Sentir nervosismo, preocupação ou ficar desconfortável perto de pessoas ou ao falar em público

Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.

As crianças reagem de maneiras diferentes às situações do dia a dia. Algumas são mais abertas, falam com facilidade, gostam de interagir e de experimentar coisas novas.

Outras são mais reservadas: observam antes de participar, preferem brincar sozinhas ou com poucas pessoas conhecidas, e podem demorar mais para se sentir à vontade em ambientes diferentes.

Essas diferenças de comportamento fazem parte da personalidade. Crianças mais quietas, por exemplo, podem ser descritas como tímidas ou introvertidas, e isso não é um problema em si.

O que é esperado?

Ser tímido(a) não é um problema. Muitas crianças são tímidas em alguns momentos. Crianças pequenas podem ser tímidas ao encontrar alguém que não conhecem ou com quem não tenham muita familiaridade, como um(a) amigo(a) dos pais ou um balconista de uma loja. Elas podem se esconder atrás dos pais quando são convidados a brincar por outras crianças.

Crianças mais velhas também ou adolescentes também podem apresentar timidez, principalmente, ao conhecer pessoas novas.

A timidez pode impedir uma criança ou adolescente de fazer algo novo, mas não deve impedi-lo de fazer atividades cotidianas. Apesar da timidez, eles devem ser capazes de falar com pessoas próximas, amigos, ou pessoas na escola.

Quando devo me preocupar?

Os cuidadores devem se preocupar quando a timidez impedir ou comprometer a diversão ou interação da criança ou adolescente com os outros. Quando a timidez é excessiva, a criança ou adolescente fica muito quieta e reservada, perdendo oportunidade de aprender e de se divertir.

Por exemplo, quando uma criança começa numa escola nova, é natural que ela seja tímida no começo. Mas depois de alguns dias ou até semanas, ela deve se acostumar. Se isso não acontecer, pode ser timidez excessiva.

A timidez excessiva pode fazer com que a criança ou adolescente tenha medo de situações sociais e de estar com outras pessoas. Ela pode se preocupar com o que os outros pensam, e esse medo dificulta que falar em sala de aula, conhecer pessoas novas, falar ao telefone ou até mesmo comer na frente de outras pessoas.

Além de sintomas físicos como dor de cabeça ou dor de barriga, crianças mais novas também podem ter mutismo seletivo, ou seja, não conseguir falar perto de algumas pessoas ou em certos lugares.

Sinais de timidez excessiva incluem:

  • Ficar muito preocupado(a), nervoso(a) ou chateado(a) perto de outras pessoas ou ao falar com elas.
  • Evitar estar com pessoas ou conversar por causa de preocupação ou nervosismo.
  • Ficar preocupado(a) perto de professores ou outras pessoas importantes.
  • Evitar fazer coisas com medo de ser observado(a), como comer, escrever ou praticar esportes.
  • Ter medo de “passar vergonha” ou “fazer papel de boba” na frente dos outros.
  • Sentir coisas no corpo, como coração batendo forte, tremores, suor, dificuldade para respirar ou dor de barriga quando estiver com outras pessoas ou falando com elas.

Por isso, se a criança ou adolescente evita atividades sociais com frequência, se recusa a ir à escola em dias específicos ou se mostra muito desconfortável em interações simples, é importante prestar atenção.

O que posso fazer para ajudar?

Como cuidador(a), você pode tentar algumas coisas para ajudar seu(sua) filho(a) com timidez excessiva:

1. Converse com seu(sua) filho(a).

Pergunte como ele(a) está se sentindo, sem julgamentos. Mostre que você quer entender o que ele(a) está sentindo.

2. Ouça.

Alguns motivos para ser tímido(a) podem parecer bobos para adultos, mas são reais para crianças e adolescentes. Ouça e busque entender antes de oferecer soluções.

3. Dê tempo a ele(a).

Deixe seu(sua) filho(a) se acostumar com situações novas. Incentive-o(a) a interagir, mas sem forçar, pois a pressão pode deixá-lo(a) mais ansioso(a).

4. Crie interações positivas.

Organize encontros ou atividades e brincadeiras com crianças com as quais ele(a) se sinta à vontade. Boas experiências podem ajudá-lo(a) a se sentir melhor.

5. Brinque de faz de conta ou ensaie interações com outras pessoas.

Pratique com seu filho(a) situações que para ele(a) sejam novas ou assustadoras. Isso ajuda a aprender como cumprimentar, manter contato visual e conversar com confiança.

6. Reconheça o progresso.

Elogie seu(sua) filho(a) quando ele(a) se esforçar. Reforços positivos podem ajudá-lo(a) a superar a timidez.

7. Previna a evitação.

Não deixe seu filho(a) fugir de situações sociais. Isso pode piorar sua timidez.

O importante é lembrar que a criança não está sendo “manhosa” nem “preguiçosa”. Ela está lidando com sentimentos intensos que precisam ser compreendidos e cuidados com empatia.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

É natural que cuidadores se sintam preocupados se seu filho ou filha é muito tímido(a). Se você está preocupado com essa timidez da criança ou adolescente, pode procurar ajuda.

É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.

Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:

  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
  • Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
  • Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.

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Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.

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