Minha mensagem para os jovens: ocupem espaço
Um passo importante — senão primordial — do desenvolvimento de políticas públicas eficazes é ouvir as pessoas que devem ser beneficiadas por elas. Com projetos na área de saúde mental dos jovens e adolescentes, essa necessidade se intensifica. Isso porque o jovem do século 21 cresceu em um mundo de constantes mudanças e inovações, que as gerações mais velhas até viveram, mas não com a mesma força. É aí que usar nossas vozes para contribuir com a elaboração de programas se torna essencial. Afinal, é justamente a juventude que entende de juventude.
No dia 21 de janeiro de 2026, tive uma oportunidade ímpar de diálogo intergeracional. Após ser admitida na renomada Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, fui convidada para um bate-papo com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e a secretária de Educação do Estado, Raquel Teixeira, no Palácio Piratini.
Aproveitei para questioná-los sobre a aplicação da Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares e descobri que o Rio Grande do Sul criou o projeto Geração Consciente, que engaja jovens nas pautas de saúde mental por meio da gamificação, e inaugurou o Núcleo de Cuidado e Bem-Estar, que analisa e coordena projetos de saúde mental nas escolas estaduais.
Pessoalmente, porém, o maior fruto que colhi da oportunidade foi a reflexão de que esse tipo de espaço é muito raro, uma oportunidade que poucos jovens experimentam. Mas o que explica essa lacuna?
Ocupar espaços
No primeiro ano do ensino médio, observei que Santa Maria, minha cidade, contava com muitos jovens, o que é explicado pelo alto número de escolas e a presença da Universidade Federal de Santa Maria. Resolvi, então, escrever um projeto de lei para criar uma Câmara de Vereadores Jovem e incentivar a participação da juventude nos processos decisórios políticos. Ao entrar em contato com os vereadores, porém, uma jovem lutando pelos jovens era vista com estranheza. Reuniões foram agendadas e realizadas, mas apesar da narrativa de apoio, não me senti verdadeiramente ouvida.
O mesmo ocorre em diversos outros espaços: na escola, no mercado de trabalho, em casa etc. Acontece que a sociedade espera que os jovens deem os passos para se tornarem cidadãos ativos, mas não que o sejam de fato. Ou seja, devemos estudar e nos preparar para o futuro, não para o presente. Assim, muitas vezes acabamos duvidando de nós mesmos e da nossa capacidade de contribuir.
Nós somos o presente
Esse recado de que não podemos contribuir no momento presente se torna um obstáculo não apenas para o nosso crescimento profissional, mas também para a nossa saúde mental. Porém, em um mundo em constante transformação, a inovação, a coragem e a energia da juventude vêm se tornando o principal combustível para a evolução. É justamente aí que entra o nosso papel. É necessário que entendamos que não somos apenas o futuro, somos o presente.
Quando alcançarmos posições de liderança em nossas carreiras, precisamos ter a responsabilidade de abrir novos caminhos para outros jovens, criando ambientes mais diversos e representativos. Ainda mais importante, não devemos desistir de ocupar os espaços que nos pertencem por direito. Mesmo quando nos sentimos deslocados ou subestimados, é fundamental lembrar que nossa perspectiva tem valor. Assim, a cada passo dado, contribuímos para que a participação jovem deixe de ser exceção e passe a ser regra, apoiando um ciclo de valorização e pertencimento.
Dessa forma, pouco a pouco, tornamos possíveis encontros que antes pareciam improváveis. Assim, os jovens deixam de ser apenas espectadores e passam a ocupar o centro das decisões que impactam diretamente suas vidas. Eu acredito nisso, e o Juntô também!
Mariana Rodrigues Chaves é integrante do comitê Juntô Jovem. A partir deste ano, vai estudar Governança e Economia na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
Nossas Vozes
2 de Março, 2026Você tem alguma história ou experiência inspiradora sobre saúde mental?
Adoraríamos ouvir a sua voz!
Compartilhe sua história conosco, porque ela pode ser veiculada e ajudar outras pessoas a perceberem que ninguém está sozinho; a se sentirem compreendidas, encorajadas e motivadas a buscar apoio.