Ter dificuldade para prestar atenção, lembrar das coisas, ficar parado ou pensar antes de agir

Lidar com um(a) aluno(a) com dificuldades de atenção e concentração pode exigir tempo, paciência e adaptação da prática docente. Pode ser difícil manter o ritmo da turma quando um(a) aluno(a) se distrai, interrompe, esquece deveres ou não acompanha o restante.

Muitos educadores também têm dúvidas sobre como diferenciar o que é falta de limites do que é uma condição clínica. E nem sempre há apoio suficiente da família ou da gestão escolar.

À medida que os estudantes crescem, esperamos que esses comportamentos diminuam com o tempo, mas alguns demoram mais do que outros. Para alguns, a falta de atenção, a hiperatividade e a impulsividade persistem por mais tempo, causando problemas em casa e na escola.

O que é esperado?

A falta de atenção, hiperatividade e impulsividade são comuns em estudantes com menos de 6 anos. À medida que crescem, as exigências aumentam, e se continuarem desatentos, hiperativos ou impulsivos, podem ter dificuldades para acompanhar o ritmo da escola e das atividades.

Existem outros momentos em que estudantes e adolescentes podem apresentar esses comportamentos, quando:

  • Não dormem o suficiente
  • Não se alimentam bem
  • Se sentem ansiosos ou estressados
  • Se sentem tristes
  • Passam muito tempo em telefones ou tablets

É esperado que alguns estudantes apresentem um ritmo de desenvolvimento mais lento, mas isso não significa que terão dificuldades permanentes. Na maioria das vezes, alcançam os marcos esperados com o tempo.

Quando devo me preocupar?

Os professores devem se preocupar quando esses comportamentos causarem problemas na sala de aula ou com outros estudantes. Sinais comuns a serem observados incluem:

Desatenção:

  • Cometer erros frequentes por descuido nas tarefas escolares
  • Ficar facilmente distraído
  • Dificuldade em ouvir ou prestar atenção
  • Dificuldade em seguir instruções
  • Encontrar tarefas longas muito difíceis
  • Esquecer coisas com frequência
  • Perder itens frequentemente
  • Ser desorganizado(a) em excesso

Hiperatividade:

  • Mexer-se constantemente
  • Se contorcer na cadeira
  • Dificuldade em ficar parado em um lugar
  • Correr ou escalar demais
  • Dificuldade em brincar de forma tranquila

Impulsividade:

  • Ser impaciente
  • Dificuldade em esperar pela vez
  • Interromper os outros
  • Falar sem pensar

Outros sinais importante:

  • Dificuldade em organizar o tempo (por exemplo, começar várias coisas e não terminar nenhuma)
  • Evitar tarefas que exigem esforço mental contínuo (como trabalhos longos ou estudos para prova)
  • Falar muito ou mudar de assunto de forma brusca
  • Dificuldade em manter amizades por conta de comportamentos impulsivos
  • Sensação constante de estar “atrasado(a)” ou “perdido(a)”
  • Autoestima baixa, com frases como “eu sou burro(a)”, “não consigo nada direito”, “sou diferente dos outros”

Alguns estudantes podem apresentar apenas alguns desses problemas, enquanto outros podem ter mais.

Alunos(as) com dificuldades de atenção frequentemente também apresentam problemas de hiperatividade e impulsividade, o que torna difícil para eles se adaptarem à escola e a outras atividades. A combinação e a intensidade desses comportamentos podem afetar significativamente o aprendizado e as interações sociais dos estudantes.

Se o comportamento prejudica de forma contínua o aprendizado, a socialização ou o bem-estar emocional do(a) aluno(a), vale a pena conversar com a família e sugerir uma avaliação especializada.

Fique atento(a) a sinais como ansiedade, baixa autoestima, dificuldade de seguir qualquer rotina, isolamento ou agressividade. Quando há impacto generalizado no funcionamento escolar e interpessoal, a preocupação deve ser levada adiante.

O que posso fazer para ajudar?

Professores podem ter um papel essencial no processo de aprendizagem e desenvolvimento de estudantes com dificuldades de atenção, hiperatividade e/ou impulsividade. Algumas estratégias úteis:

  • Mantenha comunicação aberta Converse regularmente com o(a) estudante para entender como ele(a) se sente e quais situações são mais difíceis. Mostre que você está disponível para apoiar.
  • Divida as tarefas Transforme atividades longas em etapas menores e bem definidas. Isso ajuda o(a) estudante a manter o foco e perceber seu progresso.
  • Estabeleça rotinas e cronogramas claros Use rotinas previsíveis e, sempre que possível, cronogramas visuais na sala de aula. Eles dão segurança e ajudam na organização.
  • Ofereça apoio à organização Estimule o uso de listas de tarefas, agendas, post-its ou aplicativos simples que ajudem a lembrar prazos e compromissos.
  • Reforce comportamentos positivos Valorize quando o(a) estudante consegue se organizar, terminar uma tarefa ou se comportar de forma colaborativa. O reconhecimento aumenta a motivação.
  • Dê oportunidades de movimento Permita que o(a) estudante faça pequenas pausas, mude de lugar ou participe de atividades que envolvam movimento, sem que isso seja visto como punição.
  • Adapte expectativas quando necessário Seja flexível com prazos e formas de avaliar o aprendizado, reconhecendo o esforço e não apenas o resultado final.
  • Colabore com cuidadores e equipe de apoio Compartilhe observações com a família e, quando preciso, busque apoio de orientadores, psicólogos ou da direção para planejar estratégias conjuntas.
  • Cultive empatia e respeito Reconheça que cada estudante tem um ritmo diferente. Acolher a diversidade enriquece toda a turma e fortalece a comunidade escolar.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

Enquanto educador(a), você pode ajudar orientando a família sobre a quem eles devem recorrer.

A primeira recomendação é que eles conversem com o pediatra ou médico de família da criança. Esses profissionais podem orientar os primeiros passos e, se necessário, encaminhá-lo para um(a) especialista em saúde mental, como um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra infantil.

Além disso, você também pode sugerir que eles busquem atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.

Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:

  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
  • Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
  • Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Orientadores educacionais, psicólogos escolares e equipes multiprofissionais da rede pública ou privada são aliados importantes. Encaminhamentos devem sempre ser feitos com delicadeza e responsabilidade.

Guias de Bolso

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Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.

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