Ter pensamentos, imagens ou impulsos que não consegue parar de pensar

Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.

Young Indian silent woman sit on sofa and looking out window to big city view, feel lonely, having strong sense of homesick, recall, remembering past life or wait for someone. Life troubles, solitude

Às vezes, crianças e adolescentes ficam presos em certos pensamentos que parecem não sair da cabeça. Isso pode acontecer com ideias divertidas, como uma música que elas adoram e cantam o tempo todo, um jogo que não param de comentar ou uma cena de um filme que querem ver de novo. Essas repetições costumam ser agradáveis e fazem parte do desenvolvimento.

Mas, em outros momentos, os pensamentos são desconfortáveis ou preocupantes, como a ideia de que algo ruim pode acontecer, de que fizeram algo errado, ou que precisam fazer algo de um jeito específico para que tudo “fique certo”.

Nessas situações, a criança ou o adolescente pode parecer ansioso(a), distraído(a), ou gastar muito tempo com esses pensamentos, mesmo querendo parar. Isso pode atrapalhar os estudos, as brincadeiras e a convivência com outras pessoas.

O que é esperado?

É natural que crianças e adolescentes tenham pensamentos estranhos ou preocupantes de vez em quando, como imaginar algo engraçado ou até desconfortável. Esses pensamentos surgem, passam e não costumam causar sofrimento ou atrapalhar a rotina.

Também é comum ter pensamentos estranhos ou inesperados de vez em quando, como imaginar algo fora do comum. Isso acontece com todo mundo e, quando não traz sofrimento ou prejuízo no dia a dia, não é um problema.

Além disso, alguns interesses intensos em certas fases são comuns, como:

  • Uma criança pequena pode querer brincar sempre com o mesmo objeto. Uma criança em idade escolar pode ouvir a mesma música repetidas vezes.
  • Um adolescente pode acompanhar de perto um artista ou time, sabendo tudo sobre ele.

Esses interesses fazem parte do desenvolvimento, costumam ser passageiros e, quando não atrapalham as atividades do dia a dia, não são um problema.

Da mesma forma, é esperado que a criança ou o adolescente tenha alguns hábitos e repetições no dia a dia, mas que consiga lidar com pequenas mudanças sem grande sofrimento. É natural, por exemplo, conferir se trancou a porta ou se guardou o material da escola. O que não é esperado é passar longos minutos repetindo a mesma checagem por medo de errar ou acreditar que algo ruim possa acontecer caso não faça do jeito “certo”.

Quando devo me preocupar?

Como cuidador(a), nem sempre é possível saber exatamente o que a criança ou o adolescente está pensando. Mas é possível perceber sinais no comportamento ou no que eles contam.

Vale ficar atento quando os pensamentos parecem “grudar” na cabeça, especialmente se eles:

  • Aparecem muitas vezes ao longo do dia.
  • Geram desconforto, medo, ansiedade ou culpa.
  • Deixam a criança ou adolescente irritado(a) ou ansioso(a).
  • Voltam repetidamente, mesmo quando a criança não quer pensar neles.
  • Duram muito tempo — por exemplo, somam mais de uma hora por dia.
  • Fazem com que repitam certas ações para tentar aliviar a preocupação.
  • Atrapalham estudos, brincadeiras, sono ou convivência com outras pessoas.

Alguns sinais práticos podem incluir:

  • Ficar repassando conversas mentalmente para checar se fez algo errado.
  • Fazer listas na cabeça repetidamente.
  • Contar objetos ou repetir palavras silenciosamente até parecer “certo”.
  • Ter muito medo de que algo ruim aconteça ou de estar sujo.
  • Pedir garantias o tempo todo — “Tem certeza que está tudo bem?”
  • Ficar mais quieto, distraído ou preocupado do que o habitual.
  • Ficar angustiado(a) quando não consegue realizar esses rituais.

Esses pensamentos não são culpa da criança. Mas, quando causam sofrimento ou atrapalham o dia a dia, merecem atenção e podem ser um sinal de que ela precisa de apoio.

O que posso fazer para ajudar?

Cuidadores podem ajudar de várias formas:

  1. Demonstre que se importa Mostre que você está por perto e que quer ajudar. Frases como “Notei que você está preocupado. Você quer conversar?” podem abrir espaço para o diálogo.
  2. Evite julgar Mesmo que os pensamentos pareçam estranhos, evite dizer que é “bobeira” ou “coisa da cabeça”. Escute com atenção e calma.
  3. Não reforce os pensamentos Evite responder sempre com garantias. Dizer repetidamente que “nada de ruim vai acontecer” pode aumentar a insegurança com o tempo.
  4. Ajude a redirecionar o foco Se a criança estiver presa em um pensamento, proponha uma atividade tranquila, como desenhar, ouvir uma música ou caminhar.
  5. Não castigue Esses pensamentos não são uma escolha. Evite punições ou broncas, o acolhimento funciona muito melhor.
  6. Ensine estratégias para lidar com a ansiedade Respiração profunda, relaxamento ou brincar com algo que a criança goste pode ajudar a aliviar a tensão.

Não minimize o sofrimento dizendo que “é só parar”. Essa abordagem tende a aumentar a culpa e a tensão da criança ou adolescente.

Se os pensamentos estiverem atrapalhando muito, vale buscar orientação com um(a) pediatra ou profissional de saúde mental. Quanto mais cedo o apoio chegar, melhor.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

Não se sinta envergonhado(a) ou culpado(a) se seu(sua) filho(a) tiver dificuldades como essas. Existe ajuda disponível.

É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.

Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:

  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
  • Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
  • Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.

O acompanhamento profissional ajuda a criança e a família a compreender o problema, reduzindo o impacto na vida diária.

Guias de Bolso

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mais informações

Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.

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