Especialistas brasileiros lideram diálogo Sul-Sul para redefinir agenda global de saúde mental infanto-juvenil

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2 de Dezembro, 2025
Encontro na Cidade do Cabo reuniu jovens líderes, especialistas, formuladores de políticas públicas e representantes comunitários de todo o mundo
A partir da esquerda, Irenildes Silva, Giovanni Salum, Carolina Costa, Luis Rohde e Patricia Bado, do Juntô;
Rebeca Freitas, do IEPS: delegados brasileiros apresentaram soluções inovadoras; crédito: SNF Global Center

Cidade do Cabo (África do Sul) — Líderes brasileiros em saúde mental estiveram na linha de frente de uma cúpula global destinada a redefinir o cuidado em saúde mental de jovens por meio de uma colaboração genuína entre países do Sul Global e da cocriação com a juventude. O evento, “Além da Mesa: Jovens como Cocriadores da Mudança pela Saúde Mental”, enfatizou soluções práticas e culturalmente responsivas, fundamentadas em expertise local.

Organizado pelo Global Center da Stavros Niarchos Foundation (SNF) para a Saúde Mental de Crianças e Adolescentes, no Child Mind Institute, em parceria com o Conselho Sul-Africano de Pesquisa Médica (SAMRC), o encontro reuniu jovens líderes, especialistas, formuladores de políticas públicas e representantes comunitários de todo o mundo. Um tema central foi o papel fundamental das metodologias brasileiras para enfrentar desafios universais na saúde mental juvenil.

Um modelo para mudanças colaborativas lideradas pela juventude

“Os jovens querem ser vistos e ouvidos. O tema deste ano é ‘além da mesa’ — porque não estamos apenas pedindo um lugar, somos parceiros e colaboradores na construção do futuro que queremos ver.”

Essa foi a essência do sentimento compartilhado por Delice Lumba e outros jovens líderes, profissionais de saúde mental, clínicos, representantes do governo sul-africano, membros de organizações comunitárias e especialistas em políticas públicas da África do Sul e de outros países na semana passada.

O encontro de dois dias foi estruturado em uma série de painéis dinâmicos, com participação ativa de jovens, que deram vida ao tema “Além da Mesa”. Especialistas da África do Sul, Brasil, Grécia, Quênia, Reino Unido, Moçambique e Estados Unidos participaram de diálogos essenciais sobre como transformar pesquisa em práticas concretas e culturalmente relevantes para a saúde mental juvenil. Os painéis abordaram a integração de serviços nos sistemas públicos de saúde e educação, o processo fundamental de adaptação cultural de intervenções baseadas em evidências e o poder das redes comunitárias e da defesa de direitos para combater o estigma.

Jovens líderes do Conselho Juvenil do SNF Global Center e de organizações parceiras não foram apenas participantes, mas moderadores e coexpositores ativos, conduzindo debates sobre prioridades de pesquisa, desenhos de serviços acessíveis e engajamento autêntico. As discussões avançaram da teoria para a prática, explorando como aproximar modelos científicos de abordagens comunitárias integradas que utilizam a narrativa como força de mudança, garantindo que as vozes dos jovens ocupem o centro na construção do futuro do apoio em saúde mental.

Inovações brasileiras ganham destaque

A delegação brasileira, composta por membros Juntô, apresentou modelos escaláveis de engajamento, pesquisa e cuidado integrado. No painel de abertura — focado em como e quando engajar jovens na criação de apoios e intervenções em saúde mental — a Dra. Patricia Bado, PhD, consultora do Juntô, apresentou o método de engajamento usado no Rio de Janeiro, cidade marcada por forte diversidade e desigualdade — assim como a Cidade do Cabo —, na qual jovens de diferentes regiões e contextos socioeconômicos foram convidados a discutir o que poderia ser feito para melhorar a saúde mental juvenil.

Em outro painel, o Dr. Luis Rohde, MD, PhD, supervisor científico do Juntô, apresentou a Biblioteca de Instrumentos Universais de Saúde Mental (LUMI, na sigla em inglês). Essa ferramenta global gratuita busca solucionar o problema crítico dos dados incompatíveis entre culturas, fornecendo instrumentos validados psicometricamente e avaliados interculturalmente. “A LUMI é como viajar pelo mundo sem precisar de um adaptador diferente para a tomada de cada país”, explicou Rohde, destacando seu potencial para harmonizar a pesquisa e a prática clínica global.

Durante um painel sobre a construção e conexão de culturas de cuidado, que reuniu participantes de Moçambique, El Salvador, África do Sul e Burundi, a Dra. e Mestra Irenildes Silva, consultora da CAMHI Brasil, destacou que, mais do que simplesmente “construir pontes”, é preciso convergir e cocriar soluções. Ela ressaltou que integrar abordagens científicas com saberes tradicionais e comunitários exige consciência intencional das dinâmicas de poder entre a Academia e os conhecimentos ancestrais, garantindo que ambos sejam valorizados igualmente.

Para ela, essa confluência é essencial para assegurar que pessoas e comunidades que enfrentam desafios de saúde mental recebam um cuidado não apenas eficaz e baseado em evidências, mas também culturalmente significativo, respeitoso e enraizado em seus próprios entendimentos de bem-estar.

Outras contribuições dos participantes brasileiros abordaram temas como a adaptação cultural de práticas clínicas baseadas em evidências para a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC); lições interculturais resultantes da integração entre prática clínica e serviços de saúde pública; as tecnologias incorporadas à Coorte de Estudos de Alto Risco, estudo comunitário realizado nas cidades de São Paulo e Porto Alegre; e o contexto da saúde pública brasileira, com ênfase no trabalho de advocacy.

“Nossos encontros anuais de especialistas enfrentam diretamente lacunas persistentes no cuidado global”, afirmou o Dr. Giovanni Abrahão Salum, MD, PhD, vice-presidente sênior de Programas Globais do Child Mind Institute. “Esse diálogo integrou novas perspectivas para mapear um caminho prático rumo a soluções baseadas em evidências, em que ações coordenadas geram o máximo impacto.”

O evento terminou com um planejamento de ações concretas, formalizando compromissos pessoais e institucionais para incorporar a liderança autêntica da juventude em iniciativas de saúde mental. Tendani Tsedu, do SAMRC, reforçou a importância: “Quando fortalecemos os esforços de colaboração, ampliamos nossa capacidade de criar mudança e gerar impacto significativo.”

Ao conectar programas fragmentados em um ecossistema coerente, o encontro de especialistas deu novo impulso aos esforços globais de saúde mental, oferecendo um plano oportuno para uma mudança que seja liderada pela juventude, culturalmente responsiva e estrategicamente integrada.

Sobre o SNF Global Center no Child Mind Institute

O SNF Global Center reúne a expertise do Child Mind Institute — uma das principais instituições independentes em saúde mental infantil — e o profundo compromisso da Stavros Niarchos Foundation (SNF) em apoiar projetos colaborativos que ampliem o acesso a cuidados de saúde de qualidade em todo o mundo. O Global Center está construindo parcerias para promover avanços em áreas pouco pesquisadas da saúde mental de crianças e adolescentes, além de ampliar o acesso a treinamento, recursos e tratamento culturalmente apropriados em países de baixa e média renda. Este trabalho é conduzido pelo Child Mind Institute com apoio da SNF por meio de sua Global Health Initiative (GHI).

Sobre o Child Mind Institute

O Child Mind Institute é dedicado a transformar a vida de crianças e famílias que enfrentam transtornos de saúde mental e dificuldades de aprendizagem, oferecendo a ajuda de que precisam. Tornou-se a principal instituição independente em saúde mental infantil ao fornecer cuidados clínicos de excelência, oferecer recursos educacionais a milhões de famílias todos os anos, capacitar educadores em comunidades vulneráveis e desenvolver os tratamentos inovadores do futuro.

Sobre o South African Medical Research Council

Fundado em 1969, o SAMRC é dedicado a melhorar a saúde da população da África do Sul por meio de pesquisa, inovação, desenvolvimento e transferência de tecnologia. Seu escopo inclui investigações laboratoriais, pesquisa clínica e estudos de saúde pública. Isso abrange a pesquisa sobre os quatro grandes desafios de saúde pública do país: saúde materna, neonatal e infantil; HIV/Aids e tuberculose; doenças não transmissíveis; e violência interpessoal.

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