Sentir medo ou tensão em ficar longe de um cuidador ou de alguém próximo

Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.

Ficar longe de um cuidador pode ser algo muito estressante para algumas crianças. Crianças pequenas, especialmente em idade pré-escolar, costumam sentir medo quando estão separadas de seu adulto de confiança. Isso é chamado de medo de separação.

Para elas, o mundo é novo, cheio de novidades, mas também assustador. Elas precisam dos cuidadores para se sentirem seguras e aprenderem a lidar com novas situações.

Esse medo deixa de ser apenas uma preferência por estar junto, mas um receio intenso que pode aparecer em situações comuns, como ir à escola, dormir sozinha ou passar um tempo na casa de outra pessoa.

Esse tipo de reação pode aparecer de forma passageira, como em mudanças de rotina, viagens ou transições (por exemplo, início na escola). Mas também pode se manter por longos períodos e interferir no dia a dia.

O que é esperado?

É comum que bebês e crianças pequenas sintam medo ou fiquem tristes quando se separam de seus cuidadores. Entre 6 meses e 3 anos, muitas crianças choram, se agarram aos cuidadores ou resistem à separação, mesmo que seja por pouco tempo.

Isso acontece porque, nessa fase, ainda estão desenvolvendo a noção de tempo e podem achar que a pessoa foi embora para sempre só por ter saído do cômodo. Também é esperado que tenham dificuldade para ir para o colo de outra pessoa que não seja o(a) cuidador(a) principal ou que peçam para o(a) cuidador(a) ficar por perto na hora de dormir.

Esse tipo de ansiedade costuma diminuir por volta dos 3 anos. Entre os 3 e 5 anos, as crianças já conseguem entender melhor que a separação é temporária, embora ainda possam demonstrar insegurança em situações como a chegada na escola, ficando tristes ou hesitantes na hora de dizer “tchau”, por exemplo.

Com apoio e acolhimento, a maioria consegue lidar com a separação e se adaptar a novas rotinas.

Quando devo me preocupar?

Sentir falta do(a) cuidador(a) e demonstrar insegurança em algumas situações é comum em diferentes fases da infância.

Mas, em alguns casos, o medo de separação aparece de forma mais intensa e frequente, atrapalhando a rotina da criança e da família.

Veja alguns sinais que indicam que a separação pode estar sendo mais difícil do que o esperado:

Em crianças pequenas (geralmente até 5 anos):

  • Crises de choro ou forte desregulação emocional quando o cuidador sai do cômodo.
  • Ficar grudada no(a) cuidador(a) em situações novas, sem conseguir interagir com outras pessoas ou ambientes.
  • Seguir o(a) cuidador(a) pela casa o tempo todo, sem conseguir brincar ou se distrair sozinha.
  • Acordar chorando durante a noite e buscar a presença do(a) cuidador(a).
  • Recusar-se a dormir sem o(a) cuidador(a) por perto.
  • Não querer ir à escola ou à creche para não se afastar do(a) cuidador(a).
  • Dizer que está com dor de barriga, dor de cabeça ou que está passando mal na hora da separação.

Em crianças maiores (acima de 5 anos):

  • Preocupação frequente de que algo ruim possa acontecer com alguém da família durante a separação.
  • Necessidade constante de saber onde o(a) cuidador(a) está, mandando mensagens ou ligando muitas vezes.
  • Queixas frequentes de dores físicas (como dor de barriga ou dor de cabeça) sem causa aparente, especialmente em momentos de separação.
  • Ter pesadelos com coisas ruins acontecendo com a família ou com elas mesmas.
  • Sentir que só estão seguras dentro de casa e não querer ir para a escola, o que pode causar dificuldades de aprendizagem ou sentimentos de isolamento.
  • Recusar convites para dormir na casa de amigos, participar de acampamentos ou fazer pequenas saídas sozinhas.

O ponto central é observar se a reação está desproporcional à situação e se compromete a autonomia.

O que posso fazer para ajudar?

Enquanto cuidador(a), há várias estratégias que podem ajudar:

1. Incentive sua criança a enfrentar os medos. Apoie-a a experimentar coisas novas, evite criticá-la, e encoraje-a a participar de atividades mesmo que ela esteja com medo.

2. Peça ajuda à escola. Trabalhe em parceria com a equipe da escola se a criança estiver com dificuldade para ir ao colégio. Se ela se ausentar da escola por um período e se sentir pronta para voltar à rotina, faça uma preparação cuidadosa para evitar algumas dificuldades.

3. Pratique a separação com cuidado. Comece deixando a criança com outro adulto de confiança por pouco tempo e vá aumentando a duração e a distância aos poucos. À noite, comece ficando perto dela na hora de dormir e, gradualmente, vá se afastando.

4. Ensine ela sobre o medo. Explique que ficar longe pode dar medo, mas que, na maioria das vezes, as coisas que tememos não acontecem. Enfrentar os nossos medos pode ajudar a superá-los com o tempo. Diga que os sintomas físicos, como dor de cabeça ou de barriga, são sinais da ansiedade, e explique como vocês irão superar isso juntos.

5. Tente não ter pressa para fazer a criança se sentir melhor. Às vezes, quando ajudamos muito rápido, sem dar tempo, o medo pode até aumentar. A criança pode achar que ficar longe do(a) cuidador(a) é mesmo perigoso. Por isso, é melhor ir com calma. Mostre que está tudo bem e vá ajudando a criança a se sentir segura. Com o tempo, ela pode aprender a ficar sozinha por um tempinho e se sentir mais confiante.

  1. Use recursos de conexão, como bilhetes na lancheira, um objeto especial para lembrar do(a) cuidador(a) ou combinações de mensagens em horários definidos.

Além disso, evite repreender ou envergonhar a criança pelo medo.

Lembre-se: cada passo que ela dá para lidar melhor com a separação é uma conquista. Reforçar positivamente esses avanços ajuda a construir segurança emocional a longo prazo.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

É natural que cuidadores fiquem preocupados quando a criança apresenta muito medo de separação. Se isso estiver acontecendo com seu(sua) filho(a), saiba que existe ajuda disponível.

É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.

Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:

  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
  • Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
  • Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.

O ponto central é: quanto antes houver acompanhamento profissional, mais chances a criança terá de superar a ansiedade e desenvolver autonomia com segurança.

Guias de Bolso

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Saiba como funciona o SUS para saúde
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