Dificuldades de interagir, entender e conversar com as pessoas

Comunicação social é tudo o que você faz para conversar, entender e se relacionar com outras pessoas. Algumas pessoas se comunicam bem quando usam as palavras certas, adaptam a forma como falam dependendo de quem está ouvindo, segue as regras das conversas, entende expressões faciais, faz contato visual e usa a linguagem corporal.

No entanto, outras pessoas podem apresentar uma certa dificuldade com essa interação e comunicação social.

Algumas pessoas sentem que conversar, fazer amigos ou participar de grupos não é tão fácil quanto parece ser para os outros. E isso não tem nada a ver com timidez.

Pode ser que você se sinta confuso com as “regras” de uma conversa, não entenda piadas ou ironias, ou prefira ficar sozinho(a) porque não se sente confortável com o jeito como as pessoas interagem. E tudo bem, isso acontece.

Isso não quer dizer que tem algo errado com você. É só que o seu cérebro pode funcionar de um jeito diferente.

O que é esperado?

Você começa a se comunicar com as pessoas bem cedo na vida, mesmo antes de falar! Quando os bebês olham para você ao serem chamados, sorriem e imitam suas expressões, já estão se comunicando. E você continua aprendendo essas habilidades até virar adulto.

Mesmo que cada pessoa seja diferente, existem algumas habilidades sociais que a maioria das pessoas desenvolve.

Ter uma comunicação social esperada significa conseguir dizer como você se sente, entender como os outros se sentem ao olhar e escutar, expressar o que você quer, precisa e pensa, e conversar sobre assuntos variados.

A maior parte das pessoas passa bastante tempo socializando, e fazer e manter amizades pode se tornar algo bem importante.

Se você sente que essas coisas são difíceis demais, não significa que você está atrasado ou que tem algum problema. Na verdade, significa que você pode precisar aprender de um outro jeito, no seu ritmo e com apoio.

Quando devo me preocupar?

Você deve se preocupar se as dificuldades de interação, compreensão e conversas com outras pessoas estiverem interferindo no seu convívio em casa, na escola ou em outros ambientes.

Para isso, é importante você tentar lembrar e descobrir se:

Quando você era menor:

  • Não queria estar com os outros: Talvez você não gostasse de passar tempo com quem cuidava de você ou com outras pessoas.
  • Preferia ficar sozinho(a): Mesmo com gente por perto, você talvez escolhesse brincar ou ficar só.
  • Evitava brincadeiras: Pode ser que você não gostasse de brincar ou interagir com outras crianças da sua idade.
  • Evitava conversar: Talvez você evitasse falar com os outros.
  • Tinha dificuldade para responder: Você podia ter dificuldade em responder quando alguém falava com você.
  • Tinha dificuldade em brincar de faz de conta: Talvez fosse difícil participar de brincadeiras imaginativas.

Na escola:

  • Brincadeira com os colegas: Pode ser que você não tivesse interesse em brincar com os colegas ou preferisse brincar sozinho(a).
  • Jogos sociais: Pode ser que fosse difícil seguir as regras dos jogos ou esperar a sua vez.
  • Participação de atividades: Talvez você não se envolvesse nas atividades e parecesse estar sempre mais quieto(a) ou desligado(a).
  • Amizades: Pode ser que você nem considerasse seus colegas como “amigos”.
  • Dificuldade em manter o assunto: Você podia ter dificuldade em continuar no mesmo tema durante uma conversa.
  • Interrupções aos outros: Talvez você quisesse falar de algo seu, mesmo que os outros estivessem falando de outra coisa.
  • Dificuldade em seguir regras sociais: Pode ser que fosse difícil entender e seguir regras de brincadeiras ou eventos sociais.

Outros sinais de dificuldades importantes:

  • Dificuldades com comunicação não verbal: Como manter contato visual, usar expressões faciais e gestos.
  • Dificuldade em entender emoções: Dificuldade de perceber como os outros estão se sentindo ou o que estão querendo dizer.
  • Timidez extrema ou agressividade: Ser muito tímido(a), sentir muito medo ou agir de forma agressiva.
  • Ficar perto demais ou longe demais das pessoas: Não saber direito qual é a distância certa de ficar dos outros ao interagir com eles.
  • Entender mensagens indiretas: Ter dificuldade em entender o que os outros querem dizer quando não falam diretamente.
  • Começar conversas: Ser difícil começar ou continuar uma conversa.

Às vezes, essas dificuldades aparecem desde pequeno, mas só se tornam uma questão maior na adolescência, quando a convivência social fica mais intensa, sabe?

Não é vergonha nenhuma ter dificuldade de se enturmar ou se comunicar. Mas, se isso comprometer o seu bem-estar e alcançar os objetivos que você tem, é importante buscar ajuda para que você possa encontrar formas de lidar.

O que posso fazer se eu (ou um(a) amigo(a)) estiver passando por isso?

Lidar com dificuldades de comunicação social pode ser bem difícil e frustrante, mas há formas de enfrentar. Se você percebe que você ou um(a) amigo(a) tem dificuldades, aqui vão algumas coisas que podem ajudar:

  1. Converse com um adulto de confiança. Pode ser um dos seus pais, algum parente ou outra pessoa que cuida de você. Conte o que está acontecendo. Essa pessoa pode te apoiar e buscar ajuda especializada.
  2. Converse com seu(sua) professor(a). Ele ou ela pode perceber se você está com dificuldades e pensar em formas de te ajudar na escola.
  3. Dê um tempo a si mesmo. Interações sociais podem ser complicadas. Tenha paciência e lembre que tudo bem pensar um pouco antes de falar.
  4. Observe pessoas em quem confia. Você pode aprender muito observando. Veja como essas pessoas começam conversas e respondem uns aos outros.
  5. Pratique com quem você confia. Falar com pessoas que você já gosta ou que são parecidas com você pode ajudar a treinar suas habilidades sociais.
  6. Use o faz de conta para praticar. Peça a alguém da sua confiança para simular situações e praticar com você. Isso pode te preparar para situações reais.
  7. Escreva antes de falar. Se estiver nervoso para conversar, anotar o que você quer dizer pode ajudar a organizar os pensamentos e dar mais segurança.

O primeiro passo é entender que você não está sozinho(a) e que tem outras pessoas que sentem o mesmo.

Ter uma rotina pode ajudar muito, assim como ter um cantinho tranquilo para descansar. Se algo te incomoda, como sons altos, cheiros fortes ou mudanças de planos, procure formas de se proteger, como usar fones ou combinar com alguém para te avisar antes de uma mudança.

E olha, não tente ser igual a todo mundo. Cada pessoa tem seu jeito e seu tempo, certo?

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

É natural sentir vergonha, insegurança ou culpa quando se tem dificuldades de comunicação. Se você acha que está passando por isso, conte para um adulto de confiança ou para um(a) professor(a).

Quanto antes buscar ajuda, mais fácil será. Lembre-se que é um processo!

Você pode dividir sua dificuldade com outros profissionais da sua escola se eles existirem (como psicólogos ou fonoaudiólogos) ou com um(a) médico(a), como um(a) pediatra, clínico(a) geral ou o(a) profissional da Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima.

Esses profissionais vão te escutar, entender o que está acontecendo e, se necessário, encaminhar você para um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra, que são especialistas em saúde mental.

No SUS (Sistema Único de Saúde), você tem acesso gratuito a esses cuidados em locais como:

  • Unidades Básicas de Saúde (UBS): ponto de partida para receber orientações e encaminhamentos.
  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): serviços especializados para adolescentes que precisam de mais apoio emocional.
  • Ambulatórios e hospitais públicos: em algumas cidades, oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Pedir ajuda não é fraqueza — é um jeito de se cuidar. Com o apoio de adultos e profissionais que se importam com você, é possível entender o que está acontecendo e encontrar formas de se sentir melhor.

Guias de Bolso

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Saiba como funciona o SUS para saúde
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