há uma grande equipe por trás para que pareça assim.
- Tendências perigosas. As tendências ou as famosas trends estão sempre mudando e as crianças podem se sentir pressionadas a participar. É importante conversar sobre os perigos. Por exemplo, o “Desafio da Cápsula de Detergente” começou como uma brincadeira, mas levou algumas crianças a ingerirem as cápsulas tóxicas. Assim como o “Desafio do Apagão” gerou o falecimento de alguns adolescentes por asfixia.
- Mensagens nocivas. As redes sociais podem conter todos os tipos de mensagens, tanto explícitas quanto implícitas. Fique atento a mensagens prejudiciais sobre violência, dietas extremas ou desrespeito aos outros. Sites como o Reddit, onde as pessoas podem postar sem usar seus nomes reais, podem facilitar a disseminação de ideias nocivas.
- Jogos Online. Plataformas como Roblox permitem que usuários criem e compartilhem jogos, o que pode expor crianças e adolescentes a conteúdos inadequados, interações com desconhecidos e compras dentro do jogo. É importante acompanhar com quem a criança joga, quais salas frequenta e se utiliza chats abertos. Além disso, cresce a exposição de adolescentes a plataformas de apostas online e jogos que simulam cassinos, roletas ou alguns tipos de “caixas surpresa”, que funcionam com lógica semelhante a jogos de azar. Esses ambientes podem estimular comportamento compulsivo, gasto excessivo de dinheiro e a falsa ideia de ganho fácil. Para saber mais, leia nosso Guia de Bolso sobre jogos digitais.
- Cyberbullying. É mais fácil para as pessoas serem cruéis online porque não estão frente a frente. Isso pode levar as crianças a verem ou participarem de bullying online. Para saber mais, acesse nosso Guia de Bolso sobre Bullying.
- Programas de computador, ou algoritmo, direcionados. O conteúdo no feed do seu filho não é aleatório. Ele é projetado para mantê-lo rolando a tela. Assim, as redes sociais mostram vídeos que ele pode curtir ou comentar e anúncios nos quais ele provavelmente irá clicar.
- Conteúdo focado em compras. Muito conteúdo nas redes sociais incentiva a compra de coisas. Isso pode acontecer por meio de anúncios ou influenciadores exibindo grandes quantidades de produtos que compraram.
- Comportamento predatório. Predadores podem se esconder atrás de perfis falsos online para tentar se aproveitar ou chantagear uma criança.
Pode ser difícil saber por onde iniciar uma conversa. Tente fazer perguntas abertas como:
“Quem é a sua pessoa favorita para seguir online? O que você gosta nela?”
“Você já viu algo online que fez você se sentir mal consigo mesmo ou com a nossa família?”
“Você pode me mostrar um vídeo engraçado que viu esta semana? O que o tornou tão interessante?”
“O que você acha que aquela pessoa estava tentando fazer você fazer ou pensar quando fez aquela postagem?”
Que tipo de apoio profissional posso procurar?
Se você está preocupado com o impacto das redes sociais no seu filho, considere conversar com um pediatra, um profissional de saúde mental ou um orientador escolar.
Existem vários tipos de profissionais com quem você pode conversar, incluindo um psicólogo escolar e o pediatra ou médico de família do seu filho. Eles podem encaminhá-lo a outros especialistas.
É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.
Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
- Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
- Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com as dificuldades em casa e na escola.
Onde encontrar
mais informações
Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.
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