Mão na massa: Jovens Líderes pela Paz criam espaços reais para fortalecimento emocional e pertencimento na escola

Nossas Vozes

20 de Abril, 2026
Grêmios esportivos, atividades criativas e conexões intergeracionais são iniciativas nossas para aprimorar saúde mental dos alunos. Por Gilmar Junior e Maria Eduarda
Para Gilmar e Duda, o momento mais marcante foi a visita a um asilo; crédito: arquivo pessoal

Participar do Jovens Líderes pela Paz e da formação do SNF Global Center para a Saúde Mental de Crianças e Adolescentes no Child Mind Institute para desenvolver módulos no Brasil nos mostrou que a escola pode fazer muito mais pela saúde mental dos alunos do que apenas falar sobre o tema. É possível criar espaços reais de apoio, pertencimento e crescimento emocional.

Tudo começou com o Clube de Esportes, que atraiu mais de 70 alunos para jogar vôlei e basquete. A escola já valorizava o esporte, mas o grêmio trouxe uma nova energia. Cada treino se tornou um espaço seguro para aliviar o estresse. Não estávamos apenas fortalecendo o corpo, mas também nossas conexões com os outros. Aprendemos a confiar, a torcer juntos e a estar presentes uns para os outros, na vitória e na derrota.

Depois veio o Clube de Teatro, um espaço criativo onde mais de 100 alunos podiam se expressar e se explorar. Vimos colegas que antes tinham vergonha de falar em sala subirem ao palco com confiança e alegria. O teatro se tornou um lugar seguro para errar, improvisar e rir livremente, uma sensação de liberdade que teve um impacto significativo na nossa autoestima e senso de identidade.

Criamos também o Mural de Oportunidades, que no início parecia um mero quadro de avisos, mas aos poucos se transformou em fonte de inspiração. Compartilhávamos informações sobre olimpíadas acadêmicas, intercâmbios e projetos internacionais. Ver estudantes pararem no corredor para ler os cartazes e imaginar novos caminhos deixou claro que a esperança em relação ao futuro é uma ferramenta poderosa para o bem-estar emocional.

Também realizamos uma campanha que arrecadou alimentos e fraldas. No entanto, o momento mais marcante foi a visita a um asilo. Além das doações, levamos conversa, risadas e presença. Essa experiência nos lembrou que, ao dedicar tempo e atenção aos outros, também cuidamos de nós mesmos. Contribuir com a comunidade nos fez perceber que importamos e que podemos fazer a diferença.

“Ao dedicar tempo e atenção aos outros, também cuidamos de nós mesmos”

No fim das contas, aprendemos que cuidar da saúde mental dos jovens começa com escuta, com espaço e com ação. Ser um jovem líder não tem a ver com cargos ou reconhecimento, mas com perceber quando algo precisa mudar, reunir pessoas e ter coragem para agir. Nesse processo, também começamos a nos curar.

 

Sobre os autores

Gilmar Suzula Faber Junior tem 18 anos, é estudante e recém-formado pelo Colégio Estadual Professora Venina Corrêa Torres, escola pública de ensino médio em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Apaixonado por ciências e teatro, gosta de passar tempo com os amigos e jogar vôlei.

Maria Eduarda de Lima Souza tem 17 anos e é estudante do ensino médio em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Pratica vôlei e atletismo, e gosta de corrida, leitura e cozinhar com amigos e familiares.

Sobre o Jovens Líderes pela Paz (JLPP)

É uma organização liderada por jovens que ajuda estudantes a criar uma cultura de paz e bem-estar em suas escolas — por meio de iniciativas como diálogo, empatia e liderança. O Global Center da Stavros Niarchos Foundation (SNF) para a Saúde Mental de Crianças e Adolescentes no Child Mind Institute uniu forças com o JLPP para cocriar módulos de saúde mental voltados especificamente para o apoio entre pares. Esses módulos se tornaram a base para atividades desenvolvidas nas escolas e serviram de guia para estudantes como Junior e Eduarda ao desenvolverem suas próprias iniciativas. Ambos participaram ativamente dos treinamentos e são hoje exemplos poderosos do que os jovens podem fazer quando recebem as ferramentas certas e oportunidades reais de liderança.

 

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20 de Abril, 2026

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