Sentir que está muito bem, com muita energia ou muito mais animado do que o normal
Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.
Crianças e adolescentes passam por diferentes fases emocionais e, às vezes, demonstram muita energia, alegria ou entusiasmo. Esses momentos costumam estar ligados a situações agradáveis, como brincar, passar tempo com amigos ou receber uma boa notícia. Ter dias mais animados faz parte do desenvolvimento.
Mas em alguns casos, o nível de energia ou de agitação pode parecer muito acima do esperado e começar a atrapalhar a rotina da criança, o convívio com outras pessoas ou o descanso necessário. Por isso, é importante observar com atenção como esses momentos aparecem e se são passageiros ou muito frequentes.
Para o cuidador, é importante reconhecer que não se trata de “exagero de personalidade” ou “vontade de aparecer”, mas de forma intensa pode ser algo que pode comprometer a vida da criança ou do adolescente.
O que é esperado?
É comum que o humor e a energia das crianças mudem ao longo do dia, dependendo do que está acontecendo ao redor delas. Sentir-se animado(a), fazer planos, falar bastante ou ficar agitado após momentos felizes é parte do desenvolvimento emocional.
Veja alguns exemplos do que pode ser esperado:
- Até os 5 anos: A criança pode ter momentos de empolgação, como correr pela casa, rir alto ou fazer várias perguntas seguidas, especialmente durante brincadeiras.
- Entre 6 e 8 anos: Ela começa a entender melhor o que sente, mas ainda pode se empolgar bastante com novidades ou eventos esperados.
- Entre 9 e 11 anos: Pode demonstrar humor mais estável, mas ainda se animar muito com conquistas, amizades ou atividades especiais.
- Entre 12 e 14 anos: Mudanças de humor podem se intensificar por causa das transformações da puberdade, mas geralmente são passageiras e ligadas ao que está acontecendo no momento.
- A partir dos 14 anos: O humor pode oscilar bastante, com momentos de empolgação em amizades, conquistas e atividades, alternados com fases de retraimento ou cansaço. Aos poucos, a alegria e a energia se tornam mais ligadas a interesses e projetos pessoais. A partir dos 18 anos, o humor tende a ser mais estável, com entusiasmo direcionado a estudos, trabalho, relacionamentos e lazer.
Tudo isso faz parte do crescimento e costumam aparecer em situações específicas, com duração curta e sem causar grandes dificuldades na rotina da criança ou da família. Por exemplo, ficar muito animado após uma boa notícia ou trabalhar com energia extra em um projeto especial é algo natural. Mesmo nesses casos, a pessoa consegue descansar, manter hábitos de sono e tomar decisões equilibradas.
Quando devo me preocupar?
Embora animação e energia sejam geralmente vistas como algo positivo, o momento de preocupação chega quando a animação e a energia deixam de ser proporcionais à situação e começam a gerar riscos ou prejuízos.
É importante observar com mais atenção quando:
- A criança ou adolescente demonstra um nível de energia muito elevado por vários dias seguidos, sem motivo claro.
- Parece não precisar dormir ou dorme muito pouco e continua muito ativa.
- Fala ou age de forma acelerada, mudando de assunto rapidamente ou interrompendo muito.
- Tem atitudes impulsivas, arriscadas ou faz planos muito fora da realidade.
- Fica muito animada ou agitada e, logo depois, muito irritada ou triste, sem motivo claro.
- Tem dificuldade para se concentrar, cumprir tarefas ou respeitar limites, mesmo em momentos calmos.
- Esse comportamento começa a atrapalhar a convivência com outras pessoas ou a rotina diária, como os horários de sono, escola ou alimentação.
Esses sinais não significam que há, necessariamente, algo grave acontecendo, mas mostram que a criança ou adolescente pode estar precisando de mais apoio e estabilidade emocional.
Esses períodos de muita energia, ânimo elevado ou agitação, podem se alternar com fases de humor mais baixo, diferenciando-se de outras dificuldades que envolvem apenas a tristeza persistente. Essas fases podem variar de acordo com o tempo, podendo durar dias ou semanas.
Quando esses momentos de tristeza aparecem sozinhos, sem que haja fases de energia ou animação excessiva, podem indicar outra condição emocional.
Para mais informações sobre tristeza persistente, acesse o guia Sentir tristeza e desânimo constante ou perder o interesse e o prazer pelas coisas [inserir link].
O que posso fazer para ajudar?
Como cuidador(a), você tem um papel importante em oferecer segurança, estrutura e afeto.
Algumas atitudes podem ajudar:
- Mantenha uma rotina previsível. Horários regulares para dormir, se alimentar, brincar e estudar ajudam a criança a se organizar internamente e regulam o humor.
- Ofereça pausas e momentos de calma. Crianças com muita energia podem se beneficiar de atividades tranquilas ao longo do dia, como leitura, escuta de música suave ou brincadeiras calmas.
- Acompanhe o sono. Fique atento se a criança está dormindo menos ou com dificuldade. O sono é essencial para o equilíbrio emocional.
- Incentive hábitos saudáveis. Alimentação equilibrada, atividade física e tempo ao ar livre ajudam a regular a energia e o bem-estar.
- Ajude a nomear e entender o que está sentindo. Dizer frases como “parece que você está com muita energia agora” ou “você ficou muito animado(a) com essa notícia” ajuda a criança a reconhecer seus sentimentos.
- Estabeleça limites claros com afeto. Crianças muito agitadas se beneficiam de regras consistentes e explicações calmas sobre o que pode ou não ser feito.
- Evite críticas ou punições duras. Em vez disso, procure entender o que está por trás do comportamento e ofereça apoio para que a criança aprenda a lidar com sua energia de forma segura.
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
Se as mudanças de humor do seu(sua) filho(a) forem muito intensas, durarem bastante tempo ou atrapalharem a rotina, é importante buscar ajuda de um profissional.
É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.
Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
- Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
- Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.
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