Ser agressivo, danificar ou pegar coisas dos outros, ou não demonstrar consideração pelos sentimentos alheios
Alguns estudantes podem apresentar comportamentos que vão além de simples reações impulsivas ou tentativas de expressar sentimentos por meio de atitudes desafiadoras.
Eles podem agir com agressividade, danificar objetos ou pegar coisas que não são deles. Também podem demonstrar pouca preocupação com os sentimentos das outras pessoas.
Essas atitudes podem ser muito difíceis para educadores e para quem convive com esses estudantes. É importante saber que esses comportamentos podem não ser simples “indisciplina” ou “rebeldia típica da idade” ou brincadeiras sem maldade. Eles podem ser sinais de que o(a) estudante precisa de ajuda, principalmente quando são recorrentes e causam prejuízos significativos no ambiente escolar e social.
Com o apoio certo, é possível que ele(a) aprenda a controlar suas ações e a entender como elas afetam os outros.
O que é esperado?
É esperado que estudantes, em diferentes idades, apresentem comportamentos de oposição, brigas ou atitudes que pareçam desconsiderar os sentimentos dos colegas. Isso faz parte do processo de aprender a lidar com emoções fortes, regras de convivência e limites.
Por exemplo, estudantes mais novos podem bater, empurrar ou pegar objetos porque ainda estão desenvolvendo habilidades de autorregulação e compartilhamento. À medida que crescem, continuam testando regras, mas também avançam na capacidade de respeitar os outros e de se colocar no lugar deles.
Esses comportamentos, quando dentro do esperado, acontecem em situações específicas, são passageiros e costumam melhorar com a intervenção de um adulto, como uma conversa, redirecionamento ou lembrete de regras.
- Por volta dos 3 anos: é comum bater, empurrar ou tomar objetos de outros, porque ainda estão aprendendo a controlar impulsos.
- Entre 4 e 5 anos: podem ter discussões mais frequentes e reagir com agressividade em brincadeiras, mas já começam a compreender regras simples de convivência.
- Por volta dos 6 anos: entendem melhor que bater ou pegar coisas dos outros machuca ou chateia, embora ainda precisem de lembretes para respeitar.
- Entre 7 e 8 anos: podem se irritar e brigar em jogos ou discussões, mas conseguem se desculpar e reparar quando são orientados.
- Por volta dos 9 anos: já têm mais noção do impacto de suas atitudes sobre os outros, embora ainda possam desrespeitar regras em situações de conflito.
- Entre 10 e 12 anos: podem desafiar regras ou parecer pouco preocupados com sentimentos alheios, mas aprendem a refletir sobre isso com diálogo.
- Por volta dos 13 e 14 anos: adolescentes podem questionar limites e autoridade, mas são capazes de compreender regras sociais mais complexas e discutir consequências de suas ações.
Quando devo me preocupar?
Existem vários sinais que podem indicar que um(a) estudante está enfrentando dificuldades com agressividade ou com a capacidade de se importar com os outros. Esses sinais podem variar de acordo com a idade do(a) estudante.
- Comportamento ameaçador: o(a) estudante pode ameaçar machucar pessoas ou animais.
- Agressão física: o(a) estudante pode iniciar brigas ou usar objetos para ferir outras pessoas.
- Destruição de propriedade: o(a) estudante pode quebrar objetos de outras pessoas ou colocar fogo em coisas de propósito.
- Roubo ou mentiras: o(a) estudante pode pegar coisas sem permissão ou mentir para conseguir o que quer.
- Falta de arrependimento: o(a) estudante pode não demonstrar remorso após machucar alguém, algum animal ou quebrar regras.
- Dificuldade com as emoções: o(a) estudante pode ter dificuldade para controlar o que sente e se frustrar com facilidade.
- Faltas escolares: o(a) estudante pode faltar às aulas ou sair de casa à noite sem permissão.
- Problemas de relacionamento: o(a) estudante pode ter dificuldades para se relacionar com familiares ou colegas.
Às vezes, a agressividade acontece sem necessariamente envolver a quebra de regras e deve ser observada com atenção.
Estudantes podem agir de forma agressiva porque têm dificuldade para controlar suas emoções, se frustram com facilidade, agem sem pensar ou estão passando por situações estressantes, como mudanças na família ou mudança de cidade.
A persistência desses comportamentos, mesmo após intervenções da escola e conversas com a família, indica que pode haver uma questão mais profunda, que exige atenção especializada.
Se tais atitudes afetam o aprendizado e a segurança da turma, é essencial agir rapidamente para evitar que se agravem. Não se deve esperar que o tempo resolva sozinho(a), pois muitas vezes, sem intervenção, a situação tende a piorar.
O que posso fazer para ajudar?
Como educador, manter a paciência e oferecer apoio a um(a) estudante com essas dificuldades é essencial. Aqui estão algumas coisas que você pode tentar:
- Seja um exemplo. Mostre um bom comportamento, mantendo a calma e usando um tom de voz tranquilo. Os estudantes aprendem observando os adultos.
- Crie um ambiente estruturado. Estabeleça uma rotina previsível e expectativas claras de comportamento. Isso ajuda os estudantes a se sentirem seguros e a entenderem o que é esperado deles.
- Converse sobre o assunto. Faça perguntas simples para entender o que está incomodando o(a) estudante. Isso pode ajudá-lo(a) a expressar seus sentimentos e a se sentir ouvido.
- Mantenha as regras. Certifique-se de que as regras estão claras e sejam aplicadas de forma consistente. A consistência ajuda os estudantes a entenderem os limites e a importância de segui-los.
- Elogie o bom comportamento. Reconheça quando o(a) estudante segue as regras ou se comporta bem. O reforço positivo os incentiva a repetir os bons comportamentos.
- Ensine a resolver problemas. Ajude o(a) estudante a encontrar outras formas de lidar com os problemas. Incentive-o a pensar em soluções e a experimentá-las.
- Use técnicas para acalmar os estudantes. Aprenda e aplique estratégias para ajudar os estudantes a se acalmarem durante momentos de grande emoção. Isso pode evitar que a situação se agrave ainda mais.
- Promova as relações entre colegas. Incentive interações positivas e trabalho em equipe entre os estudantes. Construir amizades pode melhorar as habilidades sociais e reduzir sentimentos de isolamento.
Lidar com estudantes que têm dificuldades com agressividade pode ser desafiador, especialmente enquanto você tenta cuidar da dinâmica da sala de aula.
A expectativa central não é “eliminar” comportamentos problemáticos de um dia para o outro, mas reduzir sua frequência e intensidade, enquanto se desenvolvem habilidades sociais e emocionais que permitam ao aluno(a) interagir de forma mais saudável.
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
O primeiro passo é conversar com a família e sugerir o encaminhamento do(a) estudante a profissionais especializados, como pediatra, psicólogo(a) ou psiquiatra, conforme o caso.
É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da residência da família do(a) aluno(a), onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.
Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
- Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
- Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
Quando educadores orientam os cuidadores sobre a busca por apoio profissional, não significa que a escola “fracassou” ou que “não fez o seu trabalho”.
Essa é uma estratégia de cuidado coletivo que reconhece a complexidade do problema e aumenta as chances de mudança positiva para o(a) estudante e para a comunidade escolar.
Guias de Bolso
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