Transtorno de Conduta (TC)

O Transtorno de Conduta é um transtorno de saúde mental que pode afetar crianças e adolescentes. Crianças e adolescentes com esse transtorno costumam machucar outras pessoas e agir de forma prejudicial. Elas podem ser cruéis, violentas e demonstrar pouco ou nenhum cuidado com os sentimentos dos outros. Esse tipo de comportamento vai muito além de provocações ou reações impulsivas comuns.

Praticar bullying, machucar animais e mentir sem motivo são sinais do Transtorno de Conduta. Em crianças mais novas, ele pode começar com empurrões, socos e mordidas. Em crianças mais velhas ou adolescentes, pode envolver comportamentos violentos mais graves e/ou ações como roubo, destruição de objetos e até incendiar coisas.

Todas as crianças e adolescentes têm comportamentos desafiadores de vez em quando, mas o Transtorno de Conduta só é diagnosticado quando esses comportamentos extremos acontecem por um longo período e não estão ligados apenas ao ambiente da criança.

Quais são os sintomas do Transtorno de Conduta?

O Transtorno de Conduta é diagnosticado quando uma criança ou adolescente apresenta um padrão persistente e repetitivo de comportamentos que violam normas sociais, regras ou os direitos básicos de outras pessoas. Esses comportamentos causam prejuízos significativos na vida social, escolar ou cotidiana. Os sintomas específicos incluem:

Sintomas principais

Comportamento agressivo com pessoas ou animais:

  • Intimidar, ameaçar ou agredir outras pessoas com frequência
  • Iniciar brigas físicas com frequência
  • Ter usado uma arma que possa causar danos graves a outras pessoas
  • Ser fisicamente cruel com outras pessoas
  • Ser fisicamente cruel com animais
  • Ter roubado algo em situação de confronto (por exemplo, assalto, roubo, extorsão)
  • Ter forçado alguém a uma atividade sexual

Destruição de propriedade:

  • Colocar fogo de propósito para causar danos
  • Destruir objetos ou propriedades de outras pessoas intencionalmente

Engano ou roubo:

  • Invadir casas, prédios ou veículos
  • Mentir com frequência para conseguir vantagens, favores ou evitar responsabilidades
  • Roubar objetos sem confronto direto com a vítima (por exemplo, furto em loja, invasão de residência, falsificação)

Violações graves de regras:

  • Sair de casa à noite sem permissão dos pais, começando antes dos 13 anos
  • Fugir de casa pelo menos duas vezes, sendo uma delas sem retornar por um longo período
  • Faltar à escola com frequência, começando antes dos 13 anos

Como o Transtorno de Conduta é diagnosticado?

O Transtorno de Conduta é diferente de comportamentos desafiadores ou impulsivos, que muitas crianças apresentam em algum momento. Para que o diagnóstico seja feito, crianças e adolescentes precisam apresentar os sintomas por vários meses.

Antes de confirmar o diagnóstico, um(a) psiquiatra da infância e adolescência irá avaliar se esses comportamentos extremos podem ser uma reação a problemas em casa ou em outros contextos. Para que o diagnóstico seja considerado, o prazer da criança e adolescente em causar dor ou sofrimento precisa parecer vir de algo interno, e não apenas de influências externas.

O diagnóstico é feito por um(a) psiquiatra da infância e adolescência após verificar se os sintomas atendem aos critérios diagnósticos e se estão causando um impacto significativo na vida cotidiana. Essa avaliação pode incluir conversas com cuidadores, professores e com a própria criança ou adolescente, além do uso de formulários que avaliam comportamentos e emoções para apoiar o diagnóstico.

Fatos sobre o Transtorno de Conduta

Prevalência mundial:

As estimativas para o Transtorno de Conduta variam entre 2% e 10%. Para crianças e adolescentes, a prevalência é de cerca de 2%.

Impacto da condição no Brasil:

Apesar de dados limitados, a prevalência estimada de transtornos de conduta no Brasil é de 1.2% em crianças (5-9 anos) e 2.9% em adolescentes (10-19 anos).

Proporção entre os sexos:

Os dados sugerem que os meninos têm maior probabilidade de serem diagnosticados com Transtorno de Conduta do que as meninas, com uma razão entre 1,5:1 e 2:1.

Idade mais comum de início:

Não há dados recentes específicos sobre o início do Transtorno de Conduta. No entanto, adolescentes que não apresentaram sintomas antes dos 10 anos e que receberam o diagnóstico de “início na adolescência” são mais comuns do que as crianças que recebem o diagnóstico de “início na infância”.

Proporção dos casos que surgem antes dos 18 anos:

O Transtorno de Conduta não é diagnosticado em adultos. Portanto, quase 100% das pessoas com Transtorno de Conduta serão diagnosticadas antes de completarem 18 anos.

Quais são os fatores associados ao Transtorno de Conduta?

Vários fatores aumentam o risco de uma pessoa desenvolver Transtorno de Conduta:

  • Fatores genéticos e familiares: A tendência para o Transtorno de Conduta provavelmente resulta da combinação de múltiplos genes interagindo com fatores ambientais. Ter um familiar próximo, como um pai ou irmão, com Transtorno de Conduta aumenta o risco. Além disso, ter um pai biológico que abuse de álcool ou tenha depressão, TDAH, transtorno bipolar ou esquizofrenia.
  • Complicações no nascimento.
  • Temperamento.
  • Traços de personalidade emergentes.
  • Fatores ambientais: Estresse materno, tabagismo, abuso de álcool ou substâncias. Disciplina severa ou inconsistente, conflitos entre pais e filhos, bem como violência comunitária, baixo status socioeconômico ou pobreza, também podem contribuir. Experiências de abuso ou negligência, incluindo desnutrição, ser vítima de bullying ou ter amigos que incentivam comportamentos negativos.

Quais outros transtornos ocorrem junto com o Transtorno de Conduta?

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD) são comumente encontrados junto com o Transtorno de Conduta. Ele também pode ocorrer em conjunto com dificuldades de aprendizagem, transtornos de ansiedade, transtornos depressivos, transtornos bipolares e/ou transtornos relacionados ao abuso de substâncias.

Como o Transtorno de Conduta é tratado?

O Transtorno de Conduta é difícil de tratar, mas o tratamento pode ser eficaz se a família, os amigos e os professores da criança se envolverem. O tratamento tende a ser mais eficaz quando começa quando a criança ainda é jovem.

Na terapia para o Transtorno de Conduta, a criança aprende maneiras mais saudáveis de interagir com os outros. Ao mesmo tempo, a família e o sistema de apoio aprendem formas de se comunicar com ela. Crianças ou adolescentes com Transtorno de Conduta geralmente permanecem em psicoterapia ou terapia comportamental por um longo período.

Em crianças mais novas, a terapia geralmente envolve ensinar os pais a incentivar comportamentos positivos. Em adolescentes, a terapia também pode focar nas relações do adolescente com amigos, outros colegas e adultos na escola (ou seja, professores e diretores).

Não há medicação especificamente para o Transtorno de Conduta. No entanto, algumas crianças também podem ter outros transtornos, como depressão ou TDAH. Tratar esses outros transtornos com medicação pode ajudar a tornar a terapia para o Transtorno de Conduta mais eficaz.

Referências

Clinical description, symptoms, and diagnostic information

– American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: Fifth Edition Text Revision DSM-5-TR. American Psychiatric Association Publishing, Washington, DC.

– Child Mind Institute. (2021, September 7). Quick guide to Conduct Disorder. _https://childmind.org/guide/quick-guide-to-conduct-disorder/_

– Miller, G. (2021, October 5). What Is Conduct Disorder? _https://childmind.org/article/what-is-conduct-disorder/_

– World Health Organization. (2022, February). ICD-11 for mortality and morbidity statistics. 6C91 Conduct-Dissocial Disorder. _https://icd.who.int/browse11/l-m/en#/http%3a%2f%2fid.who.int%2ficd%2fentity%2f719572464_

Facts

– American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: Fifth Edition Text Revision DSM-5-TR. American Psychiatric Association Publishing, Washington, DC.

– Konrad, K., Kohls, G., Baumann, S., et al. (2022). Sex differences in psychiatric comorbidity and clinical presentation in youths with conduct disorder. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 63(2), 218–228. _https://doi.org/10.1111/jcpp.13428_

– Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME). (2019). GBD Compare Data Visualization. Seattle, WA: IHME, University of Washington. Available from _http://vizhub.healthdata.org/gbd-compare_. (Accessed 11/15/2022)

– Kerekes, N., Lundström, S., Chang, Z., et al. (2014). Oppositional defiant- and conduct disorder-like problems: Neurodevelopmental predictors and genetic background in boys and girls, in a nationwide twin study. PeerJ, 2, e359. _https://doi.org/10.7717/peerj.359_

– Mohammadi, M.-R., Salmanian, M., & Keshavarzi, Z. (2021). The Global Prevalence of Conduct Disorder: A Systematic Review and Meta-Analysis. Iranian Journal of Psychiatry. _https://doi.org/10.18502/ijps.v16i2.5822_

– Polanczyk, G. V., Salum, G. A., Sugaya, L. S., Caye, A., & Rohde, L. A. (2015). Annual research review: A meta-analysis of the worldwide prevalence of mental disorders in children and adolescents. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 56(3), 345–365. _https://doi.org/10.1111/jcpp.12381_

– Sacco, R., Camilleri, N., Eberhardt, J., Umla-Runge, K., & Newbury-Birch, D. (2022). A systematic review and meta-analysis on the prevalence of mental disorders among children and adolescents in Europe. European Child & Adolescent Psychiatry. _https://doi.org/10.1007/s00787-022-02131-2_

– Wu, J., Chen, L., Li, X., et al. (2022). Trends in the prevalence of conduct disorder from 1990 to 2019: Findings from the Global Burden of Disease Study 2019. Psychiatry Research, 317, 114907. _https://doi.org/10.1016/j.psychres.2022.114907_

Associated factors

– American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: Fifth Edition Text Revision DSM-5-TR. American Psychiatric Association Publishing, Washington, DC.

– Azeredo, A., Moreira, D., & Barbosa, F. (2018). ADHD, CD, and ODD: Systematic review of genetic and environmental risk factors. Research in Developmental Disabilities, 82, 10–19. _https://doi.org/10.1016/j.ridd.2017.12.010_

– Karwatowska, L., Russell, S., Solmi, F., et al. (2020). Risk factors for disruptive behaviours: Protocol for a systematic review and meta-analysis of quasi-experimental evidence. BMJ Open, 10(9), e038258. _https://doi.org/10.1136/bmjopen-2020-038258_

– Kendler, K. S. (2013). What psychiatric genetics has taught us about the nature of psychiatric illness and what is left to learn. Molecular Psychiatry, 18(10), 1058–1066. _https://doi.org/10.1038/mp.2013.50_

– Maniglio, R. (2015). Significance, Nature, and Direction of the Association Between Child Sexual Abuse and Conduct Disorder: A Systematic Review. Trauma, Violence, & Abuse, 16(3), 241–257. _https://doi.org/10.1177/1524838014526068_

– Maniglio, R. (2014). Prevalence of Sexual Abuse Among Children with Conduct Disorder: A Systematic Review. Clinical Child and Family Psychology Review, 17(3), 268–282. _https://doi.org/10.1007/s10567-013-0161-z_

– Yockey, R. A., King, K. A., & Vidourek, R. A. (2021). Family factors and parental correlates to adolescent conduct disorder. Journal of Family Studies, 27(3), 356–365. _https://doi.org/10.1080/13229400.2019.1604402_

Co-occurring disorders

– American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: Fifth Edition Text Revision DSM-5-TR. American Psychiatric Association Publishing, Washington, DC.

– Bevilacqua, L., Hale, D., Barker, E. D., & Viner, R. (2018). Conduct problems trajectories and psychosocial outcomes: A systematic review and meta-analysis. European Child & Adolescent Psychiatry, 27(10), 1239–1260. _https://doi.org/10.1007/s00787-017-1053-4_

– Zavaglia, E., & Bergeron, L. (2017). Systematic review of comorbidity between DSM disorders and depression according to age and sex in youth. Canadian Psychology / Psychologie Canadienne, 58(2), 124–139. _https://doi.org/10.1037/cap0000085_

Interventions

– Bakker, M. J., Greven, C. U., Buitelaar, J. K., & Glennon, J. C. (2017). Practitioner Review: Psychological treatments for children and adolescents with conduct disorder problems – a systematic review and meta-analysis. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 58(1), 4–18. _https://doi.org/10.1111/jcpp.12590_

– Battagliese, G., Caccetta, M., Luppino, O. I., Baglioni, C., Cardi, V., Mancini, F., & Buonanno, C. (2015). Cognitive-behavioral therapy for externalizing disorders: A meta-analysis of treatment effectiveness. Behaviour Research and Therapy, 75, 60–71. _https://doi.org/10.1016/j.brat.2015.10.008_

– Boldrini, T., Ghiandoni, V., Mancinelli, E., Salcuni, S., & Solmi, M. (2023). Systematic Review and Meta-analysis: Psychosocial Treatments for Disruptive Behavior Symptoms and Disorders in Adolescence. Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, 62(2), 169–189. _https://doi.org/10.1016/j.jaac.2022.05.002_

– Fairchild, G., Hawes, D. J., Frick, P. J., Copeland, W. E., Odgers, C. L., Franke, B., Freitag, C. M., & De Brito, S. A. (2019). Conduct disorder. Nature Reviews Disease Primers, 5(1), 43. _https://doi.org/10.1038/s41572-019-0095-y_

– Karukivi, J., Herrala, O., Säteri, E., Tornivuori, A., Salanterä, S., Aromaa, M., Kronström, K., & Karukivi, M. (2021). The Effectiveness of Individual Mental Health Interventions for Depressive, Anxiety and Conduct Disorder Symptoms in School Environment for Adolescents Aged 12–18—A Systematic Review. Frontiers in Psychiatry, 12, 779933. _https://doi.org/10.3389/fpsyt.2021.779933_

– Pringsheim, T., Hirsch, L., Gardner, D., & Gorman, D. A. (2015). The pharmacological management of oppositional behaviour, conduct problems, and aggression in children and adolescents with Attention-Deficit Hyperactivity Disorder, Oppositional Defiant Disorder, and Conduct Disorder: A systematic review and meta-analysis. Part 1: Psychostimulants, alpha-2 agonists, and atomoxetine. The Canadian Journal of Psychiatry, 60(2), 42–51. _https://doi.org/10.1177/070674371506000202_

– Riise, E. N., Wergeland, G. J. H., Njardvik, U., & Öst, L.-G. (2021). Cognitive behavior therapy for externalizing disorders in children and adolescents in routine clinical care: A systematic review and meta-analysis. Clinical Psychology Review, 83, 101954. _https://doi.org/10.1016/j.cpr.2020.101954_

Guias de Bolso

Transtorno de Conduta (TC)

Onde encontrar
mais informações

Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.

O que você
achou dos guias?

Conte pra gente o que você achou dos guias! Sua opinião pode nos ajudar a melhorá-los. Existe algum tema que você procurou e não achou?

Eu sou: