Transtorno Dismórfico Corporal (TDC)
O Transtorno Dismórfico Corporal é uma condição de saúde mental em que crianças ou adolescentes se preocupam excessivamente com sua aparência. Eles ficam muito angustiados com pequenos defeitos em sua aparência que acreditam ter. Às vezes, a questão não é real.
Crianças e adolescentes com Transtorno Dismórfico Corporal geralmente sentem muita vergonha. Eles podem não querer ir à escola ou ver os amigos devido à forma como acham que se parecem. Eles podem tentar cobrir o que os incomoda com roupas ou maquiagem ou até querer fazer uma cirurgia para corrigir isso.
Mas as mudanças físicas não fazem com que as crianças com esse transtorno se sintam melhor. Elas encontram algo para se preocupar, independentemente de como realmente se pareçam.
Crianças com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) têm mais chances de desenvolver o Transtorno Dismórfico Corporal.
Quais são os sintomas do Transtorno Dismórfico Corporal?
Ao contrário dos transtornos alimentares, o Transtorno Dismórfico Corporal nem sempre está relacionado ao peso ou à gordura corporal da criança ou do adolescente. Normalmente, começa por volta dos 12 ou 13 anos.
Crianças e adolescentes com Transtorno Dismórfico Corporal apresentam sintomas como:
Sintomas principais
- Fixação em um ou mais questões percebidas na aparência física que não são observáveis ou parecem insignificantes para os outros
- Comportamentos repetitivos, como verificar o espelho, cuidados excessivos com a aparência, buscar constante reassurança
- Ações mentais, como comparar a aparência com a de outras pessoas.
Sintomas associados
- Preocupação excessiva ou vergonha sobre a aparência
- Acreditar que uma pequena diferença estética os torna feios
- Fixação em uma parte específica do corpo, como o nariz ou os dentes
- Passar muito tempo olhando no espelho ou evitando o espelho completamente
- Demonstrar necessidade constante de confirmação sobre como está a própria aparência.
- Recusar-se a aparecer em fotos
- Desejar cirurgia estética
- Mudanças de humor
- Baixa autoestima ou visão negativa de si mesmo
- Ansiedade social
- Preocupações que interferem nas atividades diárias
Como o Transtorno Dismórfico Corporal é diagnosticado?
Pode ser difícil diagnosticar o Transtorno Dismórfico Corporal, pois seus sintomas podem se assemelhar a outros transtornos, como TOC ou transtornos alimentares. Às vezes, crianças ou adolescentes têm dificuldade em contar a alguém que estão angustiados com sua aparência.
Um(a) psiquiatra infantil e adolescente pode diagnosticar o Transtorno Dismórfico Corporal após verificar se os sintomas da criança ou adolescente estão relacionados ao transtorno ou a outra causa.
O(a) psiquiatra pode avaliar tanto a criança quanto um(a) cuidador(a) para entender a natureza específica dos sintomas. O(a) profissional também tentará determinar se os sintomas da criança ou adolescente não estão relacionados a algo externo, como racismo ou capacitismo.
Fatos sobre o Transtorno Dismórfico Corporal
Prevalência mundial: Estima-se que o Transtorno Dismórfico Corporal afete entre 0,5% e 3,2% da população mundial, embora varie entre diferentes grupos (por exemplo, população geral, estudantes, pacientes dermatológicos, etc.). Atualmente, não há dados nacionais representativos no Brasil.
Proporção entre os sexos: Os dados de gênero sobre o Transtorno Dismórfico Corporal mostram que as mulheres são diagnosticadas mais frequentemente que os homens, com uma taxa de 1,1:1.
Idade mais comum de início: A idade de pico para o início do Transtorno Dismórfico Corporal é estimada entre 16 e 17 anos.
Proporção dos casos que surgem antes dos 18 anos: Cerca de 66% dos indivíduos com Transtorno Dismórfico Corporal terão sido diagnosticados até os 18 anos.
Quais são os fatores associados ao Transtorno Dismórfico Corporal?
Alguns fatores comuns relacionados ao Transtorno Dismórfico Corporal são:
- Fatores genéticos e familiares: Ter familiares com Transtorno Dismórfico Corporal, TOC ou depressão aumenta o risco. O transtorno pode surgir da interação entre predisposição genética e o ambiente. Traços familiares como perfeccionismo e foco excessivo na aparência também contribuem.
- Fatores ambientais: Experiências de abuso, negligência, bullying, racismo, capacitismo, lgbtqiapn+fobia, ou rejeição na infância são fatores de risco. A pressão social e a exposição a padrões estéticos irreais, como os das redes sociais, podem reforçar uma visão negativa do próprio corpo.
Quais outros transtornos costumam ocorrer junto com o Transtorno Dismórfico Corporal?
Embora cada criança e adolescente seja diferente, o Transtorno Dismórfico Corporal pode ocorrer frequentemente com Transtorno Depressivo Maior. Transtorno de Ansiedade Social, Transtornos Alimentares, TOC e problemas relacionados ao uso de substâncias também são comuns.
Como o Transtorno Dismórfico Corporal é tratado?
O tratamento do Transtorno Dismórfico Corporal geralmente envolve uma combinação de terapia cognitivo-comportamental (TCC) e medicação antidepressiva. A TCC ajuda as crianças a aprender a mudar seus pensamentos negativos e sentimentos ruins sobre si mesmas.
Em casos graves, quando a criança ou adolescente corre o risco de se machucar, pode ser necessário hospitalizá-los por um tempo.
A cirurgia estética não é recomendada como tratamento para o Transtorno Dismórfico Corporal, pois as crianças ou adolescentes com esse transtorno provavelmente começarão a se preocupar com uma nova questão em sua aparência assim que a questão antiga for “resolvida”.
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