Ter pensamentos, imagens ou impulsos que não consegue parar de pensar
Às vezes, estudantes ficam presos em certos pensamentos ou ideias. Isso faz parte do desenvolvimento e, muitas vezes, está ligado a algo divertido. Uma criança pode repetir falas de um desenho o dia todo, ou um adolescente pode falar bastante sobre um jogo, série ou banda favorita. Esses interesses intensos são comuns e costumam passar com o tempo.
Mas nem todos os pensamentos trazem alegria. Alguns podem ser incômodos ou preocupantes, causando desconforto, ansiedade ou confusão. Mesmo tentando parar, o(a) estudante pode sentir que não consegue controlar. Esses pensamentos podem surgir de repente, e estar ligados a medos ou dúvidas, ou vir acompanhados de imagens difíceis de explicar.
Em alguns casos, o(a) estudante evita falar sobre o que sente, por vergonha ou por não entender bem o que está acontecendo. Por isso, é importante que educadores saibam reconhecer quando os pensamentos deixam de ser parte do interesse esperado e passam a causar sofrimento ou afetar a rotina.
O que é esperado?
É natural que estudantes tenham pensamentos estranhos ou preocupantes de vez em quando, como imaginar algo engraçado ou até desconfortável. Esses pensamentos surgem, passam e não costumam causar sofrimento ou atrapalhar a rotina.
Também é comum que tenham interesses intensos em certas fases, como:
- uma criança pequena querer brincar sempre com o mesmo objeto;
- uma criança em idade escolar ouvir a mesma música repetidas vezes;
- um adolescente acompanhar de perto um artista ou time, sabendo tudo sobre ele.
Esses interesses fazem parte do desenvolvimento, costumam ser passageiros e, quando não atrapalham as atividades do dia a dia, não são um problema.
Da mesma forma, é esperado que o(a) estudante tenha alguns hábitos e repetições no cotidiano, mas que consiga lidar com pequenas mudanças sem grande sofrimento. É natural, por exemplo, um(a) estudante conferir se fez a lição corretamente; o que não é esperado é gastar longos minutos revendo o mesmo trecho por medo de errar ou por acreditar que algo ruim possa acontecer caso não revise.
Quando devo me preocupar?
Como educador(a), nem sempre é possível saber exatamente o que o(a) aluno(a) está pensando. Mas é possível perceber sinais no comportamento ou no que eles contam.
Vale ficar atento quando o(a) estudante:
- Parece não conseguir parar de pensar em algo que o incomoda
- Fica angustiado(a) ou inseguro(a) por causa desses pensamentos
- Começa a evitar atividades, tem queda no rendimento ou dificuldade de se concentrar.
Alguns exemplos de pensamentos e comportamentos que podem indicar preocupação:
- Contar objetos ou repetir mentalmente palavras ou frases até sentir que está “certo”
- Refazer mentalmente conversas para ter certeza de que não fez nada errado
- Preocupar-se excessivamente com a possibilidade de algo ruim acontecer
- Ter muito medo de sujeira ou germes
- Fazer perguntas repetidas sobre temas que o preocupam
- Buscar garantias e validações constantemente com colegas ou professores.
Esses estudantes podem parecer distraídos, agitados ou até retraídos. Também podem demonstrar sinais como mudança de humor, isolamento ou aumento da ansiedade.
O que posso fazer para ajudar?
Se um(a) estudante estiver passando por dificuldades por causa de pensamentos repetitivos e incômodos, algumas atitudes na escola podem ajudar bastante:
- Mostre que se importa. Diga que percebe que o(a) estudante está preocupado(a) ou incomodado(a) e que ele(a) pode contar com você. Uma atitude acolhedora fortalece a confiança.
- Evite julgamentos. Mesmo que os pensamentos pareçam estranhos ou exagerados, escute com empatia. Não minimize o que o(a) estudante está sentindo.
- Não reforce os pensamentos oferecendo garantias repetidas. Embora pareça ajudar, confirmar o tempo todo que “está tudo bem” pode manter a preocupação ativa.
- Ajude a redirecionar a atenção. Sugerir uma atividade, uma pausa breve ou uma distração leve pode aliviar o desconforto momentâneo.
- Evite punições. Esses comportamentos não são intencionais. Puni-los pode gerar mais vergonha ou afastamento.
- Incentive o uso de estratégias para lidar com a ansiedade. Respiração profunda, contagem até 10, pequenas pausas, movimentos leves ou um objeto de apoio podem ajudar o(a) estudante a se acalmar.
- Comunique os cuidadores. Compartilhe suas observações com a família de forma cuidadosa e colaborativa. É possível que os responsáveis também estejam notando esses comportamentos em casa.
- Busque apoio da equipe escolar. Fale com o(a) orientador(a) pedagógico, psicólogo(a) ou assistente social da escola. Se a sua escola não tiver esses profissionais, procure outro adulto de confiança da equipe escolar, como outro(a) professor(a) ou a direção. Juntos, vocês podem pensar em estratégias para apoiar o(a) estudante e, se necessário, orientar os responsáveis sobre os próximos passos.
Com apoio, compreensão e encaminhamento adequado, é possível ajudar o(a) estudante a se sentir mais seguro e encontrar maneiras de lidar com o que está passando.
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
Se você é educador(a) e está observando esses comportamentos em algum(a) estudante, você pode orientar a família a procurar um(a) psicólogo(a) que trabalhe com crianças e adolescentes para que seja realizada uma avaliação. Caso necessário, pode ser indicado também atendimento com psiquiatra infantil.
Além disso, lembre aos cuidadores que é possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima deles, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.
Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
- Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
- Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
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