Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD)
O Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD) é um transtorno de saúde mental em crianças e adolescentes que envolve desafiar pais, quebrar regras e apresentar outros problemas de comportamento mais graves.
Todas as crianças se comportam mal de vez em quando, mas crianças com TOD enfrentam dificuldades com seu comportamento de forma frequente. Elas costumam estar irritadas ou com raiva, e os problemas de comportamento tendem a ser mais intensos.
Quais são os sintomas do TOD?
Sintomas principais
Humor irritado ou raivoso:
- Perde a paciência com frequência
- É facilmente incomodado(a) ou se irrita com facilidade
- Costuma estar com raiva ou ressentido(a)
Comportamento argumentativo ou desafiador:
- Discute frequentemente com adultos ou figuras de autoridade
- Costuma desafiar ou se recusar a seguir regras ou pedidos
- Provoca outras pessoas de propósito com frequência
- Costuma culpar os outros por seus erros ou mau comportamento
Comportamento vingativo:
- Demonstra atitudes vingativas ou rancorosas pelo menos duas vezes nos últimos 6 meses
Sintomas associados
- Conflitos frequentes com cuidadores, irmãos e colegas
- Estresse familiar
- Conflitos recorrentes com professores ou outras figuras de autoridade na escola
- Dificuldades nas relações sociais
- Dificuldades no desempenho escolar
Como TOD é diagnosticado?
Um(a) psiquiatra da infância e adolescência pode diagnosticar uma criança com Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD) após avaliar se os sintomas que ela apresenta atendem aos critérios diagnósticos; se esses sintomas estão presentes há pelo menos seis meses; e se estão causando um impacto significativo nas pessoas ao redor da criança ou do adolescente (como familiares, colegas e professores), ou em outras áreas do funcionamento cotidiano (como relações sociais, familiares, escolares, etc.).
O(a) psiquiatra pode avaliar tanto a criança ou adolescente quanto um(a) cuidador(a) para entender melhor os comportamentos apresentados. Muitos profissionais também utilizam formulários de avaliação de comportamentos e emoções como apoio ao diagnóstico. O(a) profissional também buscará verificar se os sintomas não estão relacionados a outra causa inesperada.
Fatos sobre o TOD
Prevalência mundial:
Estima-se que o Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD) esteja presente em cerca de 3,3% da população mundial.
Impacto da condição no Brasil:
Faltam dados nacionalmente representativos de prevalência de TOD em crianças e adolescentes no Brasil. Estudos de abrangência local encontraram prevalências ao redor de 2 a 3% nessa faixa etária.
Proporção entre os sexos:
Os dados indicam que meninos têm maior probabilidade de serem diagnosticados com TOD do que meninas, com uma razão de aproximadamente 1,59 para 1.
Idade mais comum de início:
Estudos mostram que o TOD pode ter dois picos de início: o primeiro por volta dos 3 anos de idade, e o segundo entre os 6 e 7 anos.
Proporção dos casos que surgem antes dos 18 anos:
O TOD geralmente não é diagnosticado em adultos. Por isso, 100% dos casos são diagnosticados antes dos 18 anos de idade.
Quais são os fatores associados ao TOD?
Alguns fatores comuns relacionados ao desenvolvimento do Transtorno Opositivo-Desafiador incluem:
- Fatores genéticos e familiares: a tendência ao TOD provavelmente resulta da combinação de múltiplos genes com fatores ambientais.
- Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): há uma alta sobreposição entre crianças com TDAH que também recebem o diagnóstico de TOD.
- Temperamento: crianças que têm muita dificuldade para se acalmar quando pequenas e continuam tendo dificuldade para lidar com frustração ou decepções podem desenvolver TOD. Os adultos ao redor, muitas vezes, acabam cedendo às suas exigências para evitar conflitos em casa.
- Fatores ambientais: crianças que enfrentaram muitos estresses ou traumas ao longo da vida também têm maior probabilidade de desenvolver TOD.
Quais outros transtornos ocorrem junto com o TOD?
O TOD é comumente diagnosticado junto com o TDAH e também aumenta o risco de outros transtornos de saúde mental, como ansiedade e depressão.
Como o TOD é tratado?
O Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD) é geralmente tratado com programas de treinamento comportamental para cuidadores, terapia familiar, terapia cognitivo-comportamental (TCC) ou uma combinação de psicoterapia e medicação.
Melhorar a relação entre cuidadores e crianças costuma ser uma prioridade no tratamento do TOD. Por isso, os cuidadores têm um papel fundamental nos programas de BPT, que envolvem tanto encontros individuais com os cuidadores quanto sessões conjuntas com cuidadores e crianças. Esses programas ajudam os cuidadores a estabelecer expectativas claras, utilizar elogios eficazes quando as expectativas são atendidas e aplicar consequências adequadas quando as regras não são cumpridas. Técnicas semelhantes também podem ser ensinadas a professores por meio de programas de formação.
As intervenções também ajudam as crianças a aprender a lidar com as emoções e a melhorar seus comportamentos. Há evidências de que outras formas de psicoterapia podem trazer benefícios adicionais, como o treinamento de habilidades sociais, que melhora a relação com colegas; a TCC, em casos de ansiedade ou depressão; e a Terapia Comportamental Dialética (DBT), quando há dificuldades com emoções muito intensas.
Atualmente, não existe uma medicação específica para tratar o TOD, mas algumas medicações podem ajudar com sintomas centrais ou associados. Há evidências de que medicamentos estimulantes (como metilfenidato) e não estimulantes (como atomoxetina) podem reduzir comportamentos opositores e impulsividade. Antidepressivos, como os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs), podem ser usados quando há também sintomas de ansiedade ou depressão. Por fim, alguns antipsicóticos, como a risperidona e o aripiprazol, mostraram eficácia na redução de comportamentos agressivos em crianças com TOD.
Embora possam causar efeitos colaterais, essas medicações são consideradas seguras para uso infantil quando acompanhadas de forma adequada por um(a) médico(a) e com supervisão próxima dos cuidadores. Crianças e adolescentes que utilizam essas medicações devem ser acompanhados regularmente, especialmente em períodos de ajuste de dose.
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