Ser agressivo, danificar ou pegar coisas dos outros, ou não demonstrar consideração pelos sentimentos alheios
Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.
Algumas crianças e adolescentes podem apresentar comportamentos que vão além de simples reações impulsivas ou tentativas de expressar sentimentos através de atitudes desafiadoras. Eles podem agir com agressividade, quebrar objetos ou pegar coisas que não são deles.
Também podem demonstrar pouca preocupação com os sentimentos dos outros. Essas atitudes podem ser muito difíceis para os cuidadores e para as pessoas ao redor.
É importante saber que esses comportamentos não são apenas parte do que é esperado no desenvolvimento, e que exigem cuidado e atenção especial. Não é uma “fase rebelde” comum da infância ou adolescência. Eles podem ser sinais de que a criança precisa de ajuda.
Com o apoio certo, é possível que ela aprenda a controlar suas ações e a entender como elas afetam os outros.
O que é esperado?
É esperado que crianças e adolescentes, em diferentes fases do desenvolvimento, apresentem comportamentos de oposição, brigas ou atitudes que parecem desconsiderar os sentimentos dos outros. Isso faz parte do processo de aprender a lidar com emoções intensas, regras sociais e limites.
Por exemplo, crianças pequenas podem bater, empurrar ou pegar brinquedos de outras crianças porque ainda estão aprendendo a esperar a vez e a compartilhar. À medida que crescem, continuam testando regras e limites, mas também desenvolvem mais empatia e habilidade de se colocar no lugar do outro.
Esses comportamentos, quando esperados, costumam acontecer em situações específicas, são de curta duração e melhoram com orientação ou com o tempo.
- Por volta dos 3 anos: é comum bater, empurrar ou tomar objetos de outros, porque ainda estão aprendendo a controlar impulsos.
- Entre 4 e 5 anos: podem ter discussões mais frequentes e reagir com agressividade em brincadeiras, mas já começam a compreender regras simples de convivência.
- Por volta dos 6 anos: entendem melhor que bater ou pegar coisas dos outros machuca ou chateia, embora ainda precisem de lembretes para respeitar.
- Entre 7 e 8 anos: podem se irritar e brigar em jogos ou discussões, mas conseguem se desculpar e reparar quando são orientados.
- Por volta dos 9 anos: já têm mais noção do impacto de suas atitudes sobre os outros, embora ainda possam desrespeitar regras em situações de conflito.
- Entre 10 e 12 anos: podem desafiar regras ou parecer pouco preocupados com sentimentos alheios, mas aprendem a refletir sobre isso com diálogo.
- Por volta dos 13 e 14 anos: adolescentes podem questionar limites e autoridade, mas são capazes de compreender regras sociais mais complexas e discutir consequências de suas ações.
Quando devo me preocupar?
Existem vários sinais que podem indicar que uma criança ou adolescente está enfrentando questões relacionadas com agressividade ou com a capacidade de se importar com os outros. Esses sinais podem variar de acordo com a idade.
- Comportamento ameaçador: pode ameaçar machucar pessoas ou animais.
- Agressão física: pode iniciar brigas ou usar objetos para ferir os outros.
- Destruição de propriedade: pode quebrar objetos de outras pessoas ou colocar fogo em coisas de propósito.
- Roubo ou mentiras: pode pegar coisas sem permissão ou mentir para conseguir o que quer.
- Falta de arrependimento: pode não demonstrar remorso após machucar alguém, algum animal ou desrespeitar regras.
- Dificuldade com as emoções: pode ter dificuldade para controlar o que sente e se frustrar com facilidade.
- Faltas escolares: pode faltar à escola ou sair de casa à noite sem permissão.
- Problemas de relacionamento: pode ter dificuldades para se relacionar com familiares ou amigos.
Nesses casos, os comportamentos são persistentes e prejudiciais, ocorrendo em diferentes contextos e ambientes.
O que posso fazer para ajudar?
Como cuidador(a), manter a paciência e oferecer apoio a uma criança com essas dificuldades é essencial. Aqui estão algumas estratégias que você pode tentar:
- Seja um exemplo. Mostre um bom comportamento mantendo a calma e usando um tom de voz tranquilo. As crianças e os adolescentes aprendem muito observando os adultos e podem muitas vezes reproduzir comportamentos que já acontecem dentro de casa. Por isso, também evite discutir e brigar na frente da criança ou adolescente.
- Ofereça apoio. Mostre que você percebe o comportamento e que está presente para ajudar. Ouça com atenção, sem tentar resolver tudo de imediato.
- Converse sobre o assunto. Faça perguntas simples para entender o que está incomodando. Isso pode ajudar na expressão dos seus sentimentos.
- Mantenha as regras. Não deixe que a criança ou adolescente pense que pode quebrar regras sem consequências. A consistência ajuda a entender os limites.
- Explique as consequências. Seja coerente com as regras e os resultados. Certifique-se de que a criança ou adolescente sabe o que acontecerá se desrespeitar uma regra. Aplique consequências proporcionais, evitando punições físicas.
- Elogie os bons comportamentos. Reconheça quando a criança ou adolescente segue as regras ou se comporta bem. O reforço positivo estimula a repetição desses comportamentos.
- Ensine a resolver problemas. Ajude a criança ou adolescente a encontrar outras formas de lidar com as dificuldades. Incentive-o(a) a pensar em soluções e colocá-las em prática.
- Estabeleça rotinas claras. Ter horários previsíveis para atividades como refeições, dever de casa e sono ajuda a criança a se sentir segura e saber o que esperar ao longo do dia.
- Ofereça escolhas sempre que possível. Dar à criança ou adolescente opções reforça senso de autonomia e reduz conflitos.
- Tente mudar a linguagem. Em vez de dizer o que a criança ou adolescente não pode fazer, diga o que ela pode fazer. Isso ajuda a redirecionar o comportamento sem confronto direto.
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
Não se sinta envergonhado(a) de pedir ajuda. Comece conversando com o(a) pediatra ou médico(a) de família da criança. Esses profissionais podem orientar os primeiros passos e, se necessário, encaminhá-lo para um(a) especialista em saúde mental, como um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra infantil.
É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.
Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
- Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
- Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.
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