Fazer coisas repetidamente, como checar portas, organizar objetos ou limpar
Alguns estudantes repetem certos comportamentos com frequência. Isso pode incluir checar várias vezes se algo está no lugar, organizar objetos de uma forma específica ou repetir movimentos como piscar os olhos, tocar objetos ou fazer barulhos com a garganta. Às vezes, essas ações seguem um padrão e parecem difíceis de controlar.
Esses comportamentos podem ser simples, como mexer os dedos, ou mais complexos, como se abaixar e tocar o chão antes de entrar em sala. Para alguns estudantes, essas repetições ajudam a lidar com ansiedade, tensão ou pensamentos incômodos.
Muitas vezes, esses comportamentos pioram em situações de ansiedade ou estresse, comuns em ambientes escolares, especialmente em provas, apresentações ou conflitos.
O que é esperado?
Muitos estudantes gostam de rotinas e repetem certos comportamentos porque elas trazem segurança, previsibilidade e ajudam a se organizar. Na escola, as rotinas ajudam a orientar a transição entre as atividades, a manter o ambiente estruturado e a apoiar o comportamento.
Além disso, alguns comportamentos repetitivos fazem parte do desenvolvimento típico e não indicam nenhum problema:
- Estudantes mais novos costumam repetir brincadeiras ou falas durante o faz-de-conta
- Estudantes mais velhos podem ter hábitos específicos antes de atividades importantes, como apresentações ou competições
- Alguns alunos desenvolvem pequenas manias, como sempre usar o mesmo lápis nas provas ou organizar os materiais de um jeito específico
- Estudantes que praticam esportes frequentemente têm rituais de concentração antes de competir.
Esses comportamentos são esperados desde que não atrapalhem o aprendizado, a convivência ou causem sofrimento ao estudante.
Quando devo me preocupar?
Vale prestar atenção quando o comportamento:
- Acontece muitas vezes por dia e parece fora de contexto
- Interfere na aprendizagem, no sono ou na convivência com colegas
- Gera sofrimento ou ansiedade visível quando a ação não pode ser feita
- Faz com que o(a) estudante evite lugares, atividades ou pessoas
Exemplos de movimentos repetitivos que merecem atenção:
- Piscar com frequência, pigarrear ou fungar constantemente
- Encolher os ombros, fazer caretas, cheirar objetos repetidamente
- Emitir sons ou palavras sem motivo claro
- Tocar, bater ou alinhar objetos várias vezes
Exemplos de rituais que merecem atenção:
- Lavar ou limpar objetos, partes do corpo ou outras pessoas de forma repetida ou rígida
- Evitar tocar em objetos ou pessoas por medo de contaminação ou de causar algo ruim
- Checar mochilas, cadeiras, trancas ou pertences várias vezes
- Pedir garantias constantes de que nada ruim vai acontecer
- Repetir frases, rezas ou ações até “sentir que está certo”
- Revisar mentalmente conversas ou situações para se certificar de que não errou
- Evitar atividades por medo de causar dano a si ou a outros
- Tentar parar os comportamentos, mas não conseguir
- Gastar muito tempo com essas ações, chegando a atrasar ou faltar a aulas
Esses comportamentos podem parecer pequenos no início, mas quando se tornam frequentes ou causam sofrimento, merecem atenção e cuidado.
É importante que educadores entendam que a criança ou adolescente não faz esses movimentos e muitos desses comportamentos por vontade própria e que repreendê-la ou ridicularizá-la pode piorar o problema.
O reconhecimento e a compreensão por parte da escola são fundamentais para que a criança se sinta acolhida e consiga aprender sem medo de ser julgada.
O que posso fazer para ajudar?
Educadores podem ajudar estudantes com essas questões no ambiente escolar. Veja como:
- Tenha uma escuta atenta e acolhedora. Converse com o(a) aluno(a) com calma. Pergunte de forma gentil o que está acontecendo e como ele(a) está se sentindo. Mostre que você está disponível e não está julgando.
- Ofereça apoio no cotidiano. Diga que você percebeu o comportamento e está ali para ajudar. Crie um ambiente na sala de aula onde o(a) aluno(a) se sinta seguro para falar e agir com tranquilidade.
- Evite reforçar os comportamentos. Não incentive nem brinque com as ações repetitivas. Em vez disso, mantenha uma atitude respeitosa e previsível.
- Comunique os cuidadores. Compartilhe suas observações com a família do(a) estudante de forma cuidadosa e colaborativa. É possível que os responsáveis também estejam notando esses comportamentos em casa.
- Busque apoio da equipe escolar. Fale com o(a) orientador(a) pedagógico, psicólogo(a) ou assistente social da escola. Se a sua escola não tiver esses profissionais, procure outro adulto de confiança da equipe escolar, como outro(a) professor(a) ou a direção. Juntos, vocês podem pensar em estratégias para apoiar o(a) estudante e, se necessário, orientar os responsáveis sobre os próximos passos.
Um ambiente acolhedor e sem julgamentos contribui para o bem-estar e o desenvolvimento da criança.
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
Se você é educador(a) e está observando esses comportamentos em algum(a) estudante, oriente a família a procurar um(a) psicólogo(a) que trabalhe com crianças e adolescentes para que seja realizada uma avaliação. Caso necessário, pode ser indicado também atendimento com psiquiatra infantil.
Além disso, lembre aos cuidadores que é possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima deles, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.
Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
- Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
- Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
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