Ter dificuldades com o peso, hábitos alimentares ou com a forma do corpo

Comer é parte da vida de todos, e é necessário para viver, crescer e se sentir bem. As refeições também são momentos importantes de convivência: aproximam famílias, amigos e colegas, e fazem parte de celebrações, despedidas e da rotina diária.

Cada pessoa se relaciona com a comida de um jeito, e isso também vale para crianças e adolescentes. Seja preferindo vegetais, carnes, massas ou lanches, o importante é que a alimentação ajude o corpo a funcionar bem e dê energia para as atividades do dia a dia.

No entanto, o ambiente escolar influencia fortemente a relação dos alunos com a comida e o corpo. Comentários entre colegas, comparações em vestiários e pressão por desempenho podem desencadear comportamentos alimentares de risco, exigindo de educadores e professores uma atenção maior.

O que é esperado?

Os hábitos alimentares dos estudantes variam bastante. Eles dependem da fase de crescimento, do ambiente, da saúde, da cultura familiar e das preferências pessoais.

Quando a comida está disponível e não há falta de acesso, algumas coisas são comuns e esperadas:

  • Estudantes em fase de crescimento sentem mais fome e costumam comer mais vezes ao dia.
  • Fazer lanches entre as refeições é natural e pode ser necessário para manter a energia.
  • É comum que crianças e adolescentes sejam seletivos ou recusem certos alimentos, desde que estejam comendo o suficiente para se manterem saudáveis.
  • Às vezes, comem rápido demais e sentem dor de barriga. Outras vezes, quando estão doentes, podem não querer comer. Isso também é natural.

O corpo passa por mudanças importantes ao longo do desenvolvimento, e comentários sobre crescimento, ganho ou perda de peso ou alterações hormonais podem fazer parte do cotidiano. O ideal é que essas mudanças sejam acompanhadas com naturalidade, sem julgamentos, e que o(a) estudante mantenha uma relação espontânea com a alimentação.

Importante observar se há prazer nas refeições, se o(a) aluno(a) se sente confortável com seu corpo, se participa das atividades sem vergonha ou retraimento. Nem todo comentário sobre dieta ou aparência é motivo de alarme, mas o contexto, a frequência e o impacto emocional dessas falas devem ser observados.

O mais importante é que a alimentação seja equilibrada, com diferentes tipos de alimentos, e que o(a) estudante esteja se sentindo bem física e emocionalmente.

Quando devo me preocupar?

Professores costumam ter oportunidades de observar os hábitos alimentares de seus alunos. Crianças pequenas de até 12 anos precisam de supervisão durante os lanches e almoços, e os professores geralmente estão presentes.

Alunos mais velhos comem em grupos maiores, como em refeitórios ou áreas externas, mas ainda assim são observados. Quando alunos comem regularmente em excesso ou de menos, isso pode ser preocupante.

Sinais de atenção incluem:

  • Comer muito pouco, fazer dieta ou perder peso de forma visível.
  • Comer em excesso com frequência e depois reclamar de desconforto físico.
  • Ficar longos períodos sem se alimentar, tendo acesso a comida.
  • Evitar certos alimentos de forma intensa por causa da aparência, cheiro, gosto ou textura.
  • Ir ao banheiro repetidamente logo após comer e apresentar sinais de indução ao vômito (por exemplo, barulhos de tosse/vômito, cheiro de vômito ou demora excessiva no banheiro).
  • Comentários negativos sobre o próprio corpo ou culpa por comer.
  • Comer escondido ou guardar comida no armário ou mochila.
  • Uso de roupas largas demais ou mudanças no humor e nas relações sociais.
  • Uso não orientado de laxantes ou medicamentos para emagrecer.
  • Atividade física excessiva após episódios de alimentação exagerada.

Entre adolescentes e jovens, dificuldades com peso e hábitos alimentares têm aparecido cada vez mais cedo, muitas vezes de forma silenciosa.

Na escola, educadores estão em posição privilegiada para perceber esses indícios e criar espaços de acolhimento.

Quanto mais cedo for feita uma escuta cuidadosa e uma abordagem não julgadora, menores as chances de agravamento e mais efetivo será o encaminhamento para cuidado especializado.

O que posso fazer para ajudar?

A escola tem papel fundamental no acolhimento de casos com dificuldades com peso e hábitos alimentares. Para começar, é importante criar uma cultura de respeito à diversidade corporal, proibindo piadas, apelidos e julgamentos sobre peso, corpo ou alimentação.

Se ainda assim você notar comportamentos preocupantes relacionados à alimentação, aqui vão atitudes simples que podem ajudar:

  • Converse com empatia. Fale com o(a) estudante com cuidado e sem julgamentos. Crie um espaço em que ele(a) se sinta ouvido e respeitado. Você pode dizer, por exemplo: “Notei que você tem evitado o lanche ultimamente. Está tudo bem?”
  • Mostre que se importa. Mesmo que o comportamento pareça estranho ou exagerado, evite críticas. Mostre que você está disponível para apoiar.
  • Comunique os cuidadores. Compartilhe suas observações com a família de forma sensível e acolhedora. É possível que os responsáveis também estejam notando algo em casa.
  • Busque apoio da equipe escolar. Fale com o(a) orientador(a) pedagógico, psicólogo(a) ou assistente social da escola. Se a sua escola não tiver esses profissionais, procure outro adulto de confiança da equipe escolar, como outro(a) professor(a) ou a direção. Juntos, vocês podem pensar em estratégias para apoiar o(a) estudante e, se necessário, orientar os responsáveis sobre os próximos passos.
  • Evite comentários sobre aparência ou comida. Comentários sobre peso, dietas ou corpos, mesmo em tom de brincadeira, podem ser prejudiciais. Ajude a criar um ambiente de acolhimento e respeito.
  • Dê o exemplo. Fale positivamente sobre alimentação e bem-estar. Incentive hábitos equilibrados sem foco em peso ou aparência.
  • Foque no bem-estar geral. Estimule hábitos saudáveis, como atividade física prazerosa, descanso adequado e maneiras saudáveis de lidar com o estresse.

Trabalhar a relação com a imagem corporal de forma crítica, especialmente frente às redes sociais e padrões estéticos, pode prevenir o agravamento de quadros e fortalecer o bem-estar dos jovens.

Lembre-se: o objetivo é preservar o vínculo, proteger a saúde mental e manter o(a) aluno(a) incluído(a).

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

O primeiro passo é conversar com a família e sugerir o encaminhamento do(a) estudante a profissionais especializados, como nutricionista, pediatra, psicólogo(a) ou psiquiatra, conforme o caso.

Problemas com alimentação requerem abordagem multiprofissional, e o ideal é buscar atendimento de múltiplo suporte.

É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da residência da família do(a) aluno(a), onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.

Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:

  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
  • Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
  • Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Professores também podem propor rodas de conversa e oficinas sobre imagem corporal, alimentação e autoestima com apoio de especialistas.

Quanto mais cedo for feito o encaminhamento, maiores são as chances de melhora.

Guias de Bolso

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