Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é uma preocupação excessiva e contínua que pode gerar pensamentos indesejados, difíceis de controlar e que interferem nas atividades diárias.

É chamado de “generalizado” porque a ansiedade e as preocupações da criança ou adolescente geralmente estão relacionadas a muitas coisas do dia a dia, como saúde, segurança da família, interações sociais, bom desempenho na escola ou nos esportes, pontualidade, etc.

Crianças e adolescentes com TAG geralmente se preocupam muito mais do que seria proporcional à real chance de algo ruim acontecer.

Por exemplo, um(a) estudante com TAG pode estudar muito mais do que seus colegas, mesmo já tendo bom desempenho, ou pode se preocupar excessivamente com uma festa que está organizando.

Nem sempre as crianças e os adolescentes conseguem nomear o que sentem, mas sinais como queixas somáticas, irritabilidade, insônia ou comportamentos de evitação devem ser observados.

Quais são os sintomas do TAG?

A ansiedade ou preocupação excessiva que crianças e adolescentes com TAG sentem é muito maior do que o esperado para sua idade ou situação. Os sintomas específicos do TAG incluem:

Sintomas principais do TAG

  • Inquietação ou sensação de estar “no limite”, dificuldade para relaxar
  • Cansaço fácil
  • Dificuldade de concentração ou mente “em branco”
  • Irritabilidade (por exemplo, se irritar ou se aborrecer com facilidade)
  • Dores musculares ou tensão
  • Problemas de sono (por exemplo, dificuldade para adormecer, manter o sono, sono agitado)

Sintomas associados ao TAG

  • Problemas de comportamento
  • Sintomas físicos, como dores de estômago ou de cabeça
  • Oscilações de humor, sensação de tristeza ou desesperança
  • Sentir-se facilmente sobrecarregado
  • Pensar demais em situações, decisões, planos, soluções e nos piores cenários
  • Dificuldade para lidar com incertezas

Como o TAG é diagnosticado?

Um(a) psiquiatra infantil pode diagnosticar uma criança ou adolescente com TAG ao perceber que suas preocupações não estão ligadas a um evento específico; que há preocupações sobre muitos assuntos diferentes; que existe dificuldade para controlar a ansiedade ou as preocupações; que os sintomas duram há pelo menos seis meses; e que essas manifestações causam sofrimento significativo e prejuízo na vida cotidiana (por exemplo, nas relações sociais, familiares, escolares etc.).

O psiquiatra infantil pode avaliar tanto a criança/adolescente quanto um responsável para entender a natureza específica da ansiedade. Muitos profissionais também utilizam questionários ou escalas de avaliação emocional/comportamental para ajudar no diagnóstico e medir a gravidade do problema. O(a) profissional também tentará garantir que a ansiedade não esteja relacionada a algo inesperado ou pontual.

O TAG pode ser crônico, e os sintomas costumam ir e vir ao longo da vida. Não é comum que desapareça completamente sem um tratamento adequado.

Fatos sobre o TAG

Frequência mundial da condição:

Estima-se que o TAG esteja presente em 1,3% da população mundial. Transtornos de ansiedade, de forma geral, afetam cerca de 6,5% da população mundial.

As estimativas feitas durante a pandemia de COVID-19 são ainda mais altas.

Impacto da condição no Brasil:

Apesar de dados limitados, a estimativa de prevalência de transtornos de ansiedade no Brasil é de 2.9% em crianças (5-9 anos) e 8.6% em adolescentes (10-19 anos). TAG é um tipo de transtorno de ansiedade, e em relação a ele isoladamente, não há dados nacionalmente representativos.

Proporção entre os sexos:

Os dados sobre gênero em relação ao TAG variam bastante, dependendo da gravidade do quadro e da presença de comorbidades. De forma geral, meninas são mais frequentemente diagnosticadas do que meninos.

Idade mais comum de início:

A idade média de início do TAG é estimada em 15,5 anos, o que é mais tardio do que a média para os transtornos de ansiedade em geral (5,5 anos).

Proporção de casos que surgem antes dos 18 anos

De acordo com dados recentes, 20,4% das pessoas com TAG terão sido diagnosticadas até os 18 anos de idade.

Quais são os fatores associados ao TAG?

Alguns fatores comuns associados ao TAG incluem:

  • Fatores genéticos e familiares: Interação complexa entre múltiplos genes e fatores ambientais. Crescer em contextos marcados por preocupação constante, controle ou evitação pode levar à internalização desses padrões e favorecer o surgimento da ansiedade.
  • Fatores ambientais: Incluem experiências negativas (por exemplo, traumas), estilos parentais (como superproteção, controle excessivo ou incentivo à evitação), perda parental e separação dos pais.

Quais outros transtornos podem ocorrer junto ao TAG?

Apesar de cada criança e adolescente ser único, é comum que indivíduos com TAG também cumpram, ou já tenham cumprido, critérios para outros transtornos de ansiedade (como Transtorno de Ansiedade de Separação, Fobia Social e Transtorno do Pânico) ou para depressão. O TAG também costuma estar associado ao Transtorno Disruptivo da Desregulação do Humor.

Como o TAG é tratado?

O TAG costuma ser tratado com psicoterapia ou uma combinação de psicoterapia e medicação. Os cuidadores e outros membros da família são parte fundamental do tratamento, já que podem ajudar as crianças e adolescentes a praticarem as habilidades aprendidas na terapia.

Há várias psicoterapias com eficácia comprovada no tratamento do TAG, mas a que tem mais evidências é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). A TCC é um termo amplo que abrange diversas técnicas cognitivas e comportamentais. Uma dessas técnicas é a exposição, na qual o terapeuta apresenta gradualmente situações que causam ansiedade, começando pelas mais leves.

À medida que a criança se sente ansiosa, o terapeuta ensina formas de lidar com essa sensação. O trabalho terapêutico também envolve ajudar a criança a identificar pensamentos ou crenças disfuncionais (ou seja, que não correspondem à realidade ou são muito exagerados), tornar-se consciente deles e reformulá-los. Esse processo se repete com situações cada vez mais difíceis. A TCC em grupo tem se mostrado especialmente útil para crianças e adolescentes.

Crianças e adolescentes com TAG tendem a responder bem a certos antidepressivos chamados inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), como fluoxetina, sertralina, citalopram, escitalopram e paroxetina. Outros medicamentos, como os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN), incluindo duloxetina e venlafaxina, também são eficazes na redução da ansiedade nessa faixa etária.

Benzodiazepínicos (como alprazolam, lorazepam e diazepam) e antidepressivos tricíclicos (como clomipramina e amitriptilina) não são eficazes em crianças e adolescentes e não devem ser usados. No entanto, alguns profissionais podem utilizar benzodiazepínicos por curto prazo (por exemplo, 4 semanas) no início do tratamento com ISRS em casos específicos com adolescentes mais velhos, já que os ISRS demoram um pouco para começar a fazer efeito.

Medicamentos podem ter efeitos colaterais, mas são seguros para uso em crianças quando acompanhados de perto pelo(a) médico(a) e com supervisão cuidadosa dos cuidadores. Crianças e adolescentes em uso dessas medicações devem realizar consultas regulares, especialmente após mudanças na dose.

A combinação de TCC e ISRS/IRSN também deve ser considerada, pois alguns estudos mostram que essa associação pode ser mais eficaz do que qualquer um dos tratamentos isoladamente.

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