Ter dificuldades para seguir regras, provocar os outros de propósito, e sentir raiva ou irritação com frequência

Quem nunca se sentiu com raiva ou chateado de vez em quando? Ou mesmo sentir que perde a paciência muito rápido? Às vezes, você ou algum(a) amigo(a) podem achar difícil seguir regras ou podem provocar outras pessoas de propósito.

Isso pode incluir discutir com professores, provocar colegas, culpar os outros pelos erros e perder a paciência por qualquer coisa.

É como se a raiva ficasse sempre à flor da pele e fosse difícil controlar. Esse jeito de reagir não aparece do nada, e pode ter relação com como você aprendeu a lidar com frustrações, com experiências difíceis ou até com outras questões emocionais.

Pode ser que você ou seu(sua) amigo(a) se sintam irritados ou bravos muitas vezes, e isso pode levar a não escutar os adultos ou incomodar os outros de propósito. Essas atitudes podem causar problemas em casa ou na escola.

Lembre-se: esses comportamentos nem sempre são de propósito. Ter esse tipo de dificuldade não te define para sempre, ok? Com ajuda, é possível melhorar o controle emocional, encontrar outras formas de reagir e ter relações mais tranquilas.

Continue neste guia para entender mais sobre o assunto.

O que é esperado?

É natural ficar bravo ou quebrar regras de vez em quando. Todo mundo já se irritou ou discutiu com alguém, isso faz parte de crescer.

À medida que vamos ficando mais velhos, é comum querer mais liberdade, questionar regras e tentar fazer as coisas do nosso jeito. Isso não significa que tem algo errado com você ou com um(a) amigo(a) seu. O comportamento muda conforme a idade, por exemplo:

  • Por volta dos 5 anos: é comum discutir com adultos ou bater o pé quando algo não agrada.
  • Por volta dos 8 anos: pode surgir aquela vontade de adiar tarefas ou não obedecer logo de cara.
  • Por volta dos 12 anos (ou mais): questionar regras e querer mais autonomia faz parte da adolescência.

Essas atitudes são esperadas em várias situações. Às vezes, crianças pequenas podem até bater ou gritar quando estão irritadas, e colegas podem brigar durante uma brincadeira, mas isso costuma passar rápido e não acontece o tempo todo.

Agora, se os conflitos viram rotina, se você ou um(a) amigo(a) sente muita raiva com frequência, ou se está sempre se metendo em encrenca, pode ser sinal de que você ou seu(sua) amigo(a) está precisando de ajuda para lidar com o que está sentindo.

E não há problema nenhum nisso, certo? Com o apoio adequado, dá pra aprender outras formas de reagir às situações e se sentir melhor.

Quando devo me preocupar?

Existem sinais que podem mostrar que você, ou algum(a) amigo(a), está com dificuldades para seguir regras ou se relacionar com outras pessoas, e isso pode ser motivo de preocupação.

  • Ficar irritado com facilidade: sentir-se chateado(a) por coisas pequenas, como um objeto que caiu no chão, uma roupa que sujou, ou alguém que não atendeu uma ligação.
  • Perder a paciência rapidamente: ter acessos de raiva com frequência.
  • Discutir com adultos: brigar bastante com pais, professores ou outras pessoas responsáveis.
  • Recusar-se a seguir regras: ignorar ou quebrar regras de propósito.
  • Agir de forma agressiva, com palavras ou fisicamente: gritar, bater ou agir com agressividade.
  • Se sentir pouco ou nada culpado(a) depois de causar problemas: não demonstrar arrependimento pelas próprias ações.
  • Culpar os outros pelos próprios erros: não querer assumir responsabilidade pelo que faz.
  • Provocar os outros de propósito: fazer coisas só para incomodar ou irritar alguém.
  • Sentir raiva ou irritação com frequência: manter sentimentos de raiva por bastante tempo.

Se isso está atrapalhando suas notas, suas amizades ou o clima em casa, é hora de buscar ajuda. Reconhecer que algo não está indo bem não significa fraqueza; é um passo para ter mais controle sobre suas reações.

O que posso fazer se eu (ou um(a) amigo(a)) estiver passando por isso?

Se você, ou algum(a) amigo(a), está passando por dificuldades com comportamentos agressivos ou com o desrespeito a regras, aqui estão algumas coisas que podem ajudar:

  1. Converse com um adulto de confiança. Você pode procurar alguém em quem confia, como um responsável, professor(a) ou outro adulto, e contar o que está acontecendo. Pode ser difícil transformar os sentimentos em palavras, mas isso faz parte do processo!
  2. Tente entender os sentimentos. Preste atenção no que costuma deixar você com raiva, e como se sente antes e depois de agir por impulso.
  3. Lembre-se das consequências. Entender o que acontece depois de certas atitudes pode ajudar você a pensar duas vezes antes de agir.
  4. Evite situações que pioram as coisas. Se já sabe o que costuma irritar ou causar brigas, tente evitar essas situações.
  5. Pense em outras formas de resolver problemas. Quando surgir um desafio, tente imaginar outras maneiras de lidar com ele, sem agressividade.
  6. Faça uma pausa quando necessário. Se perceber que a raiva está crescendo, afaste-se um pouco para se acalmar. Respire fundo, sinta o ar entrando e saindo pelos seus pulmões. Isso irá ajudar você a pensar melhor.
  7. Escreva o que está sentindo. Anotar pensamentos e sentimentos pode ajudar a entender melhor o que está acontecendo.

E não esqueça: essas dicas irão te ajudar a lidar de uma forma mais saudável com os desafios que fazem parte da vida. Todos nós podemos ficar meio estressados às vezes, mas existem formas de reduzir a quantidade e a intensidade desses episódios.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

Fale com um adulto de confiança, como seus pais, responsáveis ou outro familiar próximo. Explicar o que você está sentindo é o primeiro passo. Eles podem te ajudar a marcar uma consulta e buscar atendimento profissional.

Você pode ser atendido por um(a) médico(a), como um(a) pediatra, clínico(a) geral ou o(a) profissional da Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Esse médico vai te escutar, entender o que está acontecendo e, se necessário, encaminhar você para um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra, que são especialistas em saúde mental.

No SUS (Sistema Único de Saúde), você tem acesso gratuito a esses cuidados em locais como:

  • Unidades Básicas de Saúde (UBS): ponto de partida para receber orientações e encaminhamentos.
  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): serviços especializados para adolescentes que precisam de mais apoio emocional.
  • Ambulatórios e hospitais públicos: em algumas cidades, oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

O apoio profissional não serve só para “controlar” o comportamento, mas para te dar mais ferramentas para ter relações melhores e mais tranquilas.

Pedir ajuda não é fraqueza — é um jeito de se cuidar. Com o apoio de adultos e profissionais que se importam com você, é possível entender o que está acontecendo e encontrar formas de se sentir melhor.

Guias de Bolso

Ter dificuldades para seguir regras, provocar os outros de propósito, e sentir raiva ou irritação com frequência

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Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.

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