Ter pensamentos, imagens ou impulsos que não consegue parar de pensar
Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.
Às vezes, crianças e adolescentes ficam presos em certos pensamentos que parecem não sair da cabeça. Isso pode acontecer com ideias divertidas, como uma música que elas adoram e cantam o tempo todo, um jogo que não param de comentar ou uma cena de um filme que querem ver de novo. Essas repetições costumam ser agradáveis e fazem parte do desenvolvimento.
Mas, em outros momentos, os pensamentos são desconfortáveis ou preocupantes, como a ideia de que algo ruim pode acontecer, de que fizeram algo errado, ou que precisam fazer algo de um jeito específico para que tudo “fique certo”.
Nessas situações, a criança ou o adolescente pode parecer ansioso(a), distraído(a), ou gastar muito tempo com esses pensamentos, mesmo querendo parar. Isso pode atrapalhar os estudos, as brincadeiras e a convivência com outras pessoas.
O que é esperado?
É natural que crianças e adolescentes tenham pensamentos estranhos ou preocupantes de vez em quando, como imaginar algo engraçado ou até desconfortável. Esses pensamentos surgem, passam e não costumam causar sofrimento ou atrapalhar a rotina.
Também é comum ter pensamentos estranhos ou inesperados de vez em quando, como imaginar algo fora do comum. Isso acontece com todo mundo e, quando não traz sofrimento ou prejuízo no dia a dia, não é um problema.
Além disso, alguns interesses intensos em certas fases são comuns, como:
- Uma criança pequena pode querer brincar sempre com o mesmo objeto. Uma criança em idade escolar pode ouvir a mesma música repetidas vezes.
- Um adolescente pode acompanhar de perto um artista ou time, sabendo tudo sobre ele.
Esses interesses fazem parte do desenvolvimento, costumam ser passageiros e, quando não atrapalham as atividades do dia a dia, não são um problema.
Da mesma forma, é esperado que a criança ou o adolescente tenha alguns hábitos e repetições no dia a dia, mas que consiga lidar com pequenas mudanças sem grande sofrimento. É natural, por exemplo, conferir se trancou a porta ou se guardou o material da escola. O que não é esperado é passar longos minutos repetindo a mesma checagem por medo de errar ou acreditar que algo ruim possa acontecer caso não faça do jeito “certo”.
Quando devo me preocupar?
Como cuidador(a), nem sempre é possível saber exatamente o que a criança ou o adolescente está pensando. Mas é possível perceber sinais no comportamento ou no que eles contam.
Vale ficar atento quando os pensamentos parecem “grudar” na cabeça, especialmente se eles:
- Aparecem muitas vezes ao longo do dia.
- Geram desconforto, medo, ansiedade ou culpa.
- Deixam a criança ou adolescente irritado(a) ou ansioso(a).
- Voltam repetidamente, mesmo quando a criança não quer pensar neles.
- Duram muito tempo — por exemplo, somam mais de uma hora por dia.
- Fazem com que repitam certas ações para tentar aliviar a preocupação.
- Atrapalham estudos, brincadeiras, sono ou convivência com outras pessoas.
Alguns sinais práticos podem incluir:
- Ficar repassando conversas mentalmente para checar se fez algo errado.
- Fazer listas na cabeça repetidamente.
- Contar objetos ou repetir palavras silenciosamente até parecer “certo”.
- Ter muito medo de que algo ruim aconteça ou de estar sujo.
- Pedir garantias o tempo todo — “Tem certeza que está tudo bem?”
- Ficar mais quieto, distraído ou preocupado do que o habitual.
- Ficar angustiado(a) quando não consegue realizar esses rituais.
Esses pensamentos não são culpa da criança. Mas, quando causam sofrimento ou atrapalham o dia a dia, merecem atenção e podem ser um sinal de que ela precisa de apoio.
O que posso fazer para ajudar?
Cuidadores podem ajudar de várias formas:
- Demonstre que se importa Mostre que você está por perto e que quer ajudar. Frases como “Notei que você está preocupado. Você quer conversar?” podem abrir espaço para o diálogo.
- Evite julgar Mesmo que os pensamentos pareçam estranhos, evite dizer que é “bobeira” ou “coisa da cabeça”. Escute com atenção e calma.
- Não reforce os pensamentos Evite responder sempre com garantias. Dizer repetidamente que “nada de ruim vai acontecer” pode aumentar a insegurança com o tempo.
- Ajude a redirecionar o foco Se a criança estiver presa em um pensamento, proponha uma atividade tranquila, como desenhar, ouvir uma música ou caminhar.
- Não castigue Esses pensamentos não são uma escolha. Evite punições ou broncas, o acolhimento funciona muito melhor.
- Ensine estratégias para lidar com a ansiedade Respiração profunda, relaxamento ou brincar com algo que a criança goste pode ajudar a aliviar a tensão.
Não minimize o sofrimento dizendo que “é só parar”. Essa abordagem tende a aumentar a culpa e a tensão da criança ou adolescente.
Se os pensamentos estiverem atrapalhando muito, vale buscar orientação com um(a) pediatra ou profissional de saúde mental. Quanto mais cedo o apoio chegar, melhor.
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
Não se sinta envergonhado(a) ou culpado(a) se seu(sua) filho(a) tiver dificuldades como essas. Existe ajuda disponível.
É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.
Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
- Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
- Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.
O acompanhamento profissional ajuda a criança e a família a compreender o problema, reduzindo o impacto na vida diária.
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