Ser agressivo, danificar ou pegar coisas dos outros, ou não demonstrar consideração pelos sentimentos alheios

Às vezes, você ou algum(a) amigo(a) pode agir de um jeito que machuca os outros ou desrespeita regras. Isso pode incluir ser cruel, quebrar coisas ou não se importar com os sentimentos das outras pessoas. Vai além de zoeiras ou de uma reação impulsiva. Quando esses comportamentos acontecem com frequência e por um longo tempo, pode ser sinal de algo mais sério.

Alguns adolescentes podem machucar animais, mentir ou pegar coisas que não são deles sem demonstrar preocupação. Também podem começar com empurrões, socos ou brigas, e isso pode se tornar mais grave com o tempo. Essas atitudes não são legais, machucam outras pessoas e prejudicam quem as pratica.

É importante lembrar que errar faz parte do crescimento, mas repetir esse tipo de comportamento muitas vezes pode trazer problemas sérios. Se você percebe que isso está acontecendo com você ou com alguém próximo, conversar com um adulto de confiança pode ajudar a mudar a situação antes que piore.

O que é esperado?

É esperado que, de vez em quando, crianças e adolescentes quebrem regras, discutam ou reajam de forma mais intensa. Isso acontece porque, conforme você cresce, começa a testar limites em casa, na escola e com os amigos, e isso faz parte de aprender a lidar com o mundo.

Algumas atitudes agressivas também podem aparecer. Crianças pequenas, por exemplo, podem bater ou empurrar quando ficam irritadas, ou brigar por brinquedos e jogos. Esses comportamentos costumam surgir em situações específicas e não significam, por si só, que existe um grande problema.

À medida que você cresce, vai aprendendo a lidar melhor com seus sentimentos, a esperar sua vez e a seguir regras com mais frequência. Todo mundo erra e todo mundo já perdeu o controle em algum momento, isso não define quem você é. O importante é entender que sentir raiva, frustração ou impaciência é normal, mas aprender a lidar com esses sentimentos faz parte do processo de amadurecer.

Com o tempo, aprendemos que se relacionar bem com as pessoas é importante e traz benefícios, amizades mais fortes, mais apoio e mais oportunidades de convivência. Parte de crescer é justamente aprender a agir de formas que nos ajudem a viver melhor com os outros.

Quando devo me preocupar?

Às vezes, agir com agressividade pode ser um sinal de que algo mais profundo está acontecendo. Se você, ou algum(a) amigo(a), costuma ameaçar machucar pessoas ou animais, começar brigas, ou usar objetos como paus ou facas para assustar alguém, é importante prestar atenção nesses comportamentos.

Outros sinais preocupantes incluem roubar, mentir para evitar problemas ou quebrar/danificar coisas de propósito, principalmente coisas que não são suas.

Se essas atitudes acontecem com frequência e começam a atrapalhar a vida no dia a dia, como na escola, nas amizades ou dentro de casa, talvez seja hora de conversar com alguém de confiança.

Muitas vezes, agir assim pode ser uma forma de lidar com emoções difíceis, frustrações, ou até com situações de estresse, como mudanças na família ou ter que se adaptar a um novo lugar.

Com crianças mais velhas e adolescentes, essa questão se torna uma preocupação maior se a pessoa:

  • Faltar à escola ou sair de casa sem avisar: pode ser uma forma de evitar situações difíceis ou mostrar que as regras deixaram de fazer sentido.
  • Fugir de casa: sair e não voltar até o dia seguinte (ou mais) é algo sério e que não deve ser ignorado.
  • Tocar outras pessoas de forma desrespeitosa ou sem consentimento: isso nunca é aceitável e é fundamental procurar ajuda se você ou um(a) amigo(a) estiverem passando por isso.

Ignorar esses sinais pode levar a problemas mais graves na escola, nas amizades e até na vida fora de casa.

Reconhecer o problema não é fraqueza, mas o primeiro passo para ter mais controle sobre suas atitudes e melhorar sua convivência.

O que posso fazer se eu (ou um(a) amigo(a)) estiver passando por isso?

Se você, ou algum(a) amigo(a), perceber esses comportamentos, há coisas que podem ser feitas para melhorar. Aqui estão algumas ideias:

  1. Converse sobre os sentimentos. Compartilhe o que está sentindo com alguém de confiança. No começo, pode ser difícil falar como você se sente, mas esse é um processo e não precisa ser perfeito, precisa apenas começar.
  2. Procure entender e seguir as regras. Elas existem para ajudar na convivência e proteger todo mundo.
  3. Valorize suas próprias tentativas e também reconheça quando os outros fazem algo positivo, todo mundo gosta de ser notado pelo que faz de bom.
  4. Encontre outras formas de resolver problemas. Pense em diferentes maneiras de lidar com situações difíceis que não seja brigar, machucar alguém ou quebrar coisas. Conversar, pedir ajuda, respirar fundo ou se afastar por um tempo podem ser alternativas que funcionam melhor.
  5. Evite o que te irrita. Se você sabe que algo te deixa irritado, tente se afastar disso ou encontrar uma maneira de lidar com isso de forma mais calma.
  6. Fique ativo. Faça atividades divertidas, como esportes ou hobbies, para se manter ocupado e liberar energia de forma positiva.

Lembrar que mudanças acontecem aos poucos é essencial: cada passo positivo conta e deve ser valorizado.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

Se você ou um(a) amigo(a) está com dificuldades em lidar com esses comportamentos, está tudo bem pedir ajuda.

Converse com um(a) médico(a), como um(a) pediatra, clínico(a) geral ou o(a) profissional da Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Esse médico vai te escutar, entender o que está acontecendo e, se necessário, encaminhar você para um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra, que são especialistas em saúde mental.

No SUS (Sistema Único de Saúde), você tem acesso gratuito a esses cuidados em locais como:

  • Unidades Básicas de Saúde (UBS): ponto de partida para receber orientações e encaminhamentos.
  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): serviços especializados para adolescentes que precisam de mais apoio emocional.
  • Ambulatórios e hospitais públicos: em algumas cidades, oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Pedir ajuda não é fraqueza — é um jeito de se cuidar. Com o apoio de adultos e profissionais que se importam com você, é possível entender o que está acontecendo e encontrar formas de se sentir melhor.

Além disso, o objetivo não é “mudar quem você é”, mas dar ferramentas para tomar melhores decisões, melhorar a convivência com amigos, família e escola, e ter mais controle sobre suas ações.

Guias de Bolso

Ser agressivo, danificar ou pegar coisas dos outros, ou não demonstrar consideração pelos sentimentos alheios

Onde encontrar
mais informações

Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.

O que você
achou dos guias?

Conte pra gente o que você achou dos guias! Sua opinião pode nos ajudar a melhorá-los. Existe algum tema que você procurou e não achou?

Eu sou: