Bullying
Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.
Os amigos desempenham papéis importantes no desenvolvimento social e emocional de crianças e adolescentes. Relacionamentos com amigos ajudam os jovens a aprender habilidades importantes, como trabalhar em grupo e compreender os sentimentos dos outros.
À medida que crescem e começam a se tornar mais independentes dos pais, eles passam a depender mais dos amigos para apoio. Ter amigos é uma parte natural e importante do crescimento.
Mas, assim como amizades positivas ajudam, amizades negativas podem causar muito estresse. Algumas crianças ou adolescentes podem sofrer ações de agressão ou intimidação sistemáticas por parte de outras crianças ou adolescentes, gerando um impacto significativo na vida social, escolar e familiar dessas pessoas. Isso se chama bullying.
Quando provocações esperadas se tornam bullying?
A maioria das pessoas sabe que provocações e momentos sociais desconfortáveis fazem parte do crescimento, e que quase todos são alvo de provocações em algum momento.
Aprender a se recuperar dessas situações é uma habilidade importante. Mas ser intimidado é diferente e pode causar danos emocionais duradouros.
A provocação se torna bullying quando:
- Há uma diferença de poder. O bullying é praticado por alguém que tem mais poder (como mais força, tamanho, popularidade ou dinheiro) sobre alguém que tem menos.
- Há a intenção de causar dano. O bullying pode incluir ataques físicos, ameaças verbais, espalhar rumores ou excluir alguém de propósito.
- É repetido. O bullying acontece várias vezes, não é algo pontual.
- Causa dano. Se a provocação ou maldade afeta o bem-estar ou a vida diária de uma criança ou adolescente, é bullying.
As crianças geralmente não praticam bullying porque são más. Alguns motivos pelos quais as crianças podem praticar bullying incluem:
- Elas querem se encaixar com amigos que estão praticando bullying com alguém.
- Elas estão sendo intimidadas em casa ou na escola.
- Elas querem atenção dos outros para se sentirem importantes.
- Elas são impulsivas e ainda não aprenderam boas maneiras de lidar com seus impulsos.
- Elas se sentem ameaçadas pela presença ou protagonismo de outras crianças.
- Elas acham que os outros são maus com elas, mesmo que não sejam.
- Elas não entendem o quanto seu comportamento machuca os outros.
O que é cyberbullying?
O bullying pode ser verbal ou físico, e agora também acontece online. As crianças interagem com seus colegas na internet, e isso inclui tanto interações boas quanto ruins. O cyberbullying é quando alguém usa a internet para intimidar os outros repetidamente. Isso pode incluir intimidação, ameaças, humilhação, exclusão ou perseguição.
Os cyberbullies (como são chamadas as pessoas que praticam o bullying online) podem atacar suas vítimas por meio de várias plataformas, como redes sociais, e-mails e salas de bate-papo. Eles podem fazer isso sem estar cara a cara e muitas vezes usam identidades falsas. Isso torna mais fácil para eles praticarem bullying a qualquer momento e de qualquer forma, muitas vezes diante de um público maior.
O impacto do bullying e cyberbullying vai além do momento em que ele ocorre: afeta a autoestima, o rendimento escolar, as relações sociais e a saúde emocional. Crianças e adolescentes que passam por essas situações podem sentir medo de ir à escola, tristeza, ansiedade, raiva ou até vergonha de contar o que está acontecendo.
Quando devo me preocupar?
Às vezes, as crianças que sofrem bullying ou praticam bullying não pedem ajuda. Mas existem sinais que os pais podem observar que podem indicar que uma criança está sendo vítima de bullying ou quando ela está fazendo bullying em outras crianças.
Esses sinais também são parecidos no caso de cyberbullying.
Sinais de que uma criança pode estar sendo vítima de bullying ou cyberbullying:
- Roupas, livros ou pertences perdidos ou danificados
- Cortes, hematomas ou arranhões inexplicáveis
- Poucos ou nenhum(a) amigo(a), ou perder amigos de repente
- Medo de ir à escola ou inventar desculpas para não ir
- Dores de cabeça frequentes, dor de barriga ou fingir estar doente
- Quedas nas notas e perda de interesse pela escola
- Tristeza, ansiedade, baixa autoestima, irritabilidade ou depressão
- Dificuldade para dormir ou pesadelos frequentes
- Mudanças nos hábitos alimentares, como perda de apetite ou comer demais
- Comportamentos autodestrutivos como fugir de casa, autolesão ou falar sobre suicídio
Sinais de que uma criança pode estar praticando bullying ou cyberbullying com os outros:
- Envolver-se em brigas
- Ter amigos que praticam bullying
- Ser excessivamente agressivo
- Ser frequentemente enviado à direção ou para a detenção
- Ter dinheiro extra ou coisas novas sem explicação
- Culpar os outros pelas próprias ações, podendo mentir para obter vantagens
- Pouca ou baixa tolerância às regras
- Preocupação excessiva com a reputação ou popularidade.
O que posso fazer para ajudar?
Pode ser difícil reconhecer que seu(sua) filho(a) está sofrendo ou cometendo bullying, por isso, converse frequentemente com seu(sua) filho(a) sobre o assunto para que ele(a) se sinta à vontade para compartilhar como se sente sobre isso.
Muitas vezes, pais podem achar que seus filhos não seriam capazes de machucar ou destratar alguém, no entanto, essa fase de crescimento pode ser inesperada.
Se você acha que seu(sua) filho(a) é vítima ou agressor de bullying, tente as seguintes abordagens:
- Converse com seu filho(a). Faça perguntas simples para entender o que ele(a) pensa sobre bullying, se isso acontece na escola, e sobre o que está acontecendo. Não tente resolver o problema muito rápido sem compreender toda a história.
- Seja solidário(a). Deixe seu(sua) filho(a) saber que você percebe que algo está errado e que você quer ajudar da melhor maneira, sem ser constrangedor para ele(a).
Após conversar com seu(sua) filho(a):
- Pratique a assertividade. Ajude seu(sua) filho(a) a aprender a enfrentar os bullies de forma confiante. Pratique com ele(a) o que ele(a) poderia dizer.
- Não estimule a violência como forma de defesa. Para se defender, não é necessário agredir. A agressão física só irá piorar as coisas.
- Encontre aliados. Incentive seu(sua) filho(a) a conversar com os amigos sobre como lidar com o bullying. Os amigos podem ter boas ideias e ajudar seu(sua) filho(a) a se sentir menos sozinho(a).
- Envolva-se. Ajude seu(sua) filho(a) a participar de atividades que ele(a) goste e seja bom, para aumentar sua confiança.
- Converse com os adultos ou professores. Com a permissão de seu(sua) filho(a), converse com os professores ou funcionários da escola para obter apoio.
- Lembre a criança de que ela não tem culpa de sofrer bullying. Reforçe que ela não precisa mudar para ser amada.
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
Não se sinta envergonhado(a) ou culpado(a) se seu(sua) filho(a) estiver enfrentando problemas com bullying. Há ajuda e orientação disponíveis.
Comece conversando com a equipe da escola do(a) seu(sua) filho(a). Você também pode conversar com o(a) pediatra ou médico(a) de família da criança. Esses profissionais podem orientar os primeiros passos e, se necessário, encaminhá-lo para um(a) especialista em saúde mental, como um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra infantil.
É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.
Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
- Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
- Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.
O(a) seu(sua) filho(a) não precisa passar por isso sozinho(a). Por isso, o seu apoio é fundamental para que ele(a) se sinta seguro(a), compreendido(a) e mais confiante para lidar com a situação.
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