Preocupações excessivas e constantes ou ansiedade com muitas coisas

Você já achou que se preocupou de modo excessivo com alguma coisa da sua rotina? Quem nunca! Pois é, as preocupações fazem parte da nossa vida cotidiana. É comum se preocupar, por exemplo, com provas, com o que os outros pensam ou com o futuro. Isso faz parte!

Se preocupar é quando você fica com pensamentos chatos, insistentes e até intrusivos na cabeça sobre o que pode dar errado. Esses pensamentos costumam vir com medo ou nervosismo, e parece que tudo está um caos, às vezes, mesmo sem estar.

Talvez você sinta o coração acelerar, tenha dor de barriga, pense demais em coisas ruins ou sinta dificuldade de se concentrar. E isso pode ser bem chato na maioria das vezes.

Pode ser que se preocupar ajude a ficar mais atento quando algo é novo ou diferente, e isso é comum quando estamos passando por situações difíceis.

Mas, quando essa preocupação não vai embora, aparece todo dia e de modo intenso ou atrapalha sua rotina, vale prestar atenção.

O que é esperado?

Existem vários tipos de preocupações, e elas mudam de acordo com o que está acontecendo na sua vida.

É comum se preocupar com coisas como:

  • Ficar sozinho(a): medo de não ter com quem conversar ou se sentir excluído(a).
  • Morte: pensar na perda de alguém querido ou até na própria morte.
  • Perigos reais: como acidentes, desastres ou coisas que podem machucar você ou alguém que ama.
  • Escola ou esportes: medo de não ir bem nas provas, trabalhos ou nas atividades.
  • Aparência: se sentir inseguro(a) com o corpo ou com o que os outros vão pensar.
  • Fazer amigos: medo de não ser aceito ou de não conseguir se enturmar.
  • O futuro: dúvidas sobre o que vai acontecer, que profissão seguir, ou como vai ser a vida.

Essas preocupações fazem parte da vida e aos poucos elas podem ser amenizadas. No entanto, pode acontecer de, às vezes, você se sentir tão preocupado(a) que não consegue dormir, se concentrar nos estudos ou aproveitar o que gosta de fazer. Talvez evite sair de casa, conversar com amigos ou fazer tarefas que antes eram fáceis.

Se isso estiver acontecendo com você, saiba que você pode pedir ajuda. E isso não é fraqueza, é um sinal de que sua cabeça pode estar sobrecarregada e precisa de cuidados.

Quando devo me preocupar?

Para saber se preocupações se tornaram um problema, pense:

  • Com que frequência elas acontecem?
  • O quão intensa elas são?
  • O quanto elas atrapalham o meu dia a dia?
  • Elas acontecem em muitos lugares (em casa, na escola, etc.)?
  • Eu evito fazer coisas por me preocupar demais?

Se você está muito ansioso(a) há bastante tempo, ou se isso atrapalha ir pra escola, ver amigos ou dormir direito, é hora de prestar atenção.

Outros sinais de que a preocupação está sendo excessiva:

  • Se preocupar demais com muitas coisas ao mesmo tempo: notas, amizades, futuro, etc.
  • Sentir que algo ruim vai acontecer o tempo todo.
  • Se preocupar mesmo quando não tem motivo.
  • Corpo tenso: dificuldade de relaxar.
  • Sintomas físicos: dor de barriga, dor de cabeça, suor, enjoos, ou o hábito de roer unhas, balançar pernas, ranger dentes.
  • Agitação: se sentir inquieto(a) ou não conseguir parar quieto(a).
  • Irritabilidade: ficar bravo(a) ou irritado(a) com facilidade.
  • Dificuldade de se concentrar.
  • Problemas pra dormir: demorar pra dormir, acordar muito ou acordar cansado(a).
  • Outros sinais: mudanças de humor, precisar de muita confirmação dos outros, brigar fácil, evitar situações difíceis.

Se você se reconhece em vários desses sinais, saiba que não é frescura, exagero ou “drama”, certo?

Sentir-se assim por muito tempo pode indicar que algo não vai bem com sua saúde mental, e isso merece cuidado, atenção e acolhimento, assim como qualquer dor física.

O que posso fazer se eu (ou um(a) amigo(a)) estiver passando por isso?

Ter muitas preocupações em excesso pode ser difícil, pois cansa bastante. Mas você pode tentar algumas coisas que podem ajudar:

  1. Converse com um adulto de confiança: Pode ser pai, mãe, avó, professor(a), alguém que cuide de você. Eles podem ajudar e, se for o caso, buscar apoio profissional.
  2. Em vez de só se preocupar, tente resolver o problema: Pensar demais nem sempre resolve. Esse é um problema sobre o qual você pode agir?
  3. Cuidado com os pensamentos “E se…?” Tipo “E se eu passar vergonha?”. Esse tipo de pensamento é sobre coisas que até podem acontecer no futuro, mas não temos como saber se de fato irão acontecer. Troque por “Como eu posso lidar com isso?”
  4. Faça um diário de preocupações: Escreva o que te deixa preocupado(a) e quando isso acontece. Depois, leia para entender melhor o padrão das situações que te deixam preocupado(a). Isso pode te ajudar a lidar melhor com essas situações.
  5. Separe um tempo para se preocupar: Escolha um momento do dia para só pensar nessas preocupações. Depois que esse tempo passar, tire um período para relaxar antes e continuar suas atividades.
  6. Cuide do seu bem-estar: Comer bem, fazer exercício e se divertir ajudam muito a melhorar o humor e a se distrair das preocupações.
  7. Aceite que nem tudo dá pra controlar: E tudo bem! Isso faz parte da vida e aos poucos essas situações difíceis podem ser superadas.
  8. Fale com alguém. Dividir o que está sentindo com alguém de confiança pode aliviar bastante.
  9. Desligue um pouco das redes se perceber que elas te deixam pior.

Se você já tentou tudo isso e ainda assim continua se sentindo mal e extremamente preocupado, peça ajuda para um adulto para buscar um profissional de saúde mental.

Lembre-se: você não está sozinho(a) e não precisa dar conta de tudo o tempo todo. Pedir ajuda é o primeiro passo para se sentir melhor!

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

É comum se sentir envergonhado(a) ou culpado por ter preocupações demais. Lembre-se que não é sua culpa, elas podem acontecer com qualquer pessoa.

Mas a ajuda está disponível. Se sentir que está muito difícil, você pode dividir sua dificuldade com um profissional da sua escola, ou um(a) médico(a), como um(a) pediatra, clínico(a) geral ou o(a) profissional da Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima.

Esse profissional vai te escutar, entender o que está acontecendo e, se necessário, encaminhar você para um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra, que são especialistas em saúde mental. Eles estão ali para ajudar e recorrer a eles não é um problema.

No SUS (Sistema Único de Saúde), você tem acesso gratuito a esses cuidados em locais como:

  • Unidades Básicas de Saúde (UBS): ponto de partida para receber orientações e encaminhamentos.
  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): serviços especializados para adolescentes que precisam de mais apoio emocional.
  • Ambulatórios e hospitais públicos: em algumas cidades, oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Pedir ajuda não é fraqueza — é um jeito de se cuidar. Com o apoio de adultos e profissionais que se importam com você, é possível entender o que está acontecendo e encontrar formas de se sentir melhor.

Guias de Bolso

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Saiba como funciona o SUS para saúde
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