Preocupações excessivas e constantes ou ansiedade com muitas coisas
Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.
Todas as crianças e adolescentes se preocupam de vez em quando: com a escola, com as notas, com amigos ou com mudanças na rotina. Mas, em alguns casos, essas preocupações se tornam muito fortes e constantes, a ponto de atrapalhar o dia a dia.
“Preocupar-se” significa ter pensamentos que deixam a gente nervoso ou com medo do que pode acontecer no futuro, gerando um mal-estar emocional e, por vezes, físico.
Sua criança pode parecer sempre tensa, nervosa ou preocupada, mesmo quando não há motivo claro. Pode reclamar de dores de cabeça ou barriga sem causa médica, ter dificuldade para dormir, parecer irritada ou chorar facilmente.
Isso não é frescura, manha ou falta de força de vontade. São sinais de que ela pode estar enfrentando preocupações que não consegue controlar sozinha.
O que é esperado?
Crianças e adolescentes podem ter medos e inseguranças em diferentes fases da vida. Bebês podem estranhar pessoas novas; crianças pequenas podem ter medo do escuro. Já crianças em idade escolar começam a se preocupar com provas, notas, amizades ou mudanças na escola.
Adolescentes costumam ficar mais sensíveis a julgamentos, aparência e futuro. Tudo isso faz parte do desenvolvimento saudável e pode acontecer com todos. Essas preocupações costumam aparecer em situações específicas, mas não impedem a criança de participar das suas atividades ou dormir bem.
Veja o que costuma ser esperado em cada fase do desenvolvimento:
- Por volta dos 5-6 anos: Preocupações com se machucar, com “pessoas más”, com coisas imaginárias como fantasmas ou bruxas, ou com ficar sozinho(a), especialmente na hora de dormir.
- Por volta dos 7-8 anos: Medo de ficar sozinho(a) e preocupações com a morte ou perigos reais.
- Entre 9-12 anos: Preocupações com provas e desempenho escolar, com a morte, com a aparência física e com amizades.
- Adolescentes: Preocupações com aparência, ser aceito pelos amigos, ir bem em esportes ou na escola, e também com o futuro — como escolher uma profissão ou alcançar metas.
Se perceber que esses sinais estão excessivos, é preciso oferecer apoio e, se necessário, buscar ajuda especializada para entender o que está acontecendo.
Quando devo me preocupar?
As preocupações viram um problema quando aparecem com muita frequência, são muito intensas, acontecem em várias situações diferentes e atrapalham a vida da criança ou adolescente.
É um sinal de alerta quando a criança ou o adolescente deixa de ir à escola ou evita estar com amigos por estar preocupado demais, especialmente se isso acontece quase todos os dias, várias vezes ao dia. Se vive perguntando se algo ruim vai acontecer, tem dificuldade de se acalmar, sente dores de barriga ou de cabeça sem causa médica, perde o sono ou evita sair de casa ou de ir à escola, isso pode indicar que as preocupações estão além do esperado e merece atenção.
No(a) adolescente, também chamam atenção mudanças marcantes de humor ou irritabilidade, queda no rendimento escolar, dificuldade de concentração, isolamento, perda de interesse em atividades, alterações de sono ou apetite, perfeccionismo com medo intenso de errar, uso excessivo de telas para evitar situações que causam ansiedade, queixas físicas frequentes e crises de choro.
Veja alguns sinais de que a preocupação está atrapalhando:
- Preocupação excessiva com muitas coisas: Notas, esportes, provas, horários.
- Medo de que algo ruim vá acontecer: Sensação constante de que algo vai dar errado.
- Preocupação exagerada: Mesmo quando não há motivo claro.
- Tensão no corpo: Dificuldade para relaxar, músculos rígidos.
- Sintomas físicos: Dor de barriga, dor de cabeça, suor, sensação de mal-estar, ou o hábito de roer unhas, balançar pernas, ranger dentes.
- Inquietação: Não consegue ficar parado(a), se mexe o tempo todo.
- Irritabilidade: Se irrita ou fica bravo(a) com facilidade.
- Dificuldade de concentração: Distração por causa das preocupações.
- Problemas de sono: Dificuldade para dormir, acordando muito ou sentindo cansaço.
- Outros sinais: Não presta atenção, fica irritado(a) ou tem mudanças de humor, repete as mesmas perguntas, discute muito, evita situações do dia a dia, gruda demais nos adultos ou reclama de dores antes de certas atividades.
Se essas preocupações começarem a atrapalhar a escola, o convívio com amigos e a rotina em casa, é hora de procurar ajuda.
Quanto mais cedo a criança ou o adolescente entender o que sente, mais fácil é aprender a lidar com essas preocupações de um jeito mais leve e saudável.
O que posso fazer para ajudar?
O mais importante é mostrar que você está presente para ouvir. Evite frases como “isso é bobeira” ou “para de se preocupar”, pois isso pode fazer a criança se sentir ainda mais sozinha.
Aqui estão algumas dicas que podem ajudar:
- Converse com a criança: Pergunte com calma sobre o que está preocupando e mostre que você se importa. Faça perguntas abertas para ela conseguir se expressar melhor. Esse é um ótimo exercício de comunicação.
- Escute com atenção: Mesmo que a preocupação pareça boba para você, para ela é algo importante. Tente entender como ela se sente.
- Ajude a resolver problemas: Juntos, tentem entender por que ela está preocupada e como podem lidar com isso de forma realista.
- Promova hábitos saudáveis: Alimentação equilibrada, atividade física e boas noites de sono ajudam muito no bem-estar e diminuem a ansiedade.
- Enfrentem o medo juntos: Sempre que possível, acompanhe a criança em situações difíceis. Por exemplo, se ela está com medo da nova escola, vocês podem visitar o lugar antes e conversar com os professores. Reforce que a criança não precisa enfrentar isso sozinha e que vocês estão juntos nessa.
- Exercícios de respiração e relaxamento: juntos, façam pausas para exercícios de respiração lenta e profunda, ou que gerem relaxamento (por exemplo, tensionando músculos e então os relaxando). Vocês podem fazer esses exercícios diariamente.
- Crie uma “caixinha das preocupações”: Incentive a criança a escrever o que está preocupando e colocar na caixinha. Separem um momento do dia para lerem juntos e conversarem.
- Tenha uma rotina: Horários previsíveis ajudam a criança a se sentir mais segura. Organize um dia equilibrado com tempo para estudo, brincadeiras e descanso.
Se mesmo com essas ações as preocupações continuarem fortes ou atrapalhando demais a rotina, pode ser hora de buscar ajuda profissional.
Preocupações frequentemente excessivas, muito intensas, em várias situações diferentes, que não são comuns para a idade e que interferem na vida podem indicar que a criança precisa de ajuda com especialistas.
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
É natural que os cuidadores fiquem preocupados se a criança estiver mostrando níveis altos de preocupação. A boa notícia é que existe ajuda.
Comece conversando com o(a) pediatra ou médico(a) de família da criança. Esses profissionais podem orientar os primeiros passos e, se necessário, encaminhá-lo para um(a) especialista em saúde mental, como um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra infantil.
É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.
Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
- Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
- Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.
Onde encontrar
mais informações
Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.
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