Ter dificuldade para prestar atenção, lembrar das coisas, ficar parado ou pensar antes de agir

Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.

Crianças pequenas geralmente não conseguem se concentrar por muito tempo. Elas têm muitas coisas na cabeça e muita energia, por isso precisam se mover. Às vezes, agem sem pensar, o que pode levar a sentimentos feridos ou pequenos machucados.

Muitos responsáveis se sentem culpados ou inseguros por não conseguirem “controlar” comportamentos como desatenção, impulsividade ou inquietação. Às vezes, há cobranças externas ou comparações com outras crianças que nem sempre levam as características da criança em conta. Pode ser difícil lidar com birras, esquecimentos frequentes ou dificuldades escolares, além de manter a paciência diante de rotinas que se quebram facilmente.

À medida que as crianças crescem, é provável que muitos desses comportamentos comecem a mudar. No entanto, algumas podem demorar um pouco mais do que outras. Para algumas crianças, a dificuldade de prestar atenção, a inquietação e dificuldade de pensar antes de agir, podem causar problemas tanto em casa quanto na escola.

O que é esperado?

Muitas crianças com menos de 6 anos têm dificuldade para prestar atenção, ficar paradas ou pensar antes de agir. À medida que crescem, as expectativas para elas aumentam. Se não conseguem acompanhar essas exigências, podem ter dificuldades na escola e em outras atividades.

Crianças e adolescentes também podem ter dificuldades para se concentrar, ficar parados ou controlar os impulsos se:

  • Não dormem o suficiente
  • Não se alimentam bem
  • Se sentem ansiosos ou estressados
  • Se sentem tristes
  • Passam muito tempo em telefones ou tablets

Algumas crianças precisam de mais tempo para atingir certos marcos do desenvolvimento, mas isso faz parte da diversidade do crescimento infantil e, com o tempo, elas costumam alcançá-los até a juventude.

Quando devo me preocupar?

Cuidadores devem se preocupar se esses problemas causarem dificuldades em casa, com amigos ou na escola. Fique atento a esses sinais:

Desatenção:

  • Cometer erros frequentes por descuido nas tarefas escolares
  • Ficar facilmente distraído
  • Dificuldade em ouvir ou prestar atenção
  • Dificuldade em seguir instruções
  • Encontrar tarefas longas muito difíceis
  • Esquecer coisas com frequência
  • Perder itens frequentemente
  • Ser desorganizado(a) em excesso

Hiperatividade:

  • Mexer-se constantemente
  • Se contorcer na cadeira
  • Dificuldade em ficar parado em um lugar
  • Correr ou escalar demais
  • Dificuldade em brincar de forma tranquila

Impulsividade:

  • Ser impaciente
  • Dificuldade em esperar pela vez
  • Interromper os outros
  • Falar sem pensar

Outros sinais importante:

  • Dificuldade em organizar o tempo (por exemplo, começar várias coisas e não terminar nenhuma)
  • Evitar tarefas que exigem esforço mental contínuo (como trabalhos longos ou estudos para prova)
  • Falar muito ou mudar de assunto de forma brusca
  • Dificuldade em manter amizades por conta de comportamentos impulsivos
  • Sensação constante de estar “atrasado(a)” ou “perdido(a)”
  • Autoestima baixa, com frases como “eu sou burro(a)”, “não consigo nada direito”, “sou diferente dos outros”

Algumas crianças podem ter apenas alguns desses problemas, enquanto outras podem ter mais. Se uma criança tem dificuldades para prestar atenção, ela frequentemente também terá problemas com hiperatividade e impulsividade.

Uma observação importante:

Não é incomum que alguns adolescentes comecem a achar que têm problemas com a atenção mais tarde na vida. Nessas situações, é preciso olhar com cuidado, pois a dificuldade em se concentrar também pode estar relacionada a:

  • Ansiedade (a mente fica ocupada com preocupações, dificultando a atenção);
  • Excesso de estímulos (como uso intenso de redes sociais, celular, videogames ou multitarefa constante);
  • Falta de sono ou cansaço;
  • Situações de estresse ou mudanças na rotina.

Por isso, para entender o que pode estar acontecendo, é importante observar também a história do adolescente quando criança: se sinais de desatenção ou hiperatividade já estavam presentes desde a infância, pode ser importante investigar. Essa diferença ajuda a entender melhor como lidar com o problema.

O que posso fazer para ajudar?

Aqui estão algumas dicas para cuidadores:

  1. Converse com o(a) professor(a) do(a) seu(sua) filho(a). O(a) professor(a) pode te contar se esses problemas também acontecem na escola.
  2. Converse com seu(sua) filho(a). Descubra por quanto tempo ele(a) consegue se concentrar.
  3. Divida tarefas grandes. Ajude seu(sua) filho(a) a dividir tarefas grandes em passos menores.
  4. Crie um cronogramas. Elabore horários diários com intervalos e defina metas com prazos.
  5. Use listas de tarefas. Ajude seu(sua) filho(a) a usar uma agenda ou criar listas para lembrar das tarefas.
  6. Estabeleça recompensas. Crie um sistema de recompensas para manter seu(sua) filho(a) motivado.
  7. Dê lembretes com paciência. Lembre seu(sua) filho(a) suavemente quando ele(a) precisar ficar sentado(a).

Se mesmo após tentar esses exercícios você perceber que a criança ou adolescente ainda sente grandes dificuldades, a ajuda profissional também pode ser um caminho.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

Comece conversando com o(a) pediatra ou médico(a) de família da criança. Esses profissionais podem orientar os primeiros passos e, se necessário, encaminhá-lo para um(a) especialista em saúde mental, como um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra infantil.

É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.

Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:

  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
  • Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
  • Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.

Guias de Bolso

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Onde encontrar
mais informações

Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.

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