Sentir muito medo ou entrar em pânico de repente, sem um motivo claro
Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.
Ataques de pânico podem ser muito assustadores. Eles acontecem quando alguém sente, de repente, muitos sintomas físicos intensos, como coração acelerado, suor, tremores, tontura, dificuldade para respirar e sensação de mal-estar. Durante um ataque de pânico, a pessoa pode achar que algo terrível está acontecendo, como estar morrendo, enlouquecendo ou perdendo o controle.
Em crianças e adolescentes, isso pode aparecer associado ao medo de ir à escola, dificuldade de participar de atividades ou afastamento de amigos, mesmo que eles não consigam explicar exatamente o porquê.
O que é esperado?
Sentir medo em situações perigosas é uma reação natural e saudável, pois é a forma como o corpo nos protege. Mas, quando crianças e adolescentes têm ataques de pânico, esse alarme dispara mesmo quando não exista um problema real.
Ataques de pânico podem acontecer em situações específicas, mas também podem surgir do nada. Muitas crianças e adolescentes descrevem esses momentos como se o ambiente estivesse se fechando, como se não conseguissem respirar ou como se estivessem prestes a morrer.
Um ataque de pânico pode incluir:
- Sentir que algo terrível está prestes a acontecer
- Sentir vontade de escapar
- Coração acelerado
- Suor
- Tremores
- Dificuldade para respirar ou sensação de sufocamento
- Sensação de estar engasgado
- Dor ou desconforto no peito
- Tontura ou sensação de desmaio
- Sentir que as coisas não são reais
- Medo de perder o controle ou “enlouquecer”
- Medo de morrer
- Formigamento no corpo
- Calafrios ou ondas de calor
A maioria das crianças e adolescentes tem apenas um ataque de pânico. Mas, às vezes, só ter passado por um já é suficiente para gerar medo de ter outro, fazendo com que evitem certos lugares ou atividades.
Quando devo me preocupar?
Você deve se preocupar se uma criança ou adolescente tem ataques de pânico com frequência ou se começa a evitar coisas por medo de ter outro episódio.
Aqui estão alguns sinais para observar:
- Medo ou angústia repentina: A criança ou adolescente se sente muito assustado(a) ou angustiado(a) sem saber o motivo.
- Sintomas físicos: Ele(a) sente o coração bater rápido, tem tremores, suor ou dificuldade para respirar.
- Perda de controle: Durante o ataque de pânico, ele(a) sente que está perdendo o controle do que pensa ou faz.
- Problemas para respirar: Ele(a) sente que não consegue respirar, que pode desmaiar ou morrer durante o ataque.
- Sensação de irrealidade: Ele(a) sente que as coisas ao redor não são reais ou parecem um sonho.
- Preocupação com os ataques: Ele(a) se preocupa com a possibilidade de ter outro ataque de pânico.
- Evitação: Ele(a) evita certos lugares, atividades ou ficar sozinho(a) por medo de ter um novo ataque de pânico.
As crises de pânico, mesmo quando parecem “rápidas”, podem ter grande impacto emocional e físico. Quanto mais cedo o apoio for oferecido, maiores as chances de interromper o ciclo de medo e recuperação lenta.
O que posso fazer para ajudar?
Pais e cuidadores conhecem seus filhos melhor do que ninguém. Aqui estão algumas coisas que você pode fazer para ajudar uma criança ou adolescente durante um ataque de pânico:
- Evite reforçar as queixas físicas. Não corra para o pronto-socorro nem comece a medir o pulso ou a pressão da criança ou adolescente.
- Ajude a criança ou adolescente a respirar profundamente. Peça para ele(a) olhar para você e respirar devagar e profundamente. Fale com calma e suavidade.
- Mantenha a calma e tranquilize a criança ou adolescente. As crianças buscam conforto nos adultos. Diga que os sentimentos ruins vão passar.
- Ajude a criança ou adolescente a se sentir seguro(a). Um toque, um colo, um abraço ou até um carinho nas costas podem ajudar.
- Distraia dos pensamentos ansiosos. Peça para a criança ou adolescente imaginar um lugar feliz ou olhe ao redor com ele(a) e pergunte o que está vendo. Ajude ele(a) a observar o cômodo, as cores e formas dos objetos e a quantidade deles. Isso ajudará ele(a) a se acalmar.
- Encontre atividades relaxantes. Ajude a criança ou adolescente a relaxar com um banho morno, alongamentos suaves ou até exercícios leves.
- Converse com a criança. Faça perguntas simples para entender o que está incomodando. Escute antes de tentar resolver o problema.
Evite dizer coisas como “não é nada” ou “se acalme”, pois isso pode aumentar a sensação de incompreensão. O ideal é reconhecer que o que ele(a) está sentindo é real e muito desconfortável, mas que não representa um perigo imediato.
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
Comece conversando com o(a) pediatra ou médico(a) de família da criança. Esses profissionais podem orientar os primeiros passos e, se necessário, encaminhá-lo para um(a) especialista em saúde mental, como um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra infantil.
É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.
Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
- Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
- Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.
Onde encontrar
mais informações
Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.
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