Ter dificuldades para seguir regras, provocar os outros de propósito, e sentir raiva ou irritação com frequência
Todos os estudantes, em algum momento, ficam bravos ou têm dificuldade para seguir regras. No entanto, alguns apresentam esses comportamentos com mais frequência e intensidade.
Eles podem se sentir irritados ou com raiva com frequência e agir de forma desafiadora, como não obedecer aos adultos ou provocar outras pessoas de propósito. Esses comportamentos podem ser desafiadores para os professores e causar conflitos na escola.
É importante entender que essas atitudes nem sempre são intencionais e podem ser um sinal de que o(a) estudante precisa de ajuda. Com o apoio certo, os estudantes podem aprender a lidar melhor com suas emoções e comportamentos.
O que é esperado?
É normal que crianças e adolescentes, às vezes, fiquem com raiva, se recusem a seguir regras ou desafiem os adultos. Isso faz parte do processo de crescimento e do aprendizado de testar limites.
Crianças pequenas geralmente seguem regras com mais facilidade, mas podem demonstrar frustração batendo, chutando ou chorando quando não conseguem o que querem imediatamente.
Crianças em idade escolar podem discutir ou brigar durante as brincadeiras, especialmente por motivos simples. Esses desentendimentos costumam passar rápido e não aparecem em todas as situações.
Adolescentes muitas vezes testam limites tanto em casa quanto na escola. Podem retrucar, questionar autoridades ou, às vezes, ignorar regras.
Esses comportamentos, quando acontecem de forma ocasional, ligados a situações específicas, fazem parte do desenvolvimento esperado. Na maioria das vezes, a criança ou adolescente consegue se acalmar, voltar a cumprir regras e manter boas relações com os outros.
É importante lembrar que essas reações não devem ser vistas apenas como “falta de disciplina” ou “mau comportamento”. Elas refletem uma habilidade em desenvolvimento: a capacidade de lidar com emoções e controlar impulsos.
Quando devo me preocupar?
Há vários sinais que indicam que um(a) estudante pode estar com dificuldades para seguir regras ou se relacionar com outras pessoas. Esses sinais podem variar de acordo com a idade do(a) estudante.
- Ficar facilmente irritado(a): o(a) estudante pode se chatear por coisas pequenas, como um objeto que caiu no chão, uma roupa que sujou, ou alguém que não atendeu uma ligação.
- Perder a paciência com facilidade: o(a) estudante pode ter explosões de raiva com frequência.
- Discutir com adultos: o(a) estudante pode discutir frequentemente com professores ou outras figuras de autoridade.
- Recusar-se a seguir regras: o(a) estudante pode ignorar ou quebrar regras de forma intencional.
- Agir de forma agressiva, verbal ou fisicamente: o(a) estudante pode gritar, bater ou agir com agressividade.
- Demonstrar pouco ou nenhum arrependimento após causar problemas: o(a) estudante pode não mostrar remorso por suas ações.
- Culpar os outros pelos próprios erros: o(a) estudante pode não assumir a responsabilidade pelo que faz.
- Provocar os outros de propósito: o(a) estudante pode fazer coisas com a intenção de incomodar ou irritar os colegas.
- Sentir raiva ou irritação com frequência: o(a) estudante pode se sentir com raiva com frequência ou guardar esse sentimento por muito tempo.
O alerta acende quando o(a) aluno(a) mantém comportamentos desafiadores de forma contínua, afetando não só a relação com professores, mas também com colegas e seu próprio aprendizado.
O que posso fazer para ajudar?
Como educador(a), manter a paciência e oferecer apoio a um(a) estudante com essas dificuldades é essencial. Aqui estão algumas estratégias que você pode tentar:
- Converse com o(a) estudante: faça perguntas simples para entender seus sentimentos e os motivos do comportamento. Ouvir com atenção ajuda a compreender sua perspectiva.
- Ofereça apoio: mostre que você se importa e está ali para ajudar. Incentive comportamentos positivos e elogie os esforços do(a) estudante.
- Estabeleça expectativas claras: explique de forma clara as regras e as consequências. A consistência ajuda o(a) estudante a entender o que se espera dele.
- Ensine habilidades de resolução de problemas: ajude o(a) estudante a encontrar formas mais adequadas de lidar com conflitos e emoções. Simulações e dramatizações podem ser ferramentas úteis. Além disso, é uma ótima forma de ensiná-lo(a) a nomear o que está sentindo.
- Incentive pausas: permita que o(a) estudante faça pequenas pausas quando estiver sobrecarregado(a). Isso pode ajudá-lo(a) a se acalmar e recuperar o foco.
- Comunique-se com os cuidadores: compartilhe suas observações com os cuidadores do(a) estudante e trabalhem juntos para oferecer o melhor suporte.
- Colabore com a equipe de apoio escolar: trabalhe com orientadores, psicólogos ou outros profissionais da escola para desenvolver estratégias de manejo do comportamento.
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
O primeiro passo é conversar com a família e sugerir o encaminhamento do(a) estudante a profissionais especializados, como pediatra, psicólogo(a) ou psiquiatra, conforme o caso.
É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da residência da família do(a) aluno(a), onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.
Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
- Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
- Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
Quanto mais cedo esse cuidado for iniciado pelos cuidadores, maiores são as chances de bem-estar e de prevenção de problemas emocionais no futuro.
Guias de Bolso
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