Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social)

Transtorno de Ansiedade Social é um tipo de ansiedade que faz com que as crianças se preocupem muito em serem rejeitadas ou julgadas negativamente pelos outros.

O medo, a ansiedade ou a evitação vividos por crianças com Transtorno de Ansiedade Social são muito maiores do que o esperado para sua faixa etária. As crianças com esse transtorno não são apenas tímidas, elas têm tanto medo de passar vergonha que evitam fazer coisas que querem ou precisam fazer.

Por exemplo, podem recusar convites para festas de aniversário, evitar falar na sala de aula ou não querer comer em um restaurante por medo do que os outros possam pensar. Elas podem ter medo de ir à escola, comer em público, conhecer novas pessoas ou até mesmo conversar.

Algumas crianças só se sentem ansiosas em situações de “desempenho”, como quando precisam falar em sala de aula ou se apresentar em público. Elas evitam qualquer situação em que possam estar no centro das atenções, como falar em público ou participar de uma seleção para alguma prática esportiva.

Quais são os sintomas do Transtorno de Ansiedade Social?

Sintomas principais

– Ansiedade ou medo marcantes para uma ou mais situações em que a pessoa pode estar sendo observada por outras pessoas

– Ansiedade excessiva ou medo de ser envergonhado, humilhado ou rejeitado

– Situações sociais provocam, de forma consistente, ansiedade ou medo

– Tais situações são evitadas ou enfrentadas com grande sofrimento emocional

– A ansiedade ou o medo são desproporcionais à situação social em questão

Sintomas associados

– Sintomas físicos, como tremores, sudorese, boca seca e falta de ar

– Muitas perguntas ansiosas: “E se eu disser algo idiota?” “E se todos acharem que sou um fracasso?”

– Crises de choro ou episódios de desregulação emocional, especialmente em crianças mais novas

– Ficar chateado muito antes de uma situação temida

Como o transtorno de ansiedade social é diagnosticado?

Um(a) psiquiatra infantil pode diagnosticar Transtorno de Ansiedade Social se os sintomas de uma criança ou adolescente durarem seis meses ou mais, causando sofrimento significativo e prejuízo funcional (por exemplo, convívio social, a escola ou ambiente familiar.).

O psiquiatra da infância e adolescência geralmente entrevista e avalia a criança e seu cuidador para descobrir a natureza específica da ansiedade social. Muitos profissionais também utilizam questionários ou escalas de classificação de comportamento/emoção como apoio no diagnóstico e medir a gravidade do problema.

O profissional também tentará determinar se a ansiedade da criança ou adolescente não está relacionada a outros fatores relacionados, como histórico de eventos estressores, bullying, e presença de comorbidades.

Fatos sobre o transtorno de ansiedade social

Prevalência mundial

Estima-se que o Transtorno de Ansiedade Social esteja presente em cerca de 2,3% da população europeia, semelhante a outras estimativas mundiais. Estima-se que os Transtornos de Ansiedade, em geral, estejam presentes em 6,5% da população mundial.

Impacto da condição no Brasil

Apesar de dados limitados, a estimativa de prevalência de transtornos de ansiedade no Brasil é de 2.9% em crianças (5-9 anos) e 8.6% em adolescentes (10-19 anos). Ansiedade Social é um tipo de transtorno de ansiedade, e em relação a ele isoladamente, não há dados nacionalmente representativos.

Proporção entre os sexos:

O diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Social é ligeiramente mais comum em meninas do que em meninos, embora estudos diferentes possam apresentar variações.

Idade mais comum de início:

A idade média de início dos sintomas é de 14,5 anos, ou seja, mais tardia do que a de outros transtornos de ansiedade, cuja média costuma ser de 5,5 anos.

Proporção da condição que surge antes dos 18 anos:

Estudos recentes indicam que 79,1% das pessoas com Transtorno de Ansiedade Social apresentam os primeiros sintomas antes dos 18 anos.

Quais fatores estão associados ao Transtorno de Ansiedade Social?

Alguns fatores comuns associados ao Transtorno de Ansiedade Social são:

Fatores genéticos e familiares:

Uma tendência a um transtorno de ansiedade provavelmente vem de uma combinação de múltiplos genes interagindo com fatores ambientais. Além disso, há uma chance maior de uma criança desenvolver Transtorno de Ansiedade Social se um parente próximo tiver o transtorno. Além disso, o risco é maior quando há histórico familiar da condição.

Fatores ambientais:

Experiências adversas na infância, como abuso físico ou sexual, rejeição por pares e vitimização/bullying, aumentam o risco. Em contrapartida, relações positivas com colegas podem funcionar como fator de proteção.

Traços temperamentais

A inibição comportamental na primeira infância tem sido associada a maior vulnerabilidade à ansiedade social.

Quais outros transtornos podem ocorrer junto ao Transtorno de Ansiedade Social?

Embora cada criança e adolescente seja diferente, o Transtorno de Ansiedade Social frequentemente se manifesta junto a:

∙ Outros transtornos de ansiedade (como Transtorno de Ansiedade Generalizada e Mutismo Seletivo);

∙ Transtornos depressivos;

∙ Transtorno do Espectro Autista de alto funcionamento.

Além disso, é comum que o transtorno leve ao uso problemático de substâncias. Muitos indivíduos com ansiedade social recorrem ao uso de álcool ou outras drogas como forma de “automedicação” para aliviar a ansiedade.

Como o transtorno de ansiedade social é tratado?

O Transtorno de Ansiedade Social é geralmente tratado com terapia ou uma combinação de terapia e medicação. Cuidadores e outros membros da família são uma parte importante do tratamento, pois podem ajudar crianças e adolescentes a praticar as habilidades que aprendem na terapia.

O tratamento costuma envolver psicoterapia ou uma combinação de psicoterapia e farmacoterapia. A participação de cuidadores e familiares é essencial, pois eles ajudam a criança ou adolescente a aplicar, no dia a dia, as estratégias aprendidas em terapia.

Existem muitas terapias que tratam efetivamente os sintomas do Transtorno de Ansiedade Social. Dentre as abordagens terapêuticas, a com maior respaldo científico é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). A TCC utiliza diversas técnicas cognitivas e comportamentais, com destaque para a exposição gradual.

Nesse modelo, o terapeuta ajuda a criança a enfrentar, passo a passo, situações que geram ansiedade — iniciando com desafios pequenos. À medida que a ansiedade surge, a criança é orientada a aplicar estratégias de enfrentamento. O processo se repete com situações progressivamente mais difíceis.

Além disso, a TCC busca identificar pensamentos disfuncionais relacionados à ansiedade, promovendo a consciência sobre esses padrões e trabalha com a criança sua reformulação.

Estudos mostram que a TCC em grupo pode ser especialmente eficaz para crianças e adolescentes.

Do ponto de vista farmacológico, crianças e adolescentes com Transtorno de Ansiedade Social costumam responder bem aos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs), como fluoxetina, sertralina, citalopram, escitalopram e paroxetina. Outros medicamentos, como os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSNs) — incluindo duloxetina e venlafaxina — também podem ser eficazes.

Por outro lado, benzodiazepínicos (ex.: alprazolam, lorazepam, diazepam) e antidepressivos tricíclicos (ex.: clomipramina, amitriptilina) não são recomendados para crianças e adolescentes, pois não se mostraram eficazes nessa população.

Os medicamentos podem causar efeitos colaterais, mas, com monitoramento médico e supervisão rigorosa de seus cuidadores, são seguros para uso em crianças e adolescentes. É essencial que esses pacientes mantenham acompanhamento regular com seu médico, especialmente em caso de ajustes na dose.

A associação entre TCC e ISRSs ou IRSNs pode ser considerada, uma vez que algumas evidências sugerem que a combinação pode ser mais eficaz do que o uso isolado de cada abordagem.

Referências

Clinical description, symptoms, and diagnostic information

– American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: Fifth Edition Text Revision DSM-5-TR. American Psychiatric Association Publishing, Washington, DC.

– Child Mind Institute. (2021, September 7). Social Anxiety Disorder in children: A quick guide. _https://childmind.org/guide/quick-guide-to-social-anxiety-disorder/_

– World Health Organization. (2022, February). ICD-11 for mortality and morbidity statistics. 6B04 Social Anxiety Disorder. _https://icd.who.int/browse11/l-m/en#/http%3a%2f%2fid.who.int%2ficd%2fentity%2f2062286624_

Facts

– American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: Fifth Edition Text Revision DSM-5-TR. American Psychiatric Association Publishing, Washington, DC.

– Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME). (2019). GBD Compare Data Visualization. Seattle, WA: IHME, University of Washington, Available from _http://vizhub.healthdata.org/gbd-compare_. (Accessed 11/15/2022)

– Jefferies, P., & Ungar, M. (2020). Social anxiety in young people: A prevalence study in seven countries. PLOS ONE, 15(9), e0239133. _https://doi.org/10.1371/journal.pone.0239133_

– Polanczyk, G. V., Salum, G. A., Sugaya, L. S., Caye, A., & Rohde, L. A. (2015). Annual research review: A meta-analysis of the worldwide prevalence of mental disorders in children and adolescents. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 56(3), 345–365. _https://doi.org/10.1111/jcpp.12381_

– Sacco, R., Camilleri, N., Eberhardt, J., Umla-Runge, K., & Newbury-Birch, D. (2022). A systematic review and meta-analysis on the prevalence of mental disorders among children and adolescents in Europe. European Child & Adolescent Psychiatry. _https://doi.org/10.1007/s00787-022-02131-2_

– Solmi, M., Radua, J., Olivola, M., Croce, E., Soardo, L., Salazar de Pablo, G., Il Shin, J., Kirkbride, J. B., Jones, P., Kim, J. H., Kim, J. Y., Carvalho, A. F., Seeman, M. V., Correll, C. U., & Fusar-Poli, P. (2022). Age at onset of mental disorders worldwide: Large-scale meta-analysis of 192 epidemiological studies. Molecular Psychiatry, 27(1), 281–295. _https://doi.org/10.1038/s41380-021-01161-7_

– Somers, J. M., Goldner, E. M., Waraich, P., & Hsu, L. (2006). Prevalence and Incidence Studies of Anxiety Disorders: A Systematic Review of the Literature. The Canadian Journal of Psychiatry, 51(2), 100–113. _https://doi.org/10.1177/070674370605100206_

– Tang, X., Liu, Q., Cai, F., Tian, H., Shi, X., & Tang, S. (2022). Prevalence of social anxiety disorder and symptoms among Chinese children, adolescents and young adults: A systematic review and meta-analysis. Frontiers in Psychology, 13, 792356. _https://doi.org/10.3389/fpsyg.2022.792356_

Associated factors

– American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: Fifth Edition Text Revision DSM-5-TR. American Psychiatric Association Publishing, Washington, DC.

– Arango, C., Dragioti, E., Solmi, M., Cortese, S., Domschke, K., Murray, R. M., Jones, P. B., Uher, R., Carvalho, A. F., Reichenberg, A., Shin, J. I., Andreassen, O. A., Correll, C. U., & Fusar‐Poli, P. (2021). Risk and protective factors for mental disorders beyond genetics: An evidence‐based atlas. World Psychiatry, 20(3), 417–436. _https://doi.org/10.1002/wps.20894_

– Ayano, G., Betts, K., Maravilla, J. C., & Alati, R. (2021). The risk of anxiety disorders in children of parents with severe psychiatric disorders: A systematic review and meta-analysis. Journal of Affective Disorders, 282, 472–487. _https://doi.org/10.1016/j.jad.2020.12.134_

– Baba, A., Kloiber, S., & Zai, G. (2022). Genetics of social anxiety disorder: a systematic review. Psychiatric Genetics, 32(2), 37–66. _https://doi.org/10.1097/YPG.0000000000000310_

– Brühl, A., Kley, H., Grocholewski, A., Neuner, F., & Heinrichs, N. (2019). Child maltreatment, peer victimization, and social anxiety in adulthood: A cross-sectional study in a treatment-seeking sample. BMC Psychiatry, 19(1), 418 . _https://doi.org/10.1186/s12888-019-2400-4_

– Bruijnen, C. J. W. H., Young, S. Y., Marx, M., & Seedat, S. (2019). Social anxiety disorder and childhood trauma in the context of anxiety (behavioural inhibition), impulsivity (behavioural activation) and quality of life. South African Journal of Psychiatry, 25. _https://doi.org/10.4102/sajpsychiatry.v25i0.1189_

– Caldiroli, A., Capuzzi, E., Affaticati, L. M., Surace, T., Di Forti, C. L., Dakanalis, A., Clerici, M., & Buoli, M. (2023). Candidate Biological Markers for Social Anxiety Disorder: A Systematic Review. International Journal of Molecular Sciences, 24(1), 835. _https://doi.org/10.3390/ijms24010835_

– Kendler, K. S. (2013). What psychiatric genetics has taught us about the nature of psychiatric illness and what is left to learn. Molecular Psychiatry, 18(10), 1058–1066. _https://doi.org/10.1038/mp.2013.50_

Co-occurring disorders

– American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: Fifth Edition Text Revision DSM-5-TR. American Psychiatric Association Publishing, Washington, DC.

– Koyuncu, A., İnce, E., Ertekin, E., & Tükel, R. (2019). Comorbidity in social anxiety disorder: Diagnostic and therapeutic challenges. Drugs in Context, 8, 1–13. _https://doi.org/10.7573/dic.212573_

– Muris, P., & Ollendick, T. H. (2021). Selective Mutism and Its Relations to Social Anxiety Disorder and Autism Spectrum Disorder. Clinical Child and Family Psychology Review, 24(2), 294–325. _https://doi.org/10.1007/s10567-020-00342-0_

– Saha, S., Lim, C. C. W., Cannon, D. L., Burton, L., Bremner, M., Cosgrove, P., Huo, Y., & McGrath, J. (2021). Co‐morbidity between mood and anxiety disorders: A systematic review and meta‐analysis. Depression and Anxiety, 38(3), 286–306. _https://doi.org/10.1002/da.23113_

– Spain, D., Sin, J., Linder, K. B., McMahon, J., & Happé, F. (2018). Social anxiety in autism spectrum disorder: A systematic review. Research in Autism Spectrum Disorders, 52, 51–68. _https://doi.org/10.1016/j.rasd.2018.04.007_

Interventions

– Correll, C. U., Cortese, S., Croatto, G., Monaco, F., Krinitski, D., Arrondo, G., Ostinelli, E. G., Zangani, C., Fornaro, M., Estradé, A., Fusar‐Poli, P., Carvalho, A. F., & Solmi, M. (2021). Efficacy and acceptability of pharmacological, psychosocial, and brain stimulation interventions in children and adolescents with mental disorders: An umbrella review. World Psychiatry, 20(2), 244–275. _https://doi.org/10.1002/wps.20881_

– Cuijpers, P., Cristea, I. A., Karyotaki, E., Reijnders, M., & Huibers, M. J. H. (2016). How effective are cognitive behavior therapies for major depression and anxiety disorders? A meta-analytic update of the evidence. World Psychiatry, 15(3), 245-258. _https://doi.org/10.1002/wps.20346_

– Gosmann, N. P., Costa, M. de A., Jaeger, M. de B., et al. (2021). Selective serotonin reuptake inhibitors, and serotonin and norepinephrine reuptake inhibitors for anxiety, obsessive-compulsive, and stress disorders: A 3-level network meta-analysis. Patel V, ed. PLoS Med, 18(6), e1003664. _https://doi.org/10.1371/journal.pmed.1003664_

– Scaini, S., Belotti, R., Ogliari, A., & Battaglia, M. (2016). A comprehensive meta-analysis of cognitive-behavioral interventions for social anxiety disorder in children and adolescents. Journal of Anxiety Disorders, 42, 105-112. _https://doi.org/10.1016/j.janxdis.2016.05.008_

– Schopf, K., Mohr, C., Lippert, M. W., Sommer, K., Meyer, A. H., & Schneider, S. (2020). The role of exposure in the treatment of anxiety in children and adolescents: Protocol of a systematic review and meta-analysis. Systematic Reviews, 9(1), 96. _https://doi.org/10.1186/s13643-020-01337-2_

– Snir, A., Moskow, D. M., & Hofmann, S. G. (2021). When is it appropriate to treat children with social anxiety, pharmacologically? Expert Opinion on Pharmacotherapy, 22(18), 242 3-2426. _https://doi.org/10.1080/14656566.2021.1948015_

– Wang, Z., Whiteside, S. P. H., Sim, L., et al. (2017). Comparative effectiveness and safety of cognitive behavioral therapy and pharmacotherapy for childhood anxiety disorders: A systematic review and meta-analysis. JAMA Pediatrics, 171(11), 1049. _https://doi.org/10.1001/jamapediatrics.2017.3036_

– Zhou, X., Zhang, Y., Furukawa, T. A., Cuijpers, P., Pu, J., Weisz, J. R., Yang, L., Hetrick, S. E., Del Giovane, C., Cohen, D., James, A. C., Yuan, S., Whittington, C., Jiang, X., Teng, T., Cipriani, A., & Xie, P. (2019). Different types and acceptability of psychotherapies for acute anxiety disorders in children and adolescents: A network meta-analysis. JAMA Psychiatry, 76(1), 41. _https://doi.org/10.1001/jamapsychiatry.2018.3070_

Guias de Bolso

Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social)

Onde encontrar
mais informações

Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.

O que você
achou dos guias?

Conte pra gente o que você achou dos guias! Sua opinião pode nos ajudar a melhorá-los. Existe algum tema que você procurou e não achou?

Eu sou: