Se machucar ou ferir como forma de lidar com sentimentos difíceis ou confusos

Profissionais da educação podem se deparar com alunos(as) que apresentam comportamentos de sofrimento emocional intenso, como se machucar.

Às vezes, os(as) estudantes enfrentam emoções que não sabem como lidar. Podem se sentir sozinhos(as), envergonhados(as), irritados(as) ou sem esperança. Quando não conseguem conversar sobre o que sentem, podem acabar encontrando formas dolorosas de tentar aliviar a dor emocional.

A forma mais comum de fazer isso é cortando ou arranhando a pele com objetos afiados, como lâminas de barbear, clipes de papel ou tampas de caneta. Outras formas incluem se queimar, se bater, se morder ou mexer na pele e nas feridas.

Esses comportamentos, muitas vezes silenciosos, desafiam o(a) educador(a) a perceber sinais indiretos, como mudanças de humor, isolamento ou queda no rendimento escolar.

A escola, por ser espaço privilegiado de convivência e formação, tem papel fundamental na promoção de bem-estar emocional, identificação precoce de sinais de alerta e encaminhamento adequado.

É esperado que pessoas se autolesionem?

Não.

Não existe um comportamento esperado de autolesão. Mas, para prevenir ou ajudar quando isso acontece, precisamos entender algumas coisas sobre isso.

Alguns estudantes dizem que se machucam porque isso os distrai da dor emocional. Outros fazem isso porque se sentem anestesiados(as) e querem sentir algo.

A autolesão geralmente é mantida em segredo, mas, para alguns, é uma forma de pedir ajuda porque não conseguem falar sobre seus sentimentos de outras maneiras. Quando um(a) estudante compartilha esse comportamento, pode ser a maneira dele(a) de mostrar que precisa de ajuda.

A autolesão é uma ferramenta de enfrentamento mal adaptativa, o que significa que apesar de poder trazer alívio temporário, não é uma boa maneira de lidar com problemas. Infelizmente, esse alívio pode fazer com que os estudantes continuem a se machucar para se sentirem melhor ou para expressar seus sentimentos dolorosos.

Quanto mais tempo um(a) estudante se machuca, mais difícil se torna parar. Muitos estudantes se sentem envergonhados(as) e querem parar, mas acham difícil sem ajuda. A intervenção precoce e o apoio são cruciais.

Quando devo me preocupar?

Professores e cuidadores devem procurar ajuda se souberem que um(a) aluno(a) está se autolesionando.

Não é sempre fácil perceber, então fique atento a esses sinais:

  • Falar sobre autolesão
  • Cicatrizes suspeitas, especialmente nos braços, pernas ou barriga
  • Feridas que não cicatrizam ou pioram
  • Cortes no mesmo lugar
  • Colecionar objetos cortantes como pedaços de vidro, alfinetes de segurança, lâminas, etc.
  • Usar roupas de manga longa em dias quentes
  • Evitar atividades sociais
  • Usar muitos curativos
  • Recusar trocar de roupa na escola ou na frente de outras pessoas
  • Evitar usar roupas de banho
  • Visitar sites ou redes sociais sobre autolesão
  • Ter amigos que se autolesionam, já que às vezes, ver outras pessoas se machucando pode levar os(as) alunos(as) a copiar esse comportamento.

A preocupação deve ser redobrada se houver histórico de violência, bullying, discriminação ou outras situações que possam gerar sofrimento emocional intenso.

É importante criar um ambiente de sala de aula seguro e de apoio, onde os(as) alunos(as) se sintam à vontade para buscar ajuda.

O que posso fazer para ajudar?

Se um(a) aluno(a) falar sobre autolesão, os professores podem ouvir e oferecer um espaço seguro para que ele(a) fale sobre seus sentimentos.

Não o(a) julgue ou puna, pois isso pode piorar a situação. Se você achar que um(a) aluno(a) está escondendo esses comportamentos, não se irrite.

Em vez disso, faça-o(a) saber que você se importa e quer ajudar.

  1. Ouça e ofereça apoio: Crie um espaço seguro e sem julgamentos para que o(a) aluno(a) fale sobre seus sentimentos e experiências.
  2. Evite punições ou críticas: Reações negativas podem piorar a situação e tornar o(a) aluno(a) menos propenso a buscar ajuda.
  3. Informe os cuidadores: Sempre entre em contato com os cuidadores do(a) aluno(a) para compartilhar suas preocupações e garantir que eles estejam cientes da situação.
  4. Colabore com a equipe de apoio escolar: Consulte o(a) conselheiro(a) escolar, psicólogo(a), assistente social ou enfermeiro para orientação e recursos.
  5. Promova habilidades saudáveis de enfrentamento: Incentive maneiras saudáveis de lidar com as emoções, como conversar com adultos de confiança, realizar atividades relaxantes ou expressar sentimentos por meio de atividades criativas.

Os(as) educadores(as) não devem tentar “resolver” a autolesão do(a) aluno(a) sozinhos e devem buscar ajuda se houver perigo imediato.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

O suporte profissional deve ser articulado à escola, cuidando para que o(a) estudante não seja estigmatizado(a).

Comece conversando com a família da criança ou do(a) adolescente. Explique com calma e paciência o que observa no(a) estudante.

Você pode recomendar que ele(a) seja encaminhado(a) ao pediatra ou médico de família. Esses profissionais podem orientar os primeiros passos e, se necessário, encaminhá-lo para um(a) especialista em saúde mental, como um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra infantil.

É possível também buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da residência familiar, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.

Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:

  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
  • Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
  • Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
  • Serviços de emergência: Se a criança ou adolescente estiver em risco imediato ou necessitar de ajuda urgente, os serviços de emergência, como o SAMU (192) ou as unidades de pronto atendimento (UPA), podem ser acionados. Eles oferecem suporte emergencial e podem orientá-lo sobre o próximo passo para um atendimento adequado.
  • Emergências hospitalares: Em casos mais graves, onde há risco imediato à saúde física ou mental, hospitais públicos ou privados podem fornecer suporte imediato através de suas unidades de emergência, com atendimento médico e psicológico urgente.

Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores.

Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.

Guias de Bolso

Se machucar ou ferir como forma de lidar com sentimentos difíceis ou confusos

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Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.

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