Uso excessivo de telas

Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.

A tecnologia e a internet são uma parte importante da vida das crianças e adolescentes. Elas são usadas para conversar com pessoas, aprender, e se divertir. No entanto, é importante usar a tecnologia de forma saudável.

Muitos jovens passam muito tempo em frente às telas todos os dias, navegando na internet, postando nas redes sociais, conversando com amigos(as) ou familiares, fazendo lição de casa ou jogando videogame.

Embora a tecnologia tenha muitos benefícios, o uso excessivo de telas pode afetar negativamente a vida de uma criança ou adolescente e esconder problemas mais sérios.

Pais precisam saber identificar esses sinais e ajudar seus(suas) filhos(as) a usarem a internet de maneira equilibrada. O objetivo é aproveitar os aspectos positivos da tecnologia, ao mesmo tempo em que se controla os aspectos negativos, estabelecendo limites.

O que é um uso esperado de telas?

Hoje em dia, quase todos têm acesso às telas de alguma forma. Seja em casa, na escola ou no trabalho, a tecnologia está presente em muitas áreas da vida cotidiana. Crianças, adolescentes e adultos usam telas para aprender, se comunicar e se entreter.

O uso de telas se tornou algo comum, mas é importante usá-las de maneira equilibrada e com propósito, para evitar que se tornem um problema.

Um uso esperado de telas é aquele que é equilibrado e saudável, considerando a idade da criança e suas necessidades. Para crianças mais novas, o uso de telas deve ser supervisionado e limitado a atividades educativas e recreativas. Para adolescentes, o tempo de tela pode ser maior, incluindo a participação em aulas online, deveres de casa, e interações sociais nas redes.

É importante estabelecer limites para garantir que o uso de dispositivos não prejudique a saúde mental, o bem-estar e o desempenho escolar. O uso de telas deve ser planejado, com propósito e, sempre que possível, acompanhado pelos pais.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda:

  • Menores de 2 anos: nenhum contato com telas ou videogames.
  • Dos 2 aos 5 anos: até uma hora por dia, sempre com supervisão.
  • Dos 6 aos 10 anos: entre uma e duas horas por dia, sempre com supervisão.
  • Dos 11 aos 18 anos: entre duas e três horas por dia, sempre com supervisão.

Sabemos que muitos cuidadores executam atividades simultâneas no dia a dia, e que às vezes, deixar a criança com um celular (assistindo desenho, jogando ou olhando redes sociais) pode ser um conforto no meio da rotina. No entanto, é fundamental que o tempo de tela seja balanceado com atividades físicas, sociais e de desconexão para evitar sobrecarga.

Quando devo me preocupar?

O uso excessivo de telas pode preocupar os pais. Mas como saber o quanto é demais? Os pais devem considerar fatores como a idade do(a) filho(a), o motivo do uso da tecnologia (como para dever de casa versus jogos ou redes sociais) e as necessidades da criança ou adolescente.

Aqui estão alguns sinais de possíveis problemas:

  • Interferência nas atividades diárias. O uso de telas que atrapalha o preparo para a escola ou a realização de tarefas escolares.
  • Perda de sono. O tempo de tela prejudica o sono, fazendo com que o(a) filho(a) durma mais tarde ou fique cansado(a) e sonolento(a) durante o dia.
  • Problemas comportamentais. Ficar agressivo(a), irritado(a) ou frustrado(a) quando é solicitado que diminua o tempo de tela ou o uso da tecnologia.
  • Problemas emocionais. Sentir-se triste, isolado(a) ou nervoso(a) quando está offline, ou sempre querendo voltar para o online.
  • Problemas sociais. Usar as telas em vez de participar de refeições ou de atividades com família e, principalmente, amigos.
  • Perda de interesse em outras atividades. Perder o interesse em hobbies ou atividades extracurriculares, como esportes, artes ou eventos sociais.
  • Problemas físicos. Sentir dores de cabeça, dores nas costas, dores musculares, vista cansada, síndrome do túnel do carpo, náuseas ou problemas estomacais. Ganho de peso devido à diminuição da atividade física.
  • Negligência das necessidades básicas. Passar muito tempo nas telas sem comer ou usar o banheiro.

Além disso, se houver comportamentos de risco online, como falar com desconhecidos, acessar conteúdos impróprios, ou excesso de jogos, é necessário atenção imediata.

Intervenções precoces ajudam a criança ou adolescente a retomar hábitos mais saudáveis e evitar impactos duradouros na saúde física e emocional.

O que posso fazer para ajudar?

Os pais podem fazer algumas coisas para ajudar crianças e adolescentes que passam muito tempo nas telas:

  1. Seja um exemplo. Mostre um bom comportamento, limitando o seu próprio tempo de tela. As regras da família sobre o uso da Internet e videogames devem ser seguidas por todos.
  2. Limite o tempo de tela. Estabeleça regras sobre quanto tempo de tela é permitido. Por exemplo, crianças menores de dois anos devem assistir ou brincar com supervisão. O uso de telas de crianças mais velhas e adolescentes deve ser limitado conforme suas necessidades. Aprenda sobre controles parentais para ajudar a gerenciar o uso.
  3. Incentive atividades alternativas. Envolva as crianças em atividades sociais e ao ar livre. Incentive-as a convidar amigos(as) para brincar fora de casa.
  4. Retire os dispositivos dos quartos. Desligue as telas cerca de uma hora antes de dormir. Retire os dispositivos dos quartos para evitar tentações. Faça dos quartos “zonas sem telas”.
  5. Oriente o uso digital para segurança online. Aprenda sobre a Internet para orientar seu(sua) filho(a) sobre o que é seguro e apropriado para a idade. Ensine-os(as) sobre privacidade e segurança online.
  6. Preste atenção em outros problemas de saúde mental. O uso excessivo da Internet pode estar relacionado à ansiedade social, depressão ou outros problemas de saúde mental. Também pode agravar esses problemas devido às redes sociais.
  7. Tempo de tela não deve ser uma recompensa. Evite usar o tempo de tela como recompensa ou punição. Isso faz com que as telas se tornem mais atraentes para as crianças.

Mostrar que o uso de telas pode ser saudável, mas precisa de limites, ajuda a criança a desenvolver autocontrole e hábitos equilibrados.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

Não se sinta envergonhado(a) se seu(sua) filho(a) tiver dificuldades com o tempo de tela.

Comece conversando com o(a) pediatra ou médico(a) de família da criança. Esses profissionais podem orientar os primeiros passos e, se necessário, encaminhá-lo(a) para um(a) especialista em saúde mental, como um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra infantil.

Eles podem ajudar crianças e adolescentes a lidar com ansiedade ou dificuldades emocionais associadas ao uso excessivo de telas.

É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.

Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:

  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
  • Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
  • Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.

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