Sentir tristeza e desânimo constante ou perder o interesse e o prazer pelas coisas
Ao longo do dia, é comum que o humor de crianças e adolescentes mude, dependendo do que estão vivendo ou pensando. Em alguns momentos, podem se sentir alegres, bem-dispostos(as) ou animados(as); em outros, podem ficar mais quietos(as), tristes ou desanimados(as).
Nesses casos, o(a) aluno(a) pode parecer cansado(a), irritado(a) ou com dificuldade de concentração. Pode deixar de participar de atividades que antes gostava, isolar-se dos colegas ou apresentar mudanças no sono e na alimentação.
A tristeza faz parte da vida, mas quando dura muitos dias ou aparece com muita frequência, pode ser um sinal de alerta.
Como educadores, é importante saber diferenciar momentos esperados de tristeza daqueles que podem indicar um sofrimento emocional mais persistente.
O que é esperado?
É comum que estudantes se sintam tristes quando algo difícil acontece, como brigas com colegas, mudanças em casa ou frustrações.
Geralmente, mesmo nesses momentos, eles conseguem manter algum interesse por atividades, conversar com colegas ou retomar a rotina em alguns dias. Porém, quando o(a) aluno(a) passa a maior parte do tempo triste, irritado(a) ou desanimado(a), sem vontade de fazer o que antes gostava, é um sinal de alerta.
Em crianças, a tristeza pode aparecer como irritação, birras, choro fácil, reclamação de dores sem causa médica ou dificuldade de se concentrar.
Em adolescentes, pode aparecer como isolamento, queda nas notas, mudanças no apetite, problemas de sono, fala negativa sobre si mesmo ou falta de esperança em relação ao futuro.
É esperado que alunos(as) tenham altos e baixos emocionais, mas quando esses sentimentos se tornam constantes e começam a interferir na vida escolar e social, precisam ser observados com atenção.
Quando devo me preocupar?
Crianças mais novas costumam ter mais facilidade para expressar de forma direta o que estão sentindo, dizendo quando estão tristes, com medo ou bravas. Já os adolescentes podem não falar tanto, mas demonstrar por meio de mudanças de humor, como ficar mais irritados(as), fechados ou distantes. Isso torna mais difícil perceber quando a tristeza não passa.
Alguns sinais que professores podem observar incluem o(a) estudante:
- Se afastar dos colegas;
- Parar de participar das atividades de que antes gostava;
- Ficar mais calado(a) ou parecer desinteressado(a) mesmo durante momentos agradáveis.
Sinais de tristeza e desânimo constante:
- Irritação frequente ou perda de paciência
- Comentários de que nada vai melhorar
- Cansaço ou baixa energia na maior parte dos dias
- Falta de interesse por atividades que antes geravam prazer
- Dificuldade de concentração, até em tarefas simples
- Dificuldade para tomar decisões
- Queda no rendimento escolar
- Falar mal de si mesmo(a)
- Visão negativa sobre o mundo, as pessoas ou o futuro
- Mudança no apetite (comer muito ou pouco)
- Mudança no peso (emagrecer ou engordar rapidamente)
- Isolamento social ou desejo de ficar sempre sozinho(a)
- Problemas para dormir ou sono excessivo
- Queixas físicas frequentes (dor de barriga, dor de cabeça, coração acelerado)
- Sensação de solidão ou afastamento social.
O que posso fazer para ajudar?
Crie um ambiente acolhedor e seguro. Para isso, é importante que você, enquanto professor(a) ou educador(a):
- Esteja disponível e acessível. Crie um espaço onde o(a) aluno(a) se sinta à vontade para conversar, mesmo que não queira falar sobre sentimentos diretamente. Escutar sem julgamento já é uma forma de apoio importante.
- Incentive novas experiências. Sugira atividades que estimulem o contato com outras pessoas, como clubes, oficinas, projetos em grupo, rodas de leitura ou grêmios estudantis.
- Estimule hábitos saudáveis. Reforce a importância de dormir bem, se alimentar de forma equilibrada e se movimentar. Esses hábitos ajudam no bem-estar emocional.
- Inclua movimento na rotina. Atividades físicas leves durante a aula ou nos momentos de transição podem ajudar a melhorar o humor e a atenção.
- Crie oportunidades de sucesso. Planeje tarefas em que o(a) aluno(a) possa se sair bem, sentir-se valorizado e receber reforços positivos.
- Ofereça suporte extra. Seja flexível com prazos e ofereça ajuda quando perceber que o(a) aluno(a) está com dificuldade para acompanhar as atividades.
- Comunique-se com a família e a equipe de apoio da escola. Se perceber que a tristeza está interferindo significativamente na rotina do(a) estudante, compartilhe suas observações com os responsáveis e, se necessário, acione o(a) orientador(a) educacional ou psicólogo(a) da escola. Explique de forma acolhedora o que tem observado e oriente a busca por ajuda profissional.
Evite minimizar ou dizer que é “preguiça” ou “drama”. Quanto antes o(a) aluno(a) receber apoio, melhor será sua recuperação emocional e seu desempenho escolar.
Lembre-se: o papel do(a) educador(a) não substitui o(a) profissional de saúde mental, mas seu olhar atento e acolhedor faz toda a diferença no cuidado e na recuperação do(a) aluno(a).
Que tipo de apoio profissional posso procurar?
Oriente a família a procurar um(a) psicólogo(a) que trabalhe com crianças e adolescentes para que seja realizada uma avaliação. Caso necessário, pode ser indicado também atendimento com psiquiatra infantil.
Além disso, lembre aos cuidadores que é possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima deles, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.
Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
- Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
- Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
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