Ter dificuldades com o peso, hábitos alimentares ou com a forma do corpo

Não importa se você prefere arroz com feijão, hambúrguer ou frutas: a verdade é que a gente precisa comer todos os dias pra ter energia, crescer, se divertir e viver bem.

Por isso, é super importante ter uma relação saudável com a comida, sem culpa, medo ou pressão.

Mas às vezes, a vontade de “se sentir bem com o próprio corpo” vira uma cobrança enorme para tentar se encaixar em padrões irreais, daqueles que a gente vê nas redes sociais e que, no fundo, nem são de verdade, né?

E aí, o que era pra ser simples e natural, como se alimentar, vira motivo de preocupação ou sofrimento.

Se isso vem acontecendo com você, se anda pensando o tempo todo no seu corpo, no seu peso ou no que come, se se compara com outras pessoas, sente culpa depois de comer, ou tenta controlar demais sua alimentação (ou come muito de uma vez e depois tenta compensar), vale ligar o alerta.

Quando essas coisas começam a ocupar demais a cabeça e a afetar o humor, a autoestima ou os relacionamentos, é sinal de que algo não vai bem.

E você não precisa passar por isso sozinho(a). Falar com alguém de confiança, procurar ajuda profissional ou até buscar informações em fontes seguras já pode ser um começo.

O mais importante é lembrar: seu valor não está no seu corpo nem no seu prato. Sua saúde e bem-estar vêm sempre em primeiro lugar.

O que é esperado?

Crescer é confuso: o corpo muda, surgem espinhas, pêlos, a voz muda, e as redes sociais parecem exigir um padrão impossível.

Seus hábitos alimentares são influenciados por quem você é, como você se sente, pelo ambiente em que vive e pelas pessoas ao seu redor.

Por isso, pode acontecer de você se comparar com colegas, achar uma parte do corpo estranha ou querer mudar o cabelo. Quem nunca passou por isso, não é mesmo?

Nesse processo, algumas atitudes em relação à comida são esperadas quando temos acesso fácil a ela. Entre elas estão:

  • Comer 2, 3, 4 ou até 5 vezes por dia, cada pessoa tem seu ritmo.
  • Fazer lanches entre as refeições, principalmente durante a adolescência (seu corpo está crescendo e precisa de mais energia).
  • Ter dias em que você está com mais fome, e outros em que quase não dá vontade de comer. Isso pode acontecer!
  • Comer rápido demais às vezes e ficar com dor de barriga.
  • Ficar sem apetite quando está doente ou muito triste.

Também é comum:

  • Ter preferências alimentares. Algumas pessoas são mais seletivas e demoram mais para experimentar novos alimentos, tudo bem, desde que estejam se alimentando de forma suficiente e variada.

Em geral, uma alimentação esperada:

  • Dá energia suficiente para o corpo funcionar bem e ter disposição para atividades do dia a dia.
  • Inclui diferentes tipos de alimentos: frutas, grãos, proteínas, verduras, carboidratos, etc.
  • Não precisa ser “perfeita”, mas deve fazer você se sentir bem e forte.

Quando devo me preocupar?

Nem sempre é fácil perceber, mas às vezes a forma como a gente se alimenta pode esconder um sofrimento.

Pode parecer “só uma fase”, mas quando a preocupação com a comida ou com o corpo vira algo constante que te faz sentir mal, ansioso(a), culpado(a) ou te afasta das pessoas, é hora de prestar atenção.

Também vale observar se isso acontece com frequência ou se está se tornando uma regra, e não algo de vez em quando.

Sinais de alerta:

  • Fazer dieta ou cortar alimentos sem orientação profissional.
  • Comer muito e depois se sentir mal ou culpado.
  • Passar muitas horas sem comer, mesmo com fome e com acesso a comida.
  • Esconder comida ou comer escondido.
  • Pensar demais em calorias, peso, comida ou no próprio corpo.
  • Se pesar ou se olhar no espelho o tempo todo.
  • Sentir que nunca está satisfeito(a) com o corpo, mesmo quando todos dizem o contrário.
  • Usar laxantes, diuréticos ou remédios para emagrecer sem prescrição médica.
  • Se exercitar demais, especialmente como forma de “compensar” o que comeu.
  • Sentir vergonha de comer na frente dos outros.
  • Comer muito rápido, grandes quantidades e sentir que não consegue parar.
  • Vomitar de propósito após comer.
  • Deixar de participar de momentos com os outros (como festas ou refeições em família) por causa do corpo ou da comida.
  • Se você se identificou com alguns desses sinais, ou percebeu isso em alguém próximo, é importante saber que isso pode melhorar com ajuda. E que não é sua culpa.

Se você leu isso e pensou “isso parece comigo” ou lembrou de alguém próximo, saiba que você não está sozinho(a).

Essas preocupações podem acontecer com qualquer pessoa, por isso, saiba que está tudo bem conversar sobre isso com alguém de confiança.

Esses comportamentos não são frescura, não são sua culpa e dá pra melhorar com ajuda.

Quanto antes você conversar com alguém de confiança (um adulto, professor(a), alguém da escola, profissional de saúde), melhor. Falar é um passo muito importante, e é um sinal de coragem, não de fraqueza.

O que posso fazer se eu (ou um(a) amigo(a)) estiver passando por isso?

Se você está se sentindo mal com a sua forma de comer ou com o seu corpo, ou se percebe que alguém próximo pode estar passando por isso, saiba que tem como buscar ajuda, sim.

E que existem algumas atitudes simples que podem fazer diferença no dia a dia:

  • Converse com uma pessoa de confiança. Pode ser alguém da família, da escola ou de um serviço de saúde. Falar sobre o que está acontecendo pode trazer alívio e ajudar a encontrar caminhos.
  • Pratique a gentileza. Evite críticas e cobranças, mesmo nos dias difíceis. Comer é uma necessidade básica, e todos merecem cuidado e respeito, inclusive você.
  • Evite o isolamento. Sempre que possível, tente fazer refeições com pessoas que oferecem acolhimento. Estar junto pode trazer conforto, mesmo sem falar diretamente sobre o assunto.
  • Faça uma pausa. Se surgirem pensamentos negativos sobre o corpo ou sobre a comida, respire fundo, mude de ambiente ou procure fazer algo que ajude a mudar o foco.
  • Ofereça apoio sem julgamento. Se alguém próximo estiver passando por isso, escute com atenção e acolhimento. Mostre que está ali e incentive a buscar ajuda, com respeito ao tempo de cada pessoa.
  • Crie um ambiente tranquilo nas refeições. Sempre que for possível, busque ter alimentos variados em casa e momentos calmos para comer, sem distrações nem pressões.

E o mais importante:

Você não precisa lidar com isso sozinho(a). Procurar ajuda é um ato de coragem. Existem profissionais que sabem como acolher e cuidar dessas situações, pois eles estão ali justamente para isso, certo?

E quanto antes você der esse passo, mais chances tem de se recuperar e se sentir melhor com você mesmo(a).

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

Se você está enfrentando dificuldades com a alimentação, com a sua imagem corporal ou com sentimentos difíceis de lidar, saiba que você não precisa passar por isso em silêncio.

Pode ser que dê vergonha de falar sobre o assunto, e isso acontece, é um pouquinho desconfortável mesmo.

Muita gente sente medo de ser julgada ou de não ser compreendida, mas pedir ajuda é um sinal de força, não de fraqueza. E há pessoas preparadas para te escutar e te ajudar de verdade.

Uma boa forma de começar é conversando com alguém próximo. Pode ser a pessoa responsável por você, ou um(a) professor(a), orientador(a), psicólogo(a) escolar, ou qualquer adulto em quem você confie.

Eles podem te acolher, entender melhor o que está acontecendo e te orientar sobre os próximos passos.

Você pode dividir sua dificuldade com um(a) profissional da saúde, como um(a) médico(a), um(a) pediatra, clínico(a) geral ou o(a) profissional da Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da sua residência.

Você não precisa chegar com tudo “explicado”. Basta dizer que não está se sentindo bem com a forma como tem comido ou com o seu corpo.

Esse(a) profissional vai te escutar, entender o que está acontecendo e, se necessário, encaminhar você para um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra, que são especialistas em saúde mental.

No SUS (Sistema Único de Saúde), você tem acesso gratuito a esses cuidados em locais como:

  • Unidades Básicas de Saúde (UBS): ponto de partida para receber orientações e encaminhamentos.
  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): serviços especializados para adolescentes que precisam de mais apoio emocional.
  • Ambulatórios e hospitais públicos: em algumas cidades, oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Pedir ajuda é um jeito de se cuidar. Com o apoio de adultos e profissionais que se importam com você, é possível entender o que está acontecendo e encontrar formas de se sentir melhor.

Não tenha medo de buscar esse apoio. Cuidar da sua saúde física e mental é um direito seu. E ninguém precisa dar conta de tudo sozinho(a). Tem ajuda disponível, e você merece recebê-la.

Guias de Bolso

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