Ter problemas com a imagem do próprio corpo

Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.

Algumas crianças e adolescentes desenvolvem uma preocupação intensa e persistente com a própria aparência, acreditando que existe um defeito sério em uma ou mais partes do corpo, mesmo que os outros não percebam nada de incomum.

Essa percepção muitas vezes é distorcida: o que o jovem vê no espelho não corresponde à realidade. Esse problema não se trata de vaidade exagerada, mas de uma alteração na forma como a mente interpreta a imagem corporal.

Esse comportamento não é apenas uma preocupação estética, pois provoca sofrimento emocional real e pode prejudicar a vida social, escolar e familiar.

O que é imagem corporal?

Imagem corporal é o jeito como alguém vê e sente o próprio corpo, tanto ao se olhar no espelho quanto ao pensar sobre si mesmo. Envolve emoções, pensamentos e crenças sobre a aparência. Essa imagem pode ser positiva ou negativa e nem sempre combina com o que os outros veem.

Por que a imagem corporal importa

A forma como uma criança ou adolescente se sente em relação ao próprio corpo afeta diretamente a autoestima, o humor e até os comportamentos alimentares.

Hoje, com as redes sociais e a valorização exagerada da aparência, muitos jovens sentem pressão para ter determinado tipo de corpo. Quando não correspondido, isso pode gerar sofrimento e baixa autoestima.

O que é esperado?

Muitas crianças e quase todos os adolescentes se preocupam com a aparência. É comum que adolescentes fiquem mais atentos ao que vêem no espelho. Eles estão passando por mudanças físicas, convivendo mais com colegas e consumindo conteúdo online.

Alguns querem experimentar roupas diferentes, maquiagem ou musculação. Isso faz parte do crescimento. Embora algum nível de insatisfação é esperado, quando há foco excessivo na aparência e tentativas constantes de mudá-la, isso exige atenção.

Quando devo me preocupar?

Algumas crianças e adolescentes têm visões irreais sobre seus corpos. Quem tem uma imagem corporal negativa pode esconder seus pensamentos ou falar o tempo todo sobre o que não gosta na aparência. Ambos os comportamentos podem ser prejudiciais. Cuidadores devem observar se a criança ou o adolescente parece muito focado na própria aparência. Essas pessoas podem ter uma percepção muito diferente da que os outros têm. Comentários positivos da família ou amigos podem não ser suficientes para mudar isso. Observe se seu(sua) filho(a):

  • Fala mal do próprio corpo com frequência;
  • Está sempre tentando esconder partes do corpo;
  • Se compara o tempo todo com outras pessoas;
  • Passa muito tempo se olhando no espelho ou em fotos;
  • Parece nunca estar satisfeito(a) com a própria aparência;
  • Usa suplementos ou esteroides sem indicação médica;
  • Faz exercícios físicos de forma excessiva ou para mudar o corpo rapidamente;
  • Tem autoestima muito baixa ou se sente inferior por causa do corpo.

Esses sinais indicam que a imagem corporal pode estar prejudicando a saúde emocional e o bem-estar da criança ou adolescente.

O que posso fazer para ajudar?

Você pode fazer muita diferença na forma como seu(sua) filho(a) se vê. Aqui vão atitudes que ajudam:

  1. Mostre acolhimento e escuta: pergunte com calma como ele(a) se sente em relação ao próprio corpo. Mostre que você está disponível para ouvir, sem julgar.
  2. Evite críticas sobre aparência: não faça comentários negativos sobre o corpo do(a) seu(sua) filho(a), nem sobre o seu próprio corpo na frente dele(a). Isso pode aumentar a insegurança.
  3. Valorize outras qualidades: ajude seu(sua) filho(a) a perceber os pontos fortes que não têm relação com aparência: talentos, gostos, atitudes, amizades.
  4. Foque na saúde, não no visual: reforce que um corpo saudável importa mais do que padrões estéticos. Comer bem, dormir, se exercitar e se sentir bem são o mais importante.
  5. Ofereça exemplos positivos: fale bem do próprio corpo e da diversidade corporal. Mostre que todos os corpos são diferentes e que está tudo bem com isso. Você também pode compartilhar histórias e testemunhos de artistas que a criança ou adolescente gosta.
  6. Evite apoiar mudanças extremas: cirurgias plásticas, dietas radicais ou uso de remédios para mudar o corpo não devem ser incentivados. Em vez disso, valorize o cuidado e o equilíbrio.
  7. Proporcione momentos de convivência offline e conversas sobre como imagens em redes sociais muitas vezes são editadas e não refletem a realidade.

Não pressione para que a criança ou adolescente “mude” imediatamente, mas demonstre constância no cuidado.

A construção de uma relação mais saudável com a própria imagem leva tempo e exige paciência.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

Cuidadores podem se sentir envergonhados ou culpados se seu(sua) filho(a) tiver problemas com o corpo, mas é importante aumentar as chances de o(a) jovem desenvolver uma autoimagem mais equilibrada e saudável.

É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.

Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:

  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
  • Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
  • Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.

Guias de Bolso

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Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.

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