Sentir tristeza e desânimo constante ou perder o interesse e o prazer pelas coisas
Todo mundo tem dias bons, mas também tem dias ruins, certo? Às vezes você acorda sem vontade de fazer nada, fica chateado por causa de uma nota baixa, uma briga ou algo que deu errado.
Mas quando essa tristeza não vai embora e parece que nada mais faz sentido, é hora de prestar atenção.
Talvez você sinta que está sempre cansado(a), irritado(a) ou sem vontade de ver ninguém. Pode ser que coisas que antes te faziam feliz, como ouvir música, jogar ou estar com amigos, agora pareçam sem graça. Pode até acontecer de às vezes você começar a pensar coisas ruins sobre si mesmo(a).
Se esse for o seu caso, saiba que você não precisa passar por isso sozinho(a). Todos nós temos pessoas ao nosso redor que se importam conosco e com você não é diferente. Existem pessoas que podem te ajudar a voltar a sentir prazer nas coisas que gosta.
O que é esperado?
Todo mundo passa por momentos em que sente vontade de chorar, fica desanimado(a) ou irritado(a). Isso acontece quando algo importante dá errado, quando brigamos com alguém ou estamos muito cansados.
Geralmente, essa tristeza vai embora depois de alguns dias, principalmente quando conversamos com alguém de confiança ou fazemos algo que gostamos.
Mas, às vezes, essa sensação de tristeza não passa e isso é muito desconfortável. Você pode sentir como se nada mais tivesse graça, como se estivesse preso em um vazio.
Coisas simples, como tomar banho, arrumar o quarto ou estudar, podem parecer tarefas impossíveis.
Você pode começar a dormir demais ou ter insônia, comer muito ou quase nada, se irritar facilmente ou se sentir sem energia para qualquer coisa.
Talvez não queira mais sair de casa, ver amigos ou fazer atividades que antes te faziam bem. Pode até pensar que não tem mais solução ou que ninguém se importa.
Mas, é fundamental que você lembre que isso não é preguiça, fraqueza ou drama. Esses sentimentos mostram que você está sobrecarregado(a) e que precisa de apoio para se sentir melhor.
Quando devo me preocupar?
Sentir-se triste de vez em quando é algo que todo mundo vive, pois faz parte da vida.
Mas se você está se sentindo mal quase todos os dias, por um período longo, e isso está atrapalhando seu dia a dia, pode ser um sinal de tristeza e desânimo persistente que precisa ser cuidado.
Veja alguns sinais:
- Irritação frequente, mesmo com coisas pequenas
- Pensar que nada vai melhorar
- Cansaço constante ou falta de energia
- Perder o interesse por atividades que antes gostava
- Dificuldade para se concentrar
- Não se importar com as tarefas da escola
- Falar mal de si mesmo(a) ou se sentir inútil
- Ter pensamentos negativos sobre o futuro, o mundo ou as pessoas
- Comer muito mais ou muito menos do que o habitual
- Ganhar ou perder peso de forma rápida
- Se afastar de amigos e familiares
- Dormir mal ou dormir demais
- Sentir que nada tem importância
- Se sentir sozinho(a), com raiva ou com culpa o tempo todo
- Pensar em morrer ou em se machucar
- Ficar mais lento para agir ou falar
- Sentir o corpo agitado ou inquieto, sem conseguir relaxar.
Se estiver se sentindo assim, saiba que não é culpa sua. Não significa que você está falhando, mas que precisa de cuidado e apoio para voltar a se sentir bem.
Esses pensamentos e comportamentos podem parecer assustadores, mas você não precisa lidar com isso sozinho(a).
Mesmo quando parece que ninguém se importa, sempre existe alguém disposto a te ouvir e te apoiar.
Buscar ajuda não é fraqueza, é coragem, certo? E você merece se sentir bem de novo.
O que posso fazer se eu (ou um(a) amigo(a)) estiver passando por isso?
Lidar com a tristeza nem sempre é fácil, mas há diversos caminhos possíveis para você se sentir bem de novo.
Aqui estão algumas coisas que podem ajudar:
- Fale com alguém. Conversar com alguém de confiança, como um(a) amigo(a), familiar, professor(a) ou outro adulto, pode trazer alívio. Ninguém precisa enfrentar momentos difíceis sozinho(a), e oferecer ou buscar escuta pode fazer muita diferença.
- Tente fazer coisas diferentes. Participar de atividades que você (ou seu(sua) amigo(a)) gosta ou conhecer gente nova pode ajudar. No começo pode não dar vontade, mas estar perto de pessoas e fazer algo agradável pode melhorar o humor aos poucos.
- Cuide do corpo. Dormir bem, comer de forma equilibrada e se movimentar um pouco todos os dias faz bem para o bem-estar. Caminhar, dançar ou praticar qualquer atividade física leve já é um bom começo!
- Mantenha uma rotina, mesmo devagar. Continuar com as tarefas do dia a dia pode ser difícil, mas seguir uma rotina ajuda a criar uma sensação de segurança. Vale para você, e vale lembrar seu(sua) amigo(a) também, com gentileza!
- Reforce as qualidades. Lembrar a si mesmo ou a um(a) amigo(a) do que faz bem, das próprias forças e das conquistas que já teve pode ajudar a recuperar a autoestima.
- Valorize os pequenos avanços. Cada passo conta! Reconheça e comemore pequenos progressos. Acolher o ritmo de cada um é parte do cuidado.
Se perceber que ficar o dia todo nas redes sociais pode te deixar pior, reduza o tempo de tela, pois certamente irá ajudar.
Lembre-se: podemos contar com alguém de confiança não apenas nos momentos de alegria, mas nos de dificuldade também. Por isso, está tudo bem receber ajuda.
Que tipo de apoio profissional posso procurar?
Não tem problema se sentir envergonhado(a) ou culpado(a) se você estiver lutando contra uma tristeza persistente. Ajuda está disponível, e você merece apoio.
Você também pode dividir sua dificuldade com um profissional da sua escola, ou um(a) médico(a), como um(a) pediatra, clínico(a) geral ou o(a) profissional da Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima.
Esse profissional vai te escutar, entender o que está acontecendo e, se necessário, encaminhar você para um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra, que são especialistas em saúde mental.
No SUS (Sistema Único de Saúde), você tem acesso gratuito a esses cuidados em locais como:
- Unidades Básicas de Saúde (UBS): ponto de partida para receber orientações e encaminhamentos.
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): serviços especializados para adolescentes que precisam de mais apoio emocional.
- Ambulatórios e hospitais públicos: em algumas cidades, oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
Não esqueça que pedir ajuda não é fraqueza — é um jeito de se cuidar, tá bom?
Com o apoio de adultos e profissionais que se importam com você, é possível entender o que está acontecendo e encontrar formas de se sentir melhor.
Guias de Bolso
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