Sentir muito medo ou entrar em pânico de repente, sem um motivo claro
Às vezes, o corpo reage como se algo muito perigoso estivesse acontecendo, mesmo que nada de ruim esteja acontecendo de verdade.
É como se, do nada, viesse um medo muito forte, junto com sintomas físicos: o coração dispara, a respiração fica rápida ou curta, as mãos tremem, o corpo sua, pode dar tontura, calor ou frio repentinos e até uma sensação de que vai desmaiar ou perder o controle.
Essa crise pode durar alguns minutos, mas costuma ser tão intensa que parece uma eternidade. Depois de passar, fica um medo grande de que aconteça de novo, e isso pode fazer a pessoa evitar lugares ou situações por receio de passar pela mesma coisa.
O pânico não significa que você é fraco, “dramático” ou que está “inventando”. É uma reação real do corpo, ligada a como o cérebro interpreta certos sinais.
Em jovens, pode aparecer na escola, em casa, no transporte, com amigos ou até durante momentos calmos. Ninguém escolhe ter isso, e não é algo que se controla “na força de vontade”.
O que é esperado?
Mesmo que nossos corpos tenham um sistema de alarme natural para nos ajudar em emergências, ter ataques de pânico não é algo comum. Com os ataques de pânico, esse alarme dispara sem uma razão real.
Ataques de pânico podem ser desencadeados por situações específicas, mas muitas vezes acontecem sem aviso. Durante um ataque de pânico, você pode sentir que:
- O ambiente está se fechando.
- Você não consegue respirar.
- Você pode morrer.
Ataques de pânico podem incluir:
- Sensação de perigo
- Vontade de escapar
- Coração acelerado
- Suor
- Tremores
- Dificuldade para respirar
- Sensação de estar engasgado
- Dor no peito
- Tontura
- Sensação de que as coisas não são reais
- Medo de perder o controle ou “enlouquecer”
- Medo de morrer
- Formigamento
- Calafrios ou ondas de calor
Os sintomas podem surgir de repente, sem motivo claro, e são muito intensos, sendo muitas vezes, bastante angustiantes.
Esses sintomas podem acontecer no meio de uma conversa, enquanto a pessoa assiste a uma aula ou até quando está descansando.
O pânico não é “frescura” nem falta de coragem, é uma reação que acontece sem controle, causada por uma mistura de fatores do corpo e da mente. Mesmo parecendo sem explicação, há formas de entender e lidar com isso.
Quando devo me preocupar?
A maioria das pessoas tem apenas um ataque de pânico. Mas, para algumas, ele pode ser tão assustador que passam a se preocupar com a possibilidade de ter novos episódios.
Essa preocupação pode fazer com que você evite lugares ou atividades, o que pode levar a mais ataques de pânico.
Se você tem ataques de pânico e medo de ter outros, pode desenvolver um medo intenso das sensações que acompanham esses episódios (como o coração acelerado), mesmo quando não está tendo um ataque.
Essa preocupação pode fazer com que você preste atenção demais a essas sensações e fique ainda mais ansioso(a), o que pode causar novos ataques. Isso cria um ciclo.
Outros sinais:
- Medo ou sentimentos de angústia repentinos, sem motivo claro.
- Sintomas físicos repentinos, como batimentos cardíacos acelerados, tremores, suor, dificuldade para respirar ou dor no estômago.
- Sensação de que está perdendo o controle durante um ataque.
- Sensação de que não consegue respirar, de que pode desmaiar ou morrer.
- Sensação de que você ou as coisas ao seu redor não são reais.
- Preocupação com a possibilidade de ter outro ataque.
- Vontade de sair de lugares por medo de ter um ataque.
- Evitação de lugares ou situações por medo de ter um ataque.
- Não querer ficar sozinho(a) por medo de ter um ataque.
Ataques de pânico geralmente indicam que você precisa de uma ajuda maior, seja após um único episódio ou quando acontecem com frequência.
Lembre-se que nada disso é sua culpa, e que episódios como este podem acontecer com qualquer pessoa.
O que posso fazer se eu (ou um(a) amigo(a)) estiver passando por isso?
Lidar com ataques de pânico pode ser difícil, mas existem estratégias para lidar com os episódios.
Aqui estão algumas coisas que você pode tentar:
- Peça ajuda: fale com um dos seus pais, alguém da família ou outro adulto de confiança. Eles podem te ajudar tanto a buscar ajuda profissional como a passar pelo episódio de pânico de uma forma mais segura.
- Eles não duram para sempre: ataques de pânico geralmente duram de 10 a 15 minutos. Lembre-se de que eles vão passar.
- Respire fundo: inspire devagar por três segundos e expire devagar por três segundos. Aplicativos podem ajudar.
- Distraia-se: imagine um lugar feliz ou diga em voz alta coisas que você está vendo ao seu redor. Observe as cores, texturas, quantidades e aromas, uma de cada vez. Isso tira o foco das sensações do pânico e ajuda seu cérebro a perceber que não há perigo real.
- Relaxe: um banho morno, alguns alongamentos e respiração profunda podem ajudar.
Não se culpe por sentir pânico. Ele não é um sinal de fraqueza ou falta de coragem, certo? Reconhecer que precisa de ajuda e buscar estratégias para lidar com as crises é uma atitude de força.
Mesmo que no começo pareça impossível controlar, com treino e apoio, é possível aprender a enfrentar o pânico e recuperar a confiança nas situações do dia a dia.
O mais importante é não esperar que o problema “passe sozinho”, isso pode fazer com que ele se torne mais difícil de lidar.
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
Fale com um adulto de confiança, como seus pais, responsáveis ou outro familiar próximo. Explicar o que você está sentindo é o primeiro passo. Eles podem te ajudar a marcar uma consulta e buscar atendimento profissional.
Você pode ser atendido por um(a) médico(a), como um(a) pediatra, clínico(a) geral ou o(a) profissional da Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Esse(a) médico(a) vai te escutar, entender o que está acontecendo e, se necessário, encaminhar você para um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra, que são especialistas em saúde mental.
No SUS (Sistema Único de Saúde), você tem acesso gratuito a esses cuidados em locais como:
- Unidades Básicas de Saúde (UBS): ponto de partida para receber orientações e encaminhamentos.
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): serviços especializados para adolescentes que precisam de mais apoio emocional.
- Ambulatórios e hospitais públicos: em algumas cidades, oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
Pedir ajuda não é fraqueza, é um jeito de se cuidar. Com o apoio de adultos e profissionais que se importam com você, é possível entender o que está acontecendo e encontrar formas de se sentir melhor.
Com acompanhamento, afeto, paciência e prática, é possível retomar as atividades de que gosta, com mais tranquilidade e segurança.
Lembre-se: você também merece apoio e cuidado nesses momentos.
Onde encontrar
mais informações
Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.
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