Ter dificuldades para seguir regras, provocar os outros de propósito, e sentir raiva ou irritação com frequência

Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.

É comum que crianças e adolescentes, por vezes, tenham dificuldade para seguir regras ou que fiquem chateadas. Afinal, regras foram feitas para serem desafiadas, e todo mundo se irrita com elas de vez em quando. No entanto, algumas crianças apresentam esses comportamentos com mais frequência e intensidade.

Elas podem se sentir irritadas ou com raiva com frequência e agir de forma desafiadora, como não obedecer aos adultos ou provocar outras pessoas de propósito. Esses comportamentos podem ser difíceis para os cuidadores e causar conflitos em casa ou na escola.

É importante entender que essas atitudes nem sempre são intencionais e podem ser um sinal de que a criança precisa de ajuda. Com o apoio adequado, é possível que a criança aprenda a lidar melhor com suas emoções e comportamentos.

O que é esperado?

É esperado que crianças e adolescentes às vezes fiquem bravos ou desrespeitem regras.

Crianças mais novas geralmente seguem regras com mais facilidade, enquanto crianças mais velhas e adolescentes podem testar limites em casa ou na escola, isso faz parte do processo de crescimento.

Até mesmo algumas ações agressivas podem ser esperadas. Por exemplo, crianças bem pequenas podem bater ou chutar quando estão frustradas porque querem algo imediatamente. Também é comum que crianças pequenas se desentendam durante as brincadeiras, como quando querem o mesmo brinquedo.

Esses comportamentos geralmente não se repetem em outras situações e fazem parte do desenvolvimento esperado.

  • Por volta dos 3 anos: as crianças podem começar a testar limites dizendo “não” ou se recusando a compartilhar brinquedos.
  • Entre 4 e 5 anos: podem discutir com irmãos ou amigos, mas geralmente aceitam redirecionamento com orientação.
  • Por volta dos 6 anos: começam a compreender melhor as regras e conseguem segui-las com lembretes.
  • Entre 7 e 8 anos: podem, ocasionalmente, responder aos adultos, mas geralmente entendem as consequências de suas ações.
  • Por volta dos 9 anos: conseguem seguir regras em casa e na escola, embora ainda possam discutir com colegas.
  • Entre 10 e 12 anos: pré-adolescentes podem testar mais os limites enquanto buscam independência, mas conseguem dialogar.
  • Por volta dos 13 e 14 anos: adolescentes podem desafiar figuras de autoridade, mas são capazes de compreender e discutir regras e consequências.

O comportamento típico não provoca prejuízos graves e tende a melhorar com orientações consistentes.

Quando devo me preocupar?

Existem vários sinais que indicam que uma criança ou adolescente pode estar com dificuldades para seguir regras ou se relacionar com outras pessoas.

Esses sinais podem variar de acordo com a idade da criança ou adolescente.

  • Ficar facilmente irritada: a criança ou adolescente pode se chatear por motivos pequenos, como um objeto que caiu no chão, uma roupa que sujou, ou alguém que não atendeu uma ligação.
  • Perder a paciência com facilidade: a criança ou adolescente pode ter explosões de raiva com frequência.
  • Discutir com adultos: a criança ou adolescente pode brigar frequentemente com pais, professores ou outras figuras de autoridade.
  • Recusar-se a seguir regras: a criança ou adolescente pode ignorar ou desobedecer regras de forma intencional.
  • Agir de forma agressiva, verbal ou fisicamente: a criança ou adolescente pode gritar, bater ou ter comportamentos agressivos.
  • Demonstrar pouco ou nenhum arrependimento depois de causar problemas: a criança ou adolescente pode não se mostrar culpado(a) por suas ações.
  • Culpar os outros pelos próprios erros: a criança ou adolescente pode não assumir a responsabilidade por aquilo que faz.
  • Provocar os outros de propósito: a criança ou adolescente pode fazer coisas com a intenção de incomodar ou irritar alguém.
  • Sentir raiva ou irritação com frequência: a criança ou adolescente pode se sentir com raiva constantemente ou guardar esse sentimento por muito tempo.

O sinal de alerta mais importante é quando os comportamentos desafiadores se tornam frequentes, intensos e prejudicam a vida da criança ou adolescente em diferentes contextos, não apenas em casa.

O que posso fazer para ajudar?

Como cuidador(a), manter a paciência e oferecer apoio a uma criança ou adolescente com essas dificuldades é essencial. Aqui estão algumas estratégias que você pode tentar:

  1. Seja um exemplo. Mostre um bom comportamento mantendo a calma e usando um tom de voz tranquilo. As crianças e adolescentes aprendem observando os adultos e podem muitas vezes reproduzir comportamentos que já acontecem dentro de casa. Por isso, também evite discutir e brigar na frente da criança ou adolescente.
  2. Ofereça apoio. Mostre que você percebe o comportamento e que está presente para ajudar. Ouça com atenção, sem tentar resolver tudo de imediato.
  3. Converse sobre o assunto. Faça perguntas simples para entender o que está incomodando. Isso pode ajudar a criança ou adolescente a expressar seus sentimentos.
  4. Mantenha as regras. Não deixe que a criança ou adolescente pense que pode quebrar regras sem consequências. A consistência ajuda a entender os limites.
  5. Explique as consequências. Seja coerente com as regras e os resultados. Certifique-se de que a criança ou adolescente saiba o que acontecerá se desrespeitar uma regra.
  6. Elogie os bons comportamentos. Reconheça quando a criança ou adolescente segue as regras ou se comporta bem. O reforço positivo estimula a repetição desses comportamentos, e reforçar o que está funcionando é mais eficaz do que apenas punir o que não está.
  7. Ensine a resolver problemas. Ajude a criança ou adolescente a encontrar outras formas de lidar com as dificuldades. Incentive-o(a) a pensar em soluções e colocá-las em prática. Além disso, é uma ótima forma de ensiná-lo(a) a nomear o que está sentindo.
  8. Estabeleça rotinas claras. Ter horários previsíveis para atividades como refeições, dever de casa e sono ajuda a criança ou adolescente a se sentir seguro(a) e saber o que esperar ao longo do dia.
  9. Ofereça escolhas sempre que possível. Dar à criança ou adolescente pequenas opções (como escolher entre duas atividades ou lanches) ajuda a(o) desenvolver senso de autonomia e reduz conflitos.
  10. Tente mudar a linguagem. Em vez de dizer o que a criança ou adolescente não pode fazer, diga o que ela pode fazer. Isso ajuda a redirecionar o comportamento sem confronto direto.

E lembre-se: a criança ou adolescente também está aprendendo a lidar com as próprias emoções. Seu carinho e sua atenção e paciência são essenciais!

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

Comece conversando com o(a) pediatra ou médico(a) de família da criança. Esses profissionais podem orientar os primeiros passos e, se necessário, encaminhá-lo para um(a) especialista em saúde mental, como um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra infantil.

É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.

Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:

  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
  • Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
  • Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.

Quanto antes o apoio for buscado, maiores as chances de melhorar o bem-estar da criança.

Guias de Bolso

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Saiba como funciona o SUS para saúde
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