Ter dificuldade para prestar atenção, lembrar das coisas, ficar parado ou pensar antes de agir
Nossa capacidade de prestar atenção, controlar nossa atividade e nossos impulsos muda à medida que crescemos.
Quando somos pequenos, não conseguimos prestar atenção por muito tempo porque estamos pensando em muitas coisas, e queremos apenas correr, brincar, pular.
À medida que crescemos, esperamos melhorar a habilidade de prestar atenção, ficar parados e pensar antes de agir.
Alguns de nós podem demorar mais para aprender essas habilidades. Às vezes, elas podem chegar a atrapalhar a vida na escola, em casa ou com amigos, o que pode ser um sinal de que o cérebro está funcionando de um jeito diferente.
Todo mundo se distrai às vezes, esquece de algo ou fica impaciente. Isso pode acontecer com todos nós. Mas quando isso acontece com frequência e atrapalha a vida da criança ou do adolescente, é preciso investigar.
Se isso estiver acontecendo com você, saiba que não é culpa sua nem sinal de que você é preguiçoso ou “ruim de cabeça”. É só um jeito diferente de processar as coisas.
O que é esperado?
A dificuldade de prestar atenção, lembrar das coisas, ficar parado ou pensar antes de agir, são mais comuns em crianças com menos de 6 anos.
À medida que crescemos, espera-se que tenhamos menos dificuldades com essas questões, ou seja, que saibamos lembrar melhor das coisas, pensar antes de agir e não ter dificuldades para ficar parado por um tempo.
É preciso observar se essas dificuldades são frequentes ou se acontecem de modo mais isolado, por exemplo, quando se está preocupado com algo na escola ou em casa.
Isso porque pode haver outras razões possíveis para essas dificuldades, como, por exemplo:
- Falta de sono
- Alimentação inadequada
- Sentir-se assustado ou preocupado
- Sentir-se triste
- Usar tecnologia em excesso
Se você estiver sentindo que essas dificuldades continuam acontecendo e que elas estão fazendo você se sentir mal com você mesmo, é sinal de que é importante pedir ajuda para investigar melhor o que está acontecendo.
E olha, edtá tudo bem se você não souber por onde começar. Todo mundo precisa de apoio em algum momento da vida, e cuidar de você mesmo é um dos atos mais importantes que você pode fazer por si.
Você merece se sentir bem, de verdade.
Quando devo me preocupar?
Devemos nos preocupar com essas questões se elas causarem dificuldades em casa, com amigos ou na escola.
Sinais de desatenção:
- Não prestar atenção aos detalhes, a menos que esteja muito interessado.
- Cometer muitos erros por descuido.
- Dificuldade em se concentrar nas tarefas, especialmente nas mais longas ou tediosas.
- Dificuldade para terminar tarefas.
- Dificuldade para lembrar de fazer as coisas.
- Pensamentos dispersos quando é necessário focar.
- Não ouvir quando alguém fala diretamente com você.
- Dificuldade para planejar e organizar.
- Perder coisas com frequência.
- Ficar facilmente distraído.
- Esquecer as coisas com frequência.
Sinais de hiperatividade:
- Dificuldade em ficar parado.
- Levantar-se quando deveria estar sentado.
- Mexer-se ou se contorcer.
- Dificuldade em ficar quieto.
- Sentir a necessidade de se mover constantemente.
- Sentir-se inquieto.
- Ser excessivamente ativo.
- Falar demais.
Sinais de impulsividade:
- Responder perguntas antes que a pessoa termine de falar.
- Dificuldade em esperar a vez.
- Interromper os outros.
- Fazer as coisas sem pensar.
Outros sinais importante:
- Dificuldade em organizar o tempo (por exemplo, começar várias coisas e não terminar nenhuma)
- Evitar tarefas que exigem esforço mental contínuo (como trabalhos longos ou estudos para prova)
- Falar muito ou mudar de assunto de forma brusca
- Dificuldade em manter amizades por conta de comportamentos impulsivos
- Sensação constante de estar “atrasado(a)” ou “perdido(a)”
- Autoestima baixa, como se sentir burro(a) ou diferente dos outros
Uma observação:
Não é incomum que alguns jovens comecem a achar que têm problemas com a atenção mais tarde na vida. Nessas situações, é preciso olhar com cuidado, pois a dificuldade em se concentrar também pode estar relacionada a:
- Ansiedade (a mente fica ocupada com preocupações, dificultando a atenção);
- Excesso de estímulos (como uso intenso de redes sociais, celular, videogames ou multitarefa constante);
- Falta de sono ou cansaço;
- Situações de estresse ou mudanças na rotina.
Por isso, para entender o que pode estar acontecendo, é importante observar também a sua história quando criança: se sinais de desatenção ou hiperatividade já estavam presentes desde a infância, pode ser importante investigar. Essa diferença ajuda a entender melhor como lidar com o problema.
Por fim, se os sinais listados acima estiverem acontecendo com você, saiba que não precisa enfrentar isso sozinho(a). Buscar ajuda é um passo de coragem, não de fraqueza. Tem muita gente disposta a te ouvir e te apoiar para que você se sinta melhor e consiga lidar com as dificuldades do seu jeito.
O que posso fazer se eu (ou um(a) amigo(a)) estiver passando por isso?
Lidar com dificuldades de atenção, agitação ou impulsividade pode ser bem cansativo. Às vezes, parece que ninguém entende o que você está passando, ou que tudo dá errado.
Mas você não está sozinho(a), e existem formas de tornar o dia a dia mais leve.
- Peça ajuda. Fale com alguém em quem você confia: um responsável, um(a) professor(a) legal, o(a) orientador(a) da escola, alguém que te escute de verdade. Pedir ajuda não é fraqueza, é inteligência e cuidado com você mesmo(a).
- Converse na escola. Às vezes, seu(sua) professor(a) pode adaptar atividades ou pensar em estratégias para facilitar sua rotina. Se ele(a) souber como você se sente, é mais fácil encontrar soluções juntos.
- Organize sua rotina. Usar agenda, alarmes ou aplicativos pode ajudar bastante. Planejar o que precisa ser feito e dividir tarefas grandes em pedaços menores facilita o foco e reduz a ansiedade.
- Faça pausas. Não precisa fazer tudo de uma vez. Pausas curtas entre as tarefas ajudam o cérebro a descansar e voltar com mais foco.
- Mexa o corpo. Atividades físicas ajudam a liberar energia, a acalmar a mente e até a dormir melhor. Pode ser esporte, dança, caminhada, o que você curtir.
- Crie um ambiente com menos distrações. Quando for estudar ou fazer algo que exige foco, tente desligar o celular, TV ou ficar longe de barulhos.
E o mais importante: Você não é menos inteligente ou preguiçoso(a), certo? Talvez seu cérebro só funciona de um jeito diferente e tudo bem. Com apoio e estratégias certas, você pode aprender a lidar com isso e viver com mais leveza.
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
Fale com um adulto de confiança, como seus pais, responsáveis ou outro familiar próximo. Explicar o que você está sentindo é o primeiro passo.
Eles podem te ajudar a marcar uma consulta e buscar atendimento profissional.
Você pode ser atendido por um(a) médico(a), como um(a) pediatra, clínico(a) geral ou o(a) profissional da Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Esse médico vai te escutar, entender o que está acontecendo e, se necessário, encaminhar você para um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra, que são especialistas em saúde mental.
No SUS (Sistema Único de Saúde), você tem acesso gratuito a esses cuidados em locais como:
- Unidades Básicas de Saúde (UBS): ponto de partida para receber orientações e encaminhamentos.
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): serviços especializados para adolescentes que precisam de mais apoio emocional.
- Ambulatórios e hospitais públicos: em algumas cidades, oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
Pedir ajuda não é fraqueza, é um jeito de se cuidar. Com o apoio de adultos e profissionais que se importam com você, é possível entender o que está acontecendo e encontrar formas de se sentir melhor.
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