Sentir medo ou tensão em ficar longe de um cuidador ou de alguém próximo

Ficar longe de um(a) cuidador(a) pode ser difícil para alguns estudantes. Os mais novos, principalmente, costumam ficar assustados quando a pessoa de confiança não está por perto. Esse sentimento é chamado de medo de separação.

Na escola, pode se manifestar como resistência em entrar na sala de aula, choro prolongado, busca constante por contato com familiares ou pedidos para ir embora.

Não se trata de “manha” ou “preguiça”, mas de uma reação real do corpo e da mente, em que a criança sente que algo ruim pode acontecer a ela ou à pessoa querida durante a separação.

O que é esperado?

É natural que bebês e crianças pequenas fiquem tristes ou tenham medo quando se separam de quem cuida delas. Entre 6 meses e 3 anos, muitas choram, se agarram no(a) cuidador(a) ou resistem à separação, mesmo que por pouco tempo.

Isso acontece porque, nessa idade, elas ainda não entendem bem o tempo. Por isso, podem achar que o(a) cuidador(a) foi embora para sempre só por tê-lo deixado na creche ou na escola.

Nessa fase, também é esperado que a criança tenha dificuldade de ir para o colo de outra pessoa que não seja o(a) cuidador(a).

Esses comportamentos costumam diminuir por volta dos 3 anos. Dos 3 aos 5 anos, muitas crianças já entendem melhor que a separação é só por um tempo, mas ainda assim podem ficar inseguras em algumas situações, como na hora de chegar na escola.

É comum que fiquem tristes ou hesitantes ao dizer tchau para o pai, mãe ou outro responsável. Com carinho, paciência e rotinas previsíveis, a maioria consegue se sentir mais segura e se adaptar bem ao dia a dia.

Quando devo me preocupar?

Embora a maioria das crianças consiga lidar com a separação com o tempo e apoio, em alguns casos o medo aparece de forma mais intensa e persistente, dificultando a adaptação à rotina escolar.

Sinais que podem indicar um medo de separação maior do que o esperado:

Em crianças menores (geralmente até 5 anos):

  • Recusam-se ou apresentam uma grande resistência à ir para a creche ou escola para permanecer com o(a) cuidador(a).
  • Choram ou apresentam forte desregulação emocional quando o(a) cuidador(a) sai da sala ou vai embora.
  • Ficam agarradas ao cuidador(a) ou choram muito em situações novas.
  • Queixam-se de dor de cabeça, dor de barriga ou até vomitam na hora da separação.

Em crianças maiores (acima de 5 anos):

  • Têm medo de que algo ruim aconteça com alguém da família enquanto estão na escola.
  • Precisam constantemente saber onde está o(a) cuidador(a), mandando mensagens ou ligando com frequência.
  • Fazem queixas frequentes de desconfortos físicos (como dor de barriga ou dor de cabeça), especialmente em momentos de separação.
  • Recusam-se a ir para a escola ou demonstram forte resistência, o que pode impactar o aprendizado e levar ao isolamento social.
  • Evitam atividades fora de casa, como passeios escolares ou eventos que exigem afastamento temporário da família.

O que posso fazer para ajudar?

Existem algumas medidas que a escola pode tomar quando se trata do suporte às crianças que apresentam um medo excessivo de separação.

1. Incentive despedidas rápidas:

despedidas longas podem aumentar a ansiedade da criança. Um tchau breve, com carinho e segurança, costuma ajudar mais. Reforçe para a criança de que ela encontrará o(a) cuidador(a) no final do dia ou daqui há algumas horas.

2. Vá introduzindo a separação aos poucos: combine com o(a) cuidador(a) de deixar a criança sozinha por períodos curtos no início e ir aumentando com o tempo.

3. Tenha atividades envolventes prontas na chegada: algo divertido ou que a criança goste pode ajudar a distraí-la e facilitar a transição.

4. Dê ao aluno(a) uma tarefa especial: convidá-la para ser “ajudante da sala”, por exemplo, pode aumentar a autoconfiança e diminuir a ansiedade.

5. Estabeleça uma rotina acolhedora: rotinas previsíveis ajudam a criança a saber o que esperar e a se sentir mais segura.

6. Forneça um espaço seguro: Crie um cantinho seguro, um espaço calmo na sala onde a criança possa ficar um pouco se estiver se sentindo sobrecarregada.

7. Comunique-se com os cuidadores: conversar regularmente com os cuidadores ajuda a alinhar estratégias e entender melhor como apoiar a criança.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

O(a) papel do(a) educador(a) não substitui o trabalho clínico, mas pode ajudar a direcionar a família para o suporte adequado.

Oriente os responsáveis pela criança de que é possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.

Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:

  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
  • Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
  • Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.

Guias de Bolso

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