Dificuldades visuais e espaciais

Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.

Algumas crianças têm dificuldade para entender informações visuais e espaciais. Isso quer dizer que pode ser difícil para elas perceberem como as coisas se encaixam ou lembrar onde deixaram algo.

Elas também podem ter problemas em atividades como desenhar, montar blocos ou se localizar em um ambiente. Muitas vezes, essas crianças se saem bem com palavras e memorização, mas têm mais dificuldade com coisas que envolvem observar e entender o espaço ao redor.

Não se trata de problemas de visão comuns, como miopia ou astigmatismo, nem falta de atenção. São dificuldades em como o cérebro processa o que a pessoa vê. Isso pode afetar atividades simples, como identificar a posição de objetos, entender mapas, seguir instruções com base em imagens ou montar quebra-cabeças.

Também pode impactar a percepção de distância, tamanho e forma, dificultando a coordenação motora e a orientação no espaço.

O que é esperado?

A capacidade de entender o que se vê e como as coisas se organizam no espaço melhora com o tempo e ao longo do desenvolvimento. Veja alguns exemplos do que é esperado em cada fase:

  • Até os 3 anos: A criança começa a reconhecer formas e consegue encaixar peças simples de quebra-cabeça.
  • Entre 4 e 5 anos: Já consegue desenhar formas básicas e entender como os objetos se relacionam no espaço.
  • Até os 6 anos: Consegue copiar desenhos mais complexos e seguir mapas ou orientações simples.
  • Entre 7 e 8 anos: Consegue montar coisas com blocos e entender desenhos e esquemas simples.
  • Até os 9 anos: Já entende como usar mapas e organizar espaços, como arrumar os móveis do quarto.
  • Entre 10 e 12 anos: A criança consegue imaginar como algo vai ficar ao ser girado ou mudado de lugar.
  • Até os 13 ou 14 anos: O adolescente entende bem gráficos e informações visuais mais complexas.

O esperado é que, com o avanço da idade, essas competências sejam cada vez mais refinadas e usadas de forma automática, sem grandes esforços conscientes.

Quando devo me preocupar?

Alguns sinais podem mostrar que a criança está com dificuldade significativa nessa área. Esses sinais mudam de acordo com a idade, mas são os seguintes:

  • Dificuldade com quebra-cabeças ou blocos: A criança não consegue montar brinquedos ou jogos de encaixar.
  • Problemas para desenhar ou copiar: Ela tem dificuldade para desenhar formas ou copiar algo da lousa na escola.
  • Tarefas espaciais difíceis: A criança se atrapalha para organizar o quarto ou arrumar a mochila.
  • Problemas para imaginar objetos em movimento: Ela não consegue visualizar como algo fica se for virado ou mudado de lugar.
  • Esquecimentos frequentes: Costuma esquecer onde deixou as coisas ou como chegar a um lugar conhecido.
  • Dificuldade com mapas ou desenhos explicativos: Não entende bem mapas ou figuras que mostram como algo funciona.
  • Problemas de coordenação: A criança esbarra nas coisas com frequência ou tem dificuldade em esportes que exigem atenção ao espaço.

Deve-se preocupar quando essas dificuldades atrapalham o desempenho escolar, a autonomia ou a segurança da criança, e não melhoram com o tempo.

O ideal é observar se o desafio aparece em diferentes contextos, em casa, na escola e em atividades de lazer, e se há impacto no bem-estar emocional, como frustração frequente, insegurança ou isolamento.

O que posso fazer para ajudar?

Você pode ajudar a criança com paciência, incentivo e algumas estratégias simples:

  1. Use imagens e desenhos: Fotos, mapas e diagramas ajudam a entender melhor o que está sendo explicado. Quando for necessário lidar com mapas, gráficos ou tabelas, explique passo a passo e permita que a criança use réguas, marca-textos ou cores para destacar informações importantes. Isso pode ajudar.
  2. Brinque com jogos de montar: Atividades como quebra-cabeça, blocos de montar e desenhar ajudam a desenvolver a percepção espacial.
  3. Divida as tarefas em passos: Explique as tarefas em etapas pequenas, uma de cada vez.
  4. Dê instruções simples: Fale de forma clara e mostre com gestos sempre que possível.
  5. Ajude a organizar o espaço: Use etiquetas e cores para que a criança saiba onde guardar e encontrar suas coisas.
  6. Brinque com jogos de memória: Jogos que pedem para lembrar lugares ou padrões ajudam a memória visual.
  7. Elogie e apoie: Mostre que você reconhece o esforço da criança e que está tudo bem pedir ajuda.
  8. Sinalize na escola: é útil conversar com os(as) professores(as) para adaptar atividades, oferecer mais tempo para tarefas visuais e permitir o uso de recursos de apoio.

Tenha paciência e evite críticas que possam gerar ansiedade ou sensação de incapacidade. Pequenos progressos devem ser celebrados, pois ajudam a motivar e construir confiança.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

Não tenha vergonha ou receio de buscar ajuda. Quanto mais cedo o apoio for buscado, maiores as chances de desenvolver recursos compensatórios e evitar que a dificuldade impacte de forma negativa o desempenho escolar e a autoestima da criança ou adolescente.

Comece conversando com professores, pediatra ou médico(a) de família da criança. Esses profissionais podem orientar os primeiros passos e, se necessário, encaminhá-lo para um(a) especialista em saúde mental, como um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra infantil.

É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.

Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:

  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
  • Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
  • Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.

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Saiba como funciona o SUS para saúde
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