O peso de ser “frágil” em um mundo que exige força

Nossas Vozes

20 de Maio, 2026
Para uma jovem com uma condição genética rara, o cuidado com a saúde mental é tão importante quanto a saúde física, pelo peso do estigma. Por Ketelyn Ramos
Ketelyn: "Não deixe rotularem sua capacidade. Nossa mente é nossa maior estrutura"; foto: Arquivo pessoal

“Cuidado, ela é de vidro”

Esta foi a frase que escutei durante boa parte da minha vida no ambiente escolar, e ainda escuto. Meu nome é Ketelyn, tenho 16 anos e possuo Osteogênese Imperfeita (OI) Tipo 1, uma condição rara que torna meus ossos mais frágeis.

Crescer com OI significa crescer com medo de tudo e todos – medo constante do esbarrão nos corredores e no intervalo, da simples queda ou até mesmo da dor que ninguém vê. Mas o maior peso não é da dor propriamente dita, e sim do estigma.

Durante anos, assisti às aulas de educação física da arquibancada, enquanto lia para passar o tempo. A solidão daquela exclusão “protetiva” doía mais do que uma nova fratura, pois me dizia que meu lugar era o de espectadora. O bullying não era físico, era o isolamento.

Essa jornada me ensinou que a saúde mental de um jovem com OI precisa de tanto cuidado quanto sua densidade óssea. É preciso coragem para não se deixar levar pelos comentários que tentam limitar nossos sonhos ao tamanho da nossa fragilidade física.

Vontade de aço

No entanto, decidi que se meus ossos eram de cristal, minha vontade seria de aço. Quando fui selecionada pelo Ganhando o Mundo – um programa do governo do Paraná que oferece oportunidades de intercâmbio internacional para alunos da rede pública – para estudar na Irlanda, provei que meu lugar nunca foi dentro de uma redoma de vidro. Sempre foi o mundo.

Meu recado para quem também se sente “frágil” perante o mundo é: não deixe que rotulem sua capacidade. Nossa mente é nossa maior estrutura, e não há barreira que não possamos atravessar.

Ketelyn Ramos, estudante e seguidora do Juntô, decidiu compartilhar suas experiências e inspirar outros jovens. Se quiser contar sua história, escreva para brazil@childmind.org.

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