Dificuldades com aprendizagem de linguagem
Algumas pessoas têm mais dificuldade para aprender a se comunicar com clareza ou para entender o que os outros falam. Isso pode acontecer desde pequenas, mas às vezes só fica mais evidente na adolescência, quando as tarefas escolares e as conversas se tornam mais complexas.
Dificuldades de linguagem são diferentes de problemas com sons da fala, quando alguém tem dificuldade de pronunciar certos sons. Nas dificuldades de linguagem, você consegue fazer os sons, mas tem dificuldade em usá-los para se expressar.
Se você sente que tem dificuldade para explicar o que está pensando, entender instruções longas ou acompanhar o ritmo das conversas e das aulas, isso pode estar relacionado a uma diferença na forma como o seu cérebro processa a linguagem.
Essa dificuldade não significa que você seja menos inteligente ou menos capaz, certo? Ela só quer dizer que sua forma de aprender e se expressar pode ser diferente da dos outros.
Algumas pessoas com esse tipo de dificuldade também encontram desafios na escrita ou em provas orais, especialmente quando precisam organizar ideias em pouco tempo ou entender palavras novas. Isso pode atrapalhar na escola, nas amizades ou até na sua confiança, mas saiba que é possível lidar com isso e desenvolver suas habilidades com o apoio certo.
É importante saber que essas dificuldades não são culpa sua e que há formas de obter ajuda.
O que é esperado?
Conforme você cresce, suas habilidades de comunicação vão se desenvolvendo. A maioria das pessoas atinge certos marcos ao aprender a se comunicar.
Veja o que seria esperado em diferentes idades:
- Até os 2 anos: Você consegue dizer algumas palavras e entender instruções simples.
- Até os 3 anos: Você consegue falar frases curtas e seguir instruções simples.
- Até os 4 anos: Você consegue contar histórias simples e entender conceitos básicos como cores e formas.
- Até os 5 anos: Você consegue usar frases completas e entender instruções mais complexas.
- Entre 6 e 7 anos: Você consegue conversar e entender histórias lidas para você.
- Entre 8 e 9 anos: Você entende piadas e adivinhas e consegue usar a linguagem para expressar seus pensamentos com clareza.
- Entre 10 e 11 anos: Você consegue aprender informações novas usando a linguagem e explicar suas ideias.
- Entre 12 e 14 anos: Você consegue usar a linguagem para discutir ideias abstratas e entender diferentes pontos de vista.
Não há problema em ter dificuldades com essas questões, ok? O importante é não ignorar quando algo está realmente atrapalhando seu dia a dia.
Às vezes, a dificuldade aparece de forma mais sutil, como precisar de muito mais tempo que os colegas para terminar uma atividade ou ficar confuso com textos longos.
Se isso acontece com frequência, vale conversar com alguém de confiança e buscar ajuda, pois com apoio esse processo pode ser superado.
Quando devo me preocupar?
Há sinais que podem indicar dificuldades de comunicação. Eles variam com a idade. Você pode ter dificuldade para aprender e usar a linguagem, tanto falada quanto escrita.
Pode ter problemas com vocabulário, estrutura das frases ou conversar com outras pessoas. Talvez use frases muito simples ou troque a ordem das palavras. Pode dizer “hã” ou “ééé” com frequência ou repetir partes da pergunta antes de responder.
Talvez você evite conversar com pessoas que não conhece bem ou tenha um vocabulário pequeno. Também pode ter dificuldade para organizar seus pensamentos ou seguir instruções.
Por isso, você deve se preocupar se perceber que suas dificuldades com linguagem estão afetando sua rotina escolar, suas relações com amigos e colegas, e sua autoestima. Quando o problema persiste, pode indicar que você precisa de apoio especializado, e tudo bem precisar de suporte, certo?
Também vale ficar atento se essas dificuldades estiverem te deixando desmotivado, ansioso ou frustrado com frequência.
Falar sobre isso com um adulto de confiança, como um(a) professor(a), responsável ou orientador(a), pode ser o primeiro passo para entender melhor o que está acontecendo. Procurar ajuda não é sinal de fraqueza, é um jeito de se cuidar.
O que posso fazer se eu (ou um(a) amigo(a)) estiver passando por isso?
Se você acha que você ou um(a) amigo(a) tem dificuldades de comunicação, há coisas que pode fazer:
- Pratique falar: Converse com amigos ou familiares sobre o seu dia. Isso ajuda a se acostumar com o uso da linguagem.
- Leia livros: Escolha livros que te interessem e leia em voz alta. Além de um ótimo jeito de aprender, isso pode melhorar seu vocabulário e compreensão.
- Use recursos visuais: Faça desenhos ou use gestos para ajudar a explicar o que está pensando.
- Jogue jogos de linguagem: Brinque com jogos que envolvam nomear objetos ou descrever coisas.
- Peça ajuda: Se estiver com dificuldade, fale com um(a) professor(a) ou responsável. Eles podem te dar dicas e apoio.
- Repita e pratique: Quando ouvir uma palavra nova, tente usá-la em uma frase. A prática leva à melhora!
- Valorize cada um dos seus passos: Cada pessoa aprende no seu tempo. Comemore cada progresso, mesmo que pequeno.
E lembre-se: você não precisa passar por isso sozinho(a). Além de ser mais divertido aprender técnicas e desenvolver essas habilidades com outras pessoas, é uma forma de dividir como você está se sentindo durante o processo.
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
Se suas dificuldades com a linguagem durarem mais do que algumas semanas, peça ajuda para um adulto de confiança. Quanto mais cedo você receber ajuda, melhor será para sua fala e autoestima.
Você pode dividir sua dificuldade com um profissional da sua escola, ou um(a) médico(a), como um(a) pediatra, clínico(a) geral ou o(a) profissional da Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima.
Esse profissional vai te escutar, entender o que está acontecendo e, se necessário, encaminhar você para um(a) especialista, como um(a) fonoaudiólogo(a), que é o(a) profissional que ajuda com essas questões de linguagem. Ele irá indicar o que pode ser feito. Lembre-se: ele está ali para te ajudar. Psicopedagogos(as) e neuropsicólogos(as) também são profissionais que podem ajudar.
Não existe um único caminho: o mais importante é começar com alguém que possa te ouvir sem julgamentos e te direcionar para o apoio certo.
Buscar esse tipo de ajuda não é exagero, tá? É um passo importante para entender melhor a si mesmo, ganhar mais segurança e aprender de uma forma mais leve.
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