Curso inovador busca ajudar professores a apoiar saúde mental de alunos do Rio Grande do Sul

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29 de Abril, 2026
Evidência científica é a base do programa, que visa construir escolas mais fortes e acolhedoras na rede estadual de ensino, além de reduzir o estigma
Dezenas de gestores compareceram ao encontro da SEDUC-RS e tiveram a oportunidade de conhecer melhor o PAPE, cujo piloto deve começar em junho; foto: Juntô

Porto Alegre (RS) – Muitos problemas de saúde mental têm início na infância e na adolescência, e os professores estão em posição estratégica para perceber quando algo não vai bem. No entanto, eles frequentemente enfrentam essa responsabilidade sem apoio adequado, já que a maioria não recebe formação sobre como reconhecer ou lidar com tais situações. Preencher essa lacuna é o objetivo do Programa de Apoio Psicossocial nas Escolas (PAPE), desenvolvido pelo Juntô, iniciativa brasileira do Global Center da Stavros Niarchos Foundation (SNF) para a Saúde Mental de Crianças e Adolescentes no Child Mind Institute, e implementado no Rio Grande do Sul no âmbito de uma parceria com a Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Sul (SEDUC-RS), com base num Memorando de Entendimento assinado em março de 2026.

O programa, voltado para equipes escolares do ensino fundamental – anos iniciais e finais – e do ensino médio da rede pública estadual de ensino, prevê um piloto em 300 escolas do estado, que serão sorteadas para receber formação em diferentes formatos – virtual, presencial e assíncrono, com e sem supervisão.

Cerca de noventa gestores das Coordenadorias Regionais de Educação participaram de um encontro em Porto Alegre, nos dias 28 e 29 de abril, para a apresentação do programa e também de outros aspectos relativos ao tema, como mapeamentos sobre iniciativas de saúde mental em escolas do país. O piloto está previsto para começar em junho, em Porto Alegre.

Além de oferecer conteúdo relevante para o contexto escolar, a implementação do PAPE no Rio Grande do Sul tem como objetivo identificar quais tipos de formação e abordagens são mais eficazes e como o programa pode ser expandido para as demais escolas do estado e até para outras regiões do Brasil, informando diretamente políticas públicas e iniciativas de grande escala – sempre com cuidado e sensibilidade às realidades locais, de modo a respeitar a carga de trabalho e demandas da escola e equipes escolares.

Julia Schafer, gerente de programa do SNF Global Center, apresentou o PAPE aos gestores das Coordenadorias Regionais de Educação

Ferramentas para a prática cotidiana

“O PAPE vai avaliar diferentes formas de oferecer o programa de formação, para descobrirmos o que funciona melhor no ambiente escolar real, respeitando o tempo e a expertise dos professores”, afirma Luis Augusto Rohde, supervisor científico do SNF Global Center no Brasil. “O programa foi concebido para oferecer ferramentas práticas aos professores, dando atenção especial à não transferência da responsabilidade diagnóstica a eles e reconhecendo a importância da articulação com os serviços públicos de saúde, assistência social e justiça, quando necessário e de forma complementar. A saúde mental das crianças e adolescentes é responsabilidade de todos”.

Carlos Ramos de Lima (foto) e Mariana Chaves, integrantes do Juntô Jovem, apresentaram mapeamentos de iniciativas de saúde mental em escolas

Benefícios da participação

Para os professores, o programa oferece o desenvolvimento de habilidades práticas para reconhecer sinais de dificuldades relacionadas à saúde mental nos alunos, propiciar suporte e acomodações adequadas em sala de aula e compreender quando e como encaminhar para a rede de atendimento especializada (saúde, assistência social etc.). Também contribui para aumentar a confiança no manejo de situações desafiadoras e estimula a reflexão sobre o próprio bem-estar das equipes escolares.

Para os alunos, os benefícios podem ser significativos: maior suporte dentro da sala de aula, identificação precoce de necessidades de saúde mental e, por consequência, um ambiente escolar mais acolhedor.

Para as escolas e a sociedade, o programa visa contribuir para a construção de ambientes escolares mais seguros, reduzir o estigma em torno da saúde mental e apoiar a implementação de políticas nacionais de saúde mental.

No Rio Grande do Sul, os desafios de saúde mental entre adolescentes acompanham uma tendência nacional relevante. Dados recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) indicam aumento de sintomas como ansiedade, tristeza persistente e sensação de solidão entre estudantes, com impacto mais acentuado entre meninas, mas crescente em todos os grupos. Soma-se a esse cenário o impacto das enchentes recentes no estado, que afetaram o bem-estar emocional de crianças, adolescentes e suas comunidades. Nesse contexto, iniciativas estruturadas e baseadas em evidências, como o PAPE, ganham ainda mais importância.

Sobre o SNF Global Center

O Global Center da Stavros Niarchos Foundation (SNF) para a Saúde Mental de Crianças e Adolescentes no Child Mind Institute (CMI) reúne a expertise do CMI e o forte compromisso da SNF com o apoio a projetos colaborativos voltados à ampliação do acesso a cuidados de saúde de qualidade em todo o mundo. O Global Center estabelece parcerias para impulsionar avanços em áreas ainda pouco pesquisadas da saúde mental de crianças e adolescentes e para ampliar o acesso a formação, recursos e tratamentos culturalmente adaptados em países de baixa e média renda. Esse trabalho é conduzido pelo CMI com apoio da SNF por meio de sua Iniciativa de Saúde Global (Global Health Initiative – GHI).

Sobre o Child Mind Institute

O Child Mind Institute se dedica a transformar a vida de crianças e famílias que enfrentam transtornos de saúde mental e dificuldades de aprendizagem, oferecendo o apoio de que precisam. A instituição tornou-se a principal organização independente sem fins lucrativos na área de saúde mental infantil ao oferecer cuidados de excelência baseados em evidências, disponibilizar recursos educacionais para milhões de famílias todos os anos, capacitar educadores em comunidades desassistidas e desenvolver tratamentos inovadores.

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