O Transtorno do Pânico é um transtorno de ansiedade em que crianças têm crises repentinas de ansiedade chamadas de “ataques de pânico”. Esses ataques envolvem sintomas específicos, como batimentos cardíacos acelerados, suor, tontura, falta de ar e náusea. Às vezes, a pessoa pode até sentir que está morrendo.

Esses sintomas geralmente duram cerca de 10 minutos e costumam surgir a partir de sentimentos de medo e de uma vontade forte de sair do lugar ou da situação em que o ataque começou.

Crianças que já tiveram ataques de pânico muitas vezes associam essas experiências a determinados lugares ou situações e ficam ansiosas com a possibilidade de ter outro ataque no mesmo local.

O medo de ter outro ataque de pânico pode causar um novo episódio, por isso crianças com Transtorno do Pânico tendem a evitar os lugares onde já passaram por isso.

Quais são os sintomas do Transtorno do Pânico?

O Transtorno do Pânico envolve ataques de pânico repetidos e inesperados. Entre os ataques, a pessoa fica constantemente preocupada com a possibilidade de ter outro episódio e/ou muda seus comportamentos ou atividades para evitar que isso aconteça.

Os sintomas específicos de um ataque de pânico incluem:

Sintomas principais de um ataque de pânico

  • Palpitações ou batimentos cardíacos acelerados
  • Suor
  • Tremores ou agitação
  • Falta de ar ou sensação de sufocamento
  • Sensação de estar engasgado
  • Dor ou desconforto no peito
  • Náusea ou desconforto abdominal
  • Tontura, desequilíbrio, sensação de desmaio ou cabeça leve
  • Calafrios ou ondas de calor
  • Dormência ou formigamento
  • Sensação de estar desconectado de si mesmo ou de que as coisas não são reais
  • Medo de perder o controle ou “enlouquecer”
  • Medo de morrer

Como o Transtorno do Pânico é diagnosticado?

Um(a) psiquiatra da infância e adolescência pode diagnosticar uma criança ou adolescente com Transtorno do Pânico após identificar:

  • que suas preocupações e/ou comportamentos de evitação estão ligados a uma situação ou lugar específico;
  • que há dificuldade para controlar os pensamentos ou sentimentos relacionados aos sintomas, à situação ou ao evento;
  • que os sintomas duram há pelo menos um mês; e que esses sintomas causam prejuízos significativos em outras áreas da vida cotidiana (como relações sociais, familiares, escolares, etc.).

O(a) psiquiatra pode avaliar tanto a criança ou adolescente quanto um(a) cuidador(a) para entender melhor a origem e as características do sofrimento. Também pode usar formulários de avaliação de comportamentos e emoções para ajudar no diagnóstico.

O(a) profissional buscará ainda confirmar que o sofrimento da criança ou adolescente não está relacionado a outro fator inesperado.

Fatos sobre o Transtorno do Pânico

Prevencia mundial:

Estima-se que o Transtorno do Pânico esteja presente em 2% a 3% da população mundial. Transtornos de Ansiedade, de forma geral, afetam cerca de 6,5% da população global.

Impacto da condição no Brasil:

Apesar de dados limitados, a estimativa de prevalência de transtornos de ansiedade no Brasil é de 2.9% em crianças (5-9 anos) e 8.6% em adolescentes (10-19 anos). Transtorno do Pânico é um tipo de transtorno de ansiedade, e em relação a ele isoladamente, não há dados nacionalmente representativos.

Proporção entre os sexos:

Dados indicam que o Transtorno do Pânico é diagnosticado com mais frequência em meninas/mulheres do que em meninos/homens, com uma razão estimada de 2:1.

Idade mais comum de início:

A idade mais comum de início do Transtorno do Pânico é estimada em 15,5 anos.

Proporção dos casos que surgem antes dos 18 anos:

Segundo dados recentes, 75,0% das pessoas com Transtorno do Pânico já terão sido diagnosticadas até os 18 anos de idade.

Quais são os fatores associados ao Transtorno do Pânico?

Alguns fatores comuns ligados ao Transtorno do Pânico incluem:

  • Fatores genéticos e familiares: a tendência a desenvolver um transtorno de ansiedade provavelmente resulta da combinação de múltiplos genes com fatores ambientais.
  • Histórico de asma.
  • Fatores ambientais: estressores nos meses que antecedem o primeiro ataque de pânico (por exemplo, experiências negativas com drogas, doenças, luto), adversidades (como exposição prévia a traumas), poucos recursos econômicos e tabagismo.
  • Temperamento: inclui sensibilidade à ansiedade, evitação de dano e inibição comportamental.

Quais outros transtornos ocorrem junto com o Transtorno do Pânico?

Embora cada criança e adolescente seja diferente, indivíduos que atendem aos critérios para Transtorno do Pânico também podem apresentar outros transtornos de ansiedade, depressão e transtornos bipolares.

Como o Transtorno do Pânico é tratado?

O Transtorno do Pânico é geralmente tratado com psicoterapia ou com a combinação de psicoterapia e medicação. Cuidadores e outros membros da família são parte importante do tratamento, pois podem ajudar crianças e adolescentes a praticarem as estratégias aprendidas na terapia.

Existem diferentes abordagens terapêuticas eficazes para tratar os sintomas do Transtorno do Pânico, mas a que tem mais evidências científicas é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). A TCC inclui diversas técnicas cognitivas e comportamentais. Uma dessas técnicas é chamada de exposição interoceptiva.

Nela, o terapeuta convida a criança ou adolescente a realizar exercícios que imitam os sintomas físicos (por exemplo, hiperventilação, aumento da frequência cardíaca) que costumam desencadear ansiedade ou pânico, começando de forma leve e gradual. Quando a criança ou adolescente se sente desconfortável, o terapeuta ensina formas de pensar e lidar com o medo desses sintomas. Esse processo é repetido com exercícios cada vez mais desafiadores.

Outros componentes da TCC ajudam a reduzir o medo que leva à evitação de situações que lembram ataques de pânico. Com o tempo, ao mudar seus comportamentos, a ansiedade tende a diminuir.

Crianças e adolescentes com Transtorno do Pânico costumam responder bem a certos antidepressivos chamados inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs), como fluoxetina, sertralina, citalopram, escitalopram e paroxetina. Outros medicamentos, como os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSNs) — por exemplo, duloxetina e venlafaxina — também são eficazes para reduzir a ansiedade nessa faixa etária.

Benzodiazepínicos (como clonazepam e diazepam) e antidepressivos tricíclicos (como amitriptilina e clomipramina) não são eficazes em crianças e adolescentes e não devem ser utilizados. As medicações podem ter efeitos colaterais, mas são consideradas seguras para crianças quando há acompanhamento médico e supervisão dos cuidadores. A criança ou adolescente que fizer uso dessas medicações deve ser acompanhado regularmente pelo(a) médico(a), especialmente em períodos de ajuste de dose.

A combinação de TCC com ISRSs ou IRSNs também pode ser considerada, pois alguns estudos indicam que a combinação dos dois tratamentos pode ser mais eficaz do que o uso isolado de cada um.

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Clinical description, symptoms, and diagnostic information

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