Preocupações excessivas e constantes ou ansiedade com muitas coisas

É comum que alunos tenham preocupações com provas, amizades ou mudanças de rotina. Elas fazem parte da vida quando precisa-se lidar com o desconhecido ou o inesperado, fazendo com que essas fases sejam marcadas por inseguranças e incertezas para quem as vive.

No entanto, quando essas preocupações são muito frequentes, excessivas ou começam a interferir na aprendizagem, no comportamento ou na convivência, é sinal de que precisam de atenção especial.

Nem sempre os(as) alunos(as) conseguem explicar o que sentem, mas podem demonstrar isso em atitudes ou até mesmo no corpo. Por isso, é fundamental que educadores e professores saibam como reconhecer quando uma criança ou adolescente está tendo preocupações em excesso.

O que é esperado?

Cada faixa etária traz tipos diferentes de preocupações, que costumam estar relacionadas às experiências e ao momento de vida dos estudantes.

Veja alguns exemplos típicos:

  • Por volta dos 5-6 anos: Preocupações com machucar-se fisicamente, medo de “pessoas más” que possam machucá-las, criaturas imaginárias como fantasmas ou bruxas, e medo de ficar ou dormir sozinho(a).
  • Por volta dos 7-8 anos: Preocupações com ser deixado sozinho(a) ou ser deixado na escola, além de preocupações com a morte e perigos reais.
  • Por volta dos 9-12 anos: Preocupações com o desempenho escolar, provas e exames, morte ou ferimentos, aparência física, fazer amizades e conhecer colegas novos.
  • Adolescentes: Preocupações com a aparência e imagem, ser aceito(a) pelo grupo, desempenho em atividades como esportes, escola e hobbies, além de questões sobre o futuro, como escolhas de carreira ou metas de vida.

Se a criança ou adolescente estiver apresentando sinais excessivos em relação a esses sinais esperados, é importante prestar atenção.

Observar essas manifestações é essencial para planejar intervenções e buscar apoio adequado junto à família e equipe de saúde.

Quando devo me preocupar?

É importante ficar atento quando as preocupações do(a) estudante forem frequentes, excessivas, intensas e interferirem na escola e nas atividades do dia a dia.

Por exemplo, se o(a) aluno(a) está constantemente ansioso(a) e não consegue participar das aulas, trabalhar com colegas ou frequentar a escola, isso merece atenção.

Se as preocupações ocorrem quase todos os dias e várias vezes ao dia, pode ser necessário um cuidado maior.

Sinais que merecem atenção são:

  • Preocupações excessivas com muitas coisas ao mesmo tempo: Notas, esportes, provas, chegar na hora certa.
  • Sensação de que algo ruim vai acontecer: Um sentimento constante de apreensão.
  • Outras preocupações intensas mesmo quando não há motivo evidente.
  • Tensão física: Dificuldade de relaxar.
  • Sintomas físicos: Dores de estômago, dor de cabeça, suor, sensação de mal-estar, ou o hábito de roer unhas, balançar pernas, ranger dentes.
  • Agitação: Inquietação, nervosismo, dificuldade de ficar parado(a).
  • Irritabilidade: Ficar bravo(a) ou chateado(a) com facilidade.
  • Dificuldade de concentração: Problemas de atenção por causa da preocupação.
  • Problemas de sono: Dificuldade para dormir, permanecer dormindo ou acordar cansado(a).
  • Outros sinais: Dificuldade de focar, comportamentos disruptivos ou mudanças de humor, fazer muitas perguntas ou repeti-las para confirmação, reclamar de dores de estômago ou ir frequentemente à enfermaria, evitar responder em sala, faltar às aulas, ficar se remexendo, não entregar tarefas, apagar repetidamente os exercícios, evitar trabalho em grupo ou interações sociais.

Quando esses sinais interferem na aprendizagem e na convivência, é importante conversar com a família e, se possível, com a equipe multidisciplinar da escola, orientando sobre a busca de apoio profissional.

Lembre-se: críticas ou punições podem aumentar a insegurança. O acolhimento é fundamental para que o(a) estudante se sinta seguro para aprender.

O que posso fazer para ajudar?

Professores podem ajudar de várias maneiras:

  1. Converse sobre o assunto: Fale com o(a) estudante de forma calma para entender seus pensamentos e sentimentos. Mostre empatia e que você se importa.
  2. Escute: Lembre-se de que, para o(a) aluno(a), suas preocupações são reais, mesmo que pareçam pequenas para os adultos. Incentive-o a falar sobre o que sente, sem medo de ser julgado(a).
  3. Ajude a pensar na resolução do problema: Apoie o(a) estudante a dividir os problemas em partes menores e pensar em soluções possíveis. Ensaie possíveis soluções com ele(a).
  4. Crie uma rotina previsível: Ter horários e atividades organizadas ajuda a reduzir a ansiedade. Avise com antecedência quando houver mudanças na rotina.
  5. Ofereça um espaço seguro: Disponibilize um cantinho tranquilo na sala para o(a) aluno(a) se acalmar quando estiver sobrecarregado(a). Esse espaço deve ser acolhedor e livre de distrações.
  6. Exercícios de respiração e relaxamento: faça algumas pausas de 2–3 min incentivando respiração mais lenta e profunda, ou para exercícios que gerem relaxamento (por exemplo, tensionando músculos e então os relaxando). Você pode fazer esses exercícios diariamente com a turma toda.
  7. Incentive o pensamentos alternativos: Ajude o(a) aluno(a) a identificar pensamentos negativos e substituí-los por afirmações encorajadoras. Reforce esse comportamento elogiando seus esforços.
  8. Oriente os colegas a não fazer piadas sobre medos ou inseguranças: Se possível, trabalhe temas como manejo de sentimentos, medos e autocuidado em rodas de conversa com a turma. Respeite o sigilo, pois o(a) aluno(a) não deve se sentir exposto(a).

Se houver profissional de apoio psicopedagógico na escola, articule ações em conjunto para ajudar o(a) estudante a se sentir mais confiante.

Médicos(as) de família ou pediatras também podem ajudar nos primeiros encaminhamentos e, se necessário, orientar para atendimento especializado.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

A escola pode indicar serviços de psicologia escolar, orientadores educacionais ou encaminhar a família para um(a) psicólogo(a) clínico.

É possível indicar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.

Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:

  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
  • Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
  • Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

É importante manter diálogo com a família para acompanhar o progresso e verificar se há outros fatores na rotina familiar que possam estar agravando as preocupações, como violência, condições socioeconômicas ou contextos de assédio.

Guias de Bolso

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Saiba como funciona o SUS para saúde
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