Sentir que está muito bem, com muita energia ou muito mais animado do que o normal
Estudantes podem, em diferentes momentos, demonstrar muita energia, empolgação e alegria. Essas reações costumam estar ligadas a situações positivas, como atividades de que gostam, brincadeiras, bons resultados escolares ou eventos esperados. Ter dias mais animados e intensos faz parte do desenvolvimento.
No entanto, quando esse nível de energia parece muito acima do esperado, dura muitos dias seguidos ou começa a atrapalhar a rotina escolar e as interações com colegas e professores, vale observar com mais atenção.
Entender essa dinâmica é fundamental para diferenciar comportamentos ocasionais de um padrão que exige atenção e cuidado profissional.
O que é esperado?
É comum que crianças e adolescentes passem por mudanças de humor e energia ao longo do dia ou da semana. Essas variações estão geralmente ligadas ao que acontece ao redor, como brincadeiras, conflitos, tarefas escolares ou relações com colegas.
Veja o que pode ser esperado em diferentes faixas etárias:
- Até os 5 anos: Crianças podem ter curtos momentos de empolgação, como correr pela sala, rir alto ou mudar rapidamente de atividade, especialmente em momentos de brincadeira.
- Entre 6 e 8 anos: Já conseguem nomear melhor o que sentem, mas ainda podem se empolgar bastante com pequenas novidades.
- Entre 9 e 11 anos: Começam a experimentar emoções mais complexas e podem oscilar entre momentos de muita energia e períodos mais calmos, especialmente em relação à escola e amizades.
- Entre 12 e 14 anos: Mudanças de humor e energia podem ser mais intensas por causa da puberdade, mas costumam ser passageiras e ligadas a experiências cotidianas.
- A partir dos 14 anos: O humor pode oscilar bastante, com momentos de empolgação em amizades, conquistas e atividades, alternados com fases de retraimento ou cansaço. Aos poucos, a alegria e a energia se tornam mais ligadas a interesses e projetos pessoais. A partir dos 18 anos, o humor tende a ser mais estável, com entusiasmo direcionado a estudos, trabalho, relacionamentos e lazer.
Essas oscilações fazem parte do crescimento e geralmente não interferem de forma significativa nas relações ou na participação em sala de aula.
Quando devo me preocupar?
Embora animação e energia sejam geralmente vistas como algo positivo, o momento de preocupação chega quando a animação e a energia deixam de ser proporcionais à situação e começam a gerar riscos ou prejuízos.
É importante observar com mais atenção quando:
- O(a) aluno(a) demonstra muita energia e agitação por vários dias seguidos, mesmo em momentos que pedem calma ou concentração.
- Dorme pouco ou parece não precisar descansar, chegando à escola muito ativo ou acelerado.
- Fala ou age de forma muito rápida, mudando de assunto com frequência ou interrompendo os outros o tempo todo.
- Assume comportamentos impulsivos ou perigosos para si ou para os outros.
- Tem dificuldade de manter o foco mesmo em atividades simples ou conhecidas.
- Alterna rapidamente entre momentos de empolgação e momentos de irritação ou tristeza.
- A agitação interfere na aprendizagem, nas relações com colegas ou no cumprimento de tarefas básicas do dia a dia escolar.
Esses sinais costumam demonstrar que o(a) estudante pode estar precisando de apoio adicional para lidar com o que está sentindo.
É importante que o(a) educador(a) perceba que o(a) estudante não está “fazendo de propósito” nem “querendo chamar atenção”.
Além disso, é válido observar o contexto em que esses sinais se apresentam com maior intensidade, como estresse por provas ou problemas familiares.
O que posso fazer para ajudar?
A escola pode oferecer suporte valioso no dia a dia. Veja algumas estratégias:
- Mantenha uma rotina previsível. Estudantes se sentem mais seguros quando sabem o que esperar. Atividades com horários claros ajudam a organizar o tempo e o comportamento.
- Inclua pausas e atividades de transição. Momentos breves para movimentar o corpo, respirar ou reorganizar os materiais podem ajudar os estudantes com muita energia a se autorregular.
- Crie um ambiente acolhedor. Mostre abertura para que os(as) alunos(as) expressem o que estão sentindo, sem medo de julgamento. Frases como “você parece muito animado hoje, quer me contar o que aconteceu?” ajudam na conexão.
- Incentive autorregulação emocional. Ajude os(as) estudantes a identificar seus sentimentos e aprender formas de lidar com eles, como usar um canto de descanso, escrever, desenhar ou respirar fundo.
- Reforce comportamentos desejados. Elogie atitudes como escutar, esperar sua vez ou respeitar o espaço do outro. Isso ajuda a reforçar a autorregulação.
- Ofereça tarefas desafiadoras e estruturadas. Estudantes com muita energia costumam responder bem a atividades práticas, criativas e bem definidas.
- Canalize esse entusiasmo para atividades criativas ou colaborativas, mas estabelecendo limites claros para evitar excessos.
- Comunique-se com os cuidadores. Se as mudanças de comportamento forem frequentes e interferirem na rotina da escola, compartilhe suas observações com a família de forma respeitosa e colaborativa.
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
Oriente a família a procurar um(a) psicólogo(a) que trabalhe com crianças e adolescentes para que seja realizada uma avaliação. Caso necessário, pode ser indicado também atendimento com psiquiatra infantil.
Além disso, lembre aos cuidadores que é possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima deles, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.
Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
- Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
- Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
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