Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)

Young Indian silent woman sit on sofa and looking out window to big city view, feel lonely, having strong sense of homesick, recall, remembering past life or wait for someone. Life troubles, solitude

Crianças e adolescentes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) apresentam pensamentos, preocupações ou impulsos indesejados, chamados de obsessões, que causam sofrimento intenso e são difíceis de controlar.

Frequentemente, desenvolvem ações repetitivas, compulsões, como forma de aliviar a ansiedade provocada pelas obsessões. Em pacientes pediátricos, essas compulsões podem ocorrer mesmo quando as obsessões não são evidentes.

As compulsões muitas vezes não têm uma relação lógica com o conteúdo obsessivo. Por exemplo, uma criança pode ter medo obsessivo de que seus pais sofram um acidente de carro e, como forma de prevenir esse evento, acender e apagar a luz cinco vezes.

Mesmo reconhecendo que o comportamento é irracional, ela sente que o ritual protegerá seus pais, uma forma de pensamento mágico.

Quais são os sintomas do TOC?

Crianças e adolescentes com TOC geralmente apresentam tanto obsessões quanto compulsões. Eles utilizam as compulsões para controlar a ansiedade causada pelas obsessões.

Os sintomas específicos incluem:

Obsessões

  • Obsessões são pensamentos, imagens ou impulsos frequentes e repetitivos que as crianças podem experimentar. Elas podem interromper atividades diárias e frequentemente geram sentimentos de ansiedade, angústia, e a pessoa deseja que cessem.
  • Além de pensamentos, as obsessões podem se manifestar por meio de imagens vívidas de situações que as crianças temem ou situações específicas que as perturbam. Essas imagens, como a visão de um acidente ou algo terrível acontecendo, causam grande angústia.
  • As pessoas tentam suprimir ou ignorar esses pensamentos, imagens ou impulsos, ou neutralizá-los com outros pensamentos ou comportamentos.

Obsessões comuns:

  • Pensamentos sobre estar sujo ou “contaminado” por germes, sujeira, vômito, produtos químicos, etc.
  • Necessidade de simetria ou perfeição.
  • Preocupação excessiva com segurança, como a ideia de que a casa pode pegar fogo ou que um dos pais pode se machucar.
  • Medos de fazer algo violento ou terrível.

Compulsões

  • Comportamentos repetitivos (como contar, rezar, repetir palavras ou frases mentalmente) ou ações (como verificar ou lavar as mãos) que a pessoa sente que deve realizar em resposta a uma obsessão ou seguindo regras rígidas.
  • O objetivo das ações repetitivas é reduzir ou prevenir a ansiedade ou evitar um evento temido, embora esses comportamentos não tenham uma relação lógica com o que tentam evitar ou prevenir.

Compulsões comuns:

  • Lavar as mãos repetidamente.
  • Trancar, destrancar e trancar novamente as portas um número específico de vezes.
  • Alinhar objetos ou tocar partes do corpo de forma simétrica, como coçar as duas orelhas.
  • Contar um número específico de vezes ou repetir algo mentalmente.
  • Pedir repetidas garantias aos pais de que algo ruim não acontecerá.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico de TOC em crianças e adolescentes é realizado por um(a) psiquiatra especializado em infância e adolescência. Ele(a) verifica se as obsessões e/ou compulsões atendem aos critérios diagnósticos e causam sofrimento significativo ou prejuízos no funcionamento diário (por exemplo, social, escolar, etc.).

Além de uma entrevista e avaliação clínica com a criança e/ou seus cuidadores, muitos profissionais utilizam questionários e escalas padronizadas, como o Leyton Obsessional Inventory (LOI) e a Children’s Yale-Brown Obsessive Compulsive Scale (CY-BOCS), para auxiliar no diagnóstico. O(a) profissional também busca garantir que os sintomas não sejam decorrentes de outra condição médica.

Fatos sobre o TOC

Prevalência mundial O TOC está presente entre 1,1% e 1,8% da população mundial.

Impacto da condição no Brasil Faltam dados nacionalmente representativos de prevalência de TOC em crianças e adolescentes no Brasil. Estudos de abrangência local encontraram prevalências variadas, de 0.1% a 3,2% nessa faixa etária.

Proporção entre os sexos Os dados comparativos entre homens e mulheres variam muito dependendo da gravidade e da variedade de sintomas obsessivos ou compulsivos. Em geral, meninos têm mais chance de receber o diagnóstico durante a infância, enquanto meninas tendem a apresentar TOC com mais frequência na adolescência tardia e depois.

Idade mais comum de início A idade de pico para início do TOC é estimada em 14,5 anos. Esse número é semelhante à idade de pico para o início de transtornos obsessivo-compulsivos em geral, que também é de 14,5 anos.

Proporção dos casos que surgem antes dos 18 anos Segundo dados recentes, 45,1% das pessoas com TOC recebem o diagnóstico antes dos 18 anos de idade. Esse número é semelhante ao de transtornos obsessivo-compulsivos em geral, em que a proporção também é de 45,1%.

Quais fatores estão associados ao TOC?

Vários fatores de risco estão implicados no desenvolvimento do TOC:

  • Genética e hereditariedade: Há uma interação entre múltiplos genes e fatores ambientais.
  • Complicações na gestação: Como o uso de tabaco pela mãe.
  • Fatores ambientais: Incluem eventos estressantes, abuso, traumas e superproteção parental.
  • Infecções e resposta imune: O Pediatric Acute-onset Neuropsychiatric Syndrome (PANS) e o PANDAS (um subtipo de PANS causado por infecção estreptocócica) são associados a sintomas abruptos de TOC, tiques e mudanças de humor.

Quais condições frequentemente coexistem com o TOC?

Crianças e adolescentes com TOC podem apresentar comorbidades com outros transtornos de saúde mental, incluindo:

  • Transtornos de ansiedade (por exemplo, Transtorno de Ansiedade Generalizada [TAG], Transtorno de Ansiedade Social, Transtorno de Pânico, Transtorno de Ansiedade de Separação, etc.);
  • Transtornos depressivos;
  • Transtornos de tiques, como a Síndrome de Tourette.

Como o TOC é tratado

O TOC costuma ser tratado com psicoterapia ou com uma combinação de psicoterapia e medicação. Cuidadores e outros membros da família são uma parte importante do tratamento, pois podem ajudar crianças e adolescentes a praticarem as habilidades aprendidas na terapia.

Também é importante envolver familiares na terapia para TOC, já que, sem querer, eles podem acabar reforçando os sintomas da criança ao oferecerem garantias frequentes ou participarem de comportamentos ritualísticos (como limpezas).

O tratamento mais eficaz para casos leves e moderados de TOC é a terapia cognitivo-comportamental (TCC), especialmente a técnica de TCC chamada exposição e prevenção de resposta (ERP).

Nessa abordagem, o terapeuta expõe a criança ou o adolescente, de forma gradual e segura, a pequenas doses do que geralmente desencadeia sua obsessão.

Assim, a criança pratica lidar com sua ansiedade em um ambiente controlado. Em seguida, o terapeuta a ajuda a resistir ao impulso de realizar sua compulsão. Com o tempo, a criança passa a se sentir menos ansiosa e a não depender mais da compulsão. Crianças com TOC frequentemente retornam ao seu profissional após o término do tratamento para sessões de reforço, com o objetivo de relembrar as estratégias que aprenderam para controlar os sintomas.

Crianças e adolescentes com TOC costumam responder bem a certos antidepressivos chamados inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs). Esses incluem fluoxetina, sertralina, citalopram, escitalopram, paroxetina e fluvoxamina. Outros medicamentos, como a clomipramina e os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSNs), como duloxetina e venlafaxina, também têm sido usados no tratamento do TOC, mas há menos evidências sobre sua eficácia em crianças.

Os medicamentos podem causar efeitos colaterais, mas são seguros para crianças quando usados com o monitoramento adequado do psiquiatra da infância e adolescência e com a supervisão próxima dos cuidadores. Crianças e adolescentes que estejam usando esses medicamentos devem consultar seu médico regularmente, especialmente se a dosagem tiver sido alterada recentemente.

Também deve ser considerada a combinação entre TCC e ISRSs, já que alguns estudos mostram que essa abordagem combinada é mais eficaz do que qualquer um dos tratamentos isoladamente em crianças e adolescentes.

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