Transtorno Disruptivo da Desregulação do Humor (TDDH)

O Transtorno Disruptivo da Desregulação do Humor (TDDH) é uma condição em que a criança apresenta irritabilidade persistente e explosões de raiva frequentes e intensas, desproporcionais à situação. Crianças com TDDH têm dificuldade significativa em regular suas emoções, diferentemente de outras da mesma faixa etária.

O TDDH é um diagnóstico relativamente novo, criado para categorizar melhor crianças que, anteriormente, recebiam o diagnóstico de transtorno bipolar pediátrico. Diferentemente do transtorno bipolar, o comportamento no TDDH é cronicamente disfuncional e não ocorre em episódios.

Quais são os sintomas?

Os sintomas específicos do TDDH incluem:

Sintomas centrais:

  • Explosões de raiva verbais e/ou comportamentais intensas (por exemplo, gritos, agressividade física) desproporcionais à situação.
  • As explosões não são consideradas esperadas para a faixa etária da criança.
  • As crises ocorrem três ou mais vezes por semana.
  • Entre os episódios, o humor da criança é persistentemente irritável ou raivoso durante a maior parte do dia.

Como o TDDH é diagnosticado?

O diagnóstico de TDDH é feito por um(a) psiquiatra da infância e adolescência após verificar se os sintomas atendem aos critérios formais, ocorrem com a frequência exigida e causam prejuízo significativo na vida diária da criança (por exemplo, em contextos sociais, acadêmicos, familiares).

O profissional pode avaliar tanto a criança quanto o(a) cuidador(a), a fim de obter uma descrição detalhada dos sintomas verbais e comportamentais. Muitos clínicos também utilizam escalas padronizadas de comportamento e regulação emocional como apoio diagnóstico. Além disso, o especialista buscará descartar a presença de outras condições que possam explicar melhor os sintomas observados.

DMDD Facts

Dados sobre o TDDH

Prevalência mundial: Estima-se que o TDDH afete entre 0,08% e 3,3% da população mundial. Atualmente, não há dados nacionais representativos no Brasil.

Distribuição entre os sexos: Os dados disponíveis indicam que meninos são diagnosticados com TDDH em uma proporção de 3 para 1 em relação às meninas.

Idade mais comum de início: A maior parte dos diagnósticos de TDDH ocorre na faixa pré-escolar, sendo este o período de início mais frequente.

Proporção de casos que surgem antes dos 18 anos: O TDDH deve necessariamente ter início antes dos 10 anos de idade. Portanto, 100% das pessoas com TDDH recebem o diagnóstico antes dos 18 anos.

Quais fatores estão associados ao TDDH?

Fatores frequentemente associados ao TDDH incluem:

  • Fatores genéticos e familiares: Provavelmente resultado da interação de múltiplos genes com fatores ambientais.
  • Fatores ambientais: Experiências adversas precoces, como negligência ou abuso, bem como cuidadores com transtornos mentais, podem contribuir significativamente.

Quais outros transtornos ocorrem em comorbidade com o TDDH?

As taxas de comorbidade no TDDH são elevadas, sendo raro que o diagnóstico ocorra isoladamente. Crianças e adolescentes com TDDH frequentemente apresentam sintomas ou diagnósticos concomitantes de transtornos de comportamento disruptivo, transtornos do humor, transtornos de ansiedade e do espectro do autismo.

Como o TDDH é tratado?

O objetivo do tratamento do TDDH é ajudar a criança ou adolescente a desenvolver maior capacidade de regulação emocional e reduzir as explosões de raiva. A abordagem terapêutica inclui psicoterapia e, em alguns casos, o uso de medicação. Como o TDDH é uma condição relativamente nova, grande parte das evidências de tratamento deriva de pesquisas com transtornos comórbidos, como ansiedade e depressão.

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens mais utilizadas, voltada para ajudar a criança ou adolescente a lidar melhor com o humor, desenvolver estratégias de enfrentamento e reestruturar pensamentos que contribuem para os episódios de desregulação.

O Treinamento Parental também é frequentemente indicado, com o objetivo de capacitar cuidadores a responder de forma mais eficaz ao comportamento irritável e melhorar as relações familiares.

Nos casos em que a psicoterapia não é viável ou não é suficiente, podem ser prescritas medicações para ajudar no controle emocional, especialmente quando há comorbidades associadas. Os medicamentos mais frequentemente utilizados incluem:

  • Antidepressivos (com destaque para o escitalopram, o mais estudado nesse contexto),
  • Psicoestimulantes (como o metilfenidato),
  • Antipsicóticos atípicos (como aripiprazol e risperidona).

Essas medicações podem apresentar efeitos colaterais, mas são consideradas seguras para uso pediátrico sob monitoramento adequado por um(a) médico(a) e com supervisão cuidadosa dos cuidadores. Crianças ou adolescentes em uso dessas medicações devem realizar acompanhamento regular com um(a) psiquiatra da infância e adolescência, especialmente após alterações recentes de dose.

Referências

Clinical description, symptoms, and diagnostic information

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