Sentir tristeza e desânimo constante ou perder o interesse e o prazer pelas coisas
Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.
É comum que o humor mude ao longo do dia. Às vezes nos sentimos alegres e animados, e em outros momentos podemos ficar mais quietos ou tristes. Crianças e adolescentes também passam por essas mudanças. Sentir tristeza de vez em quando faz parte da vida, especialmente quando algo difícil acontece.
Mas, às vezes, essa tristeza fica mais intensa e dura muitos dias ou semanas, fazendo com que seu(sua) filho(a) perca o interesse pelas coisas que antes gostava, como brincar, sair ou conversar. Ele(a) pode parecer mais quieto(a), irritado(a) ou cansado(a) o tempo todo.
Nesses casos, é importante prestar atenção.
O que é esperado?
Crianças e adolescentes podem ficar tristes quando passam por situações difíceis, como brigas com amigos, perdas, mudanças ou frustrações. Há alterações de humor que fazem parte da infância e adolescência, e que podem acontecer de vez em quando.
Esse sentimento é comum em circunstâncias desafiadoras. Com o tempo e com apoio, a maioria volta a se sentir melhor, especialmente quando recebe carinho, atenção e escuta, ou quando vive experiências positivas.
Por outro lado, é importante observar se a criança ou adolescente continua desanimado(a) mesmo em momentos tranquilos ou quando acontecem coisas boas. Também, se deixa de se interessar por atividades de que antes gostava, evita brincar ou sair com amigos, ou passa a maior parte do tempo sem energia.
Quando não conseguem mais sentir prazer nessas coisas por muito tempo, ou quando a tristeza parece não ter motivo claro e dura semanas, é sinal de que precisam de atenção.
Quando devo me preocupar?
Crianças mais novas costumam ter mais facilidade para expressar de forma direta o que estão sentindo, dizendo quando estão tristes, com medo ou bravas. Já os adolescentes podem não falar tanto, mas demonstrar por meio de mudanças de humor, como ficar mais irritados, fechados ou distantes. Isso torna mais difícil perceber quando a tristeza não passa.
Preste atenção se seu(sua) filho(a) deixou de ter interesse nas atividades que antes gostava. Em alguns casos, ele(a) pode passar muito tempo no celular, computador ou jogos, mas sem aproveitar de verdade. Quando isso aparece junto com outras mudanças de comportamento ou de humor, pode ser um sinal de alerta de que algo não vai bem.
###Sinais de tristeza e desânimo constante:
- Ficar irritado(a) ou impaciente com facilidade
- Dizer que nada vai melhorar ou demonstrar pessimismo
- Estar cansado(a) ou sem energia na maior parte dos dias
- Perder o interesse por atividades de que antes gostava
- Ter dificuldade para se concentrar, mesmo em tarefas simples
- Ter dificuldade para tomar decisões
- Ter queda no rendimento escolar
- Falar mal de si mesmo(a) ou se criticar com frequência
- Ter pensamentos negativos sobre si, os outros ou o futuro
- Comer muito mais ou muito menos do que o habitual
- Engordar ou emagrecer rapidamente
- Querer ficar mais isolado(a), sem vontade de sair ou conversar
- Dormir mal ou se sentir cansado(a) o tempo todo
Outros sinais podem incluir: sentir que nada tem importância, afastar-se das pessoas, ou sentir-se sozinho(a), inútil ou culpado em excesso. Em alguns casos, principalmente entre adolescentes, eles podem dizer que pensam na morte ou em se machucar.
Também podem aparecer sinais físicos, como dor no estômago, tremores, suor excessivo ou batimentos acelerados do coração.
Esses sinais indicam que a tristeza e o desânimo estão maiores do que deveriam estar e estão afetando a vida dele(a). Não espere passar sozinho(a). Com apoio, tratamento e compreensão, é possível melhorar e recuperar o interesse pelas coisas boas da vida.
O que posso fazer para ajudar?
Como cuidador(a), você pode apoiar seu(sua) filho(a) de algumas formas:
1. Esteja presente. Passe tempo com seu(sua) filho(a) e escute o que ele(a) tem a dizer sobre o que está acontecendo. Se ele(a) conseguir contar por que está triste, acolha esse sentimento e mostre que é possível falar sem medo de julgamento.
2. Sugira atividades novas. Incentive seu(sua) filho(a) a participar de atividades em grupo, como grupos de interesse, oficinas, como roda de leitura, grupo de rap ou grêmio estudantil. Crianças e adolescentes que sentem desmotivação em excesso costumam se isolar, mas estar com outras pessoas e fazer coisas divertidas pode ajudar.
3. Ajude a manter hábitos saudáveis. Dormir bem, se alimentar de forma equilibrada e se movimentar (com caminhada, dança, esporte ou o que fizer sentido para ele ou ela) pode fazer diferença no dia a dia.
4. Lembre-se: ninguém escolhe estar triste. Às vezes, a tristeza aparece mesmo quando tudo parece estar bem. Isso não é culpa da criança ou do adolescente.
5. Evite cobranças excessivas. Se nada parece funcionar, evite insistir demais ou fazer críticas. Forçar pode fazer com que ele(a) se feche ainda mais. O mais importante é que seu(sua) filho(a) saiba que pode contar com você, mesmo nos momentos mais difíceis.
Que tipo de apoio profissional posso procurar?
É natural que os cuidadores se sintam preocupados com seus filhos. Se você está preocupado(a), há ajuda disponível.
É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.
Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
- Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
- Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.
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