Sentir medo excessivo de coisas ou situações específicas

Alguns estudantes demonstram um medo tão intenso diante de certos objetos ou situações que isso interfere diretamente na participação em atividades escolares.

Medo é quando sentimos receio ou pavor diante de algo que parece perigoso. Crianças muitas vezes sentem medo de coisas que não são realmente perigosas. Só de pensar ou estar perto do que temem, já podem ficar ansiosos ou agitados.

Ter medo, em alguns momentos, faz parte do desenvolvimento. É até raro uma criança ou adolescente que nunca sente medo de nada.

O desafio para o(a) educador(a) é reconhecer quando esse medo está além do esperado para a faixa etária e representa uma barreira real para o aprendizado e a convivência.

O que é esperado?

É comum que estudantes tenham diferentes tipos de medo conforme vão crescendo.

Veja o que pode aparecer em cada fase:

  • Bebês (0 a 6 meses): barulhos altos, sensação de queda, movimentos bruscos, objetos desconhecidos chegando perto.
  • Bebês (7 a 12 meses): medo de estranhos, sustos, coisas novas ou inesperadas.
  • Crianças pequenas (1 a 5 anos): medo de pessoas desconhecidas, tempestades, animais, escuro, ficar longe dos pais, barulhos fortes, objetos ou máquinas, banheiro, monstros ou fantasmas, insetos e de se machucar.
  • Crianças maiores (6 a 12 anos): medo de fantasmas, de se machucar, doenças, ladrões, ficar sozinhas, fracassar, ser criticadas ou punidas.
  • Adolescentes (12 a 18 anos): medo de provas, desempenho escolar, aparência, opinião dos colegas, esportes, vergonha social.

Alunos mais novos podem demonstrar medo chorando, ficando nervosos, paralisando, se agarrando a um adulto ou evitando o que os assusta. Às vezes, eles nem sabem que o medo é exagerado e podem não falar sobre isso.

Já os adolescentes costumam perceber que seus medos não fazem muito sentido, mas mesmo assim sentem desconforto físico como coração acelerado, falta de ar ou tontura.

Quando isso não acontece e o medo persiste, se intensifica ou leva à evitação sistemática de pessoas, objetos ou lugares, é sinal de que a reação vai além do esperado. Nesses casos, o(a) aluno(a) pode apresentar prejuízos significativos no desempenho escolar e na socialização.

Quando devo me preocupar?

O educador deve se preocupar quando o medo de um(a) aluno(a) se torna frequente, intenso e começa a limitar sua participação nas atividades escolares.

Veja alguns exemplos:

  • Ter medo de trovões é comum, mas entrar em pânico sempre que chove pode ser preocupante.
  • Muitas crianças têm receio de insetos, mas se recusar a brincar no jardim por medo de uma borboleta ou formiga pode ser sinal de alerta.
  • Sentir desconforto em lugares altos é esperado, mas evitar subir escadas ou atravessar uma passarela pode ser preocupante.
  • É natural estranhar agulhas, mas não conseguir fazer exames ou tomar vacinas por causa delas pode ser um motivo de atenção.

Alguns medos específicos mais comuns incluem:

  • Animais (como cães, insetos, aranhas, cobras, pássaros)
  • Lugares pequenos, escuros ou fechados (como elevadores, porões, armários)
  • Lugares altos (como pontes, telhados ou prédios)
  • Ver sangue, ir ao dentista ou tomar injeção
  • Tempestades, ventos fortes, estar perto de rios, lagos ou mar
  • Pessoas fantasiadas (como palhaços)
  • Meios de transporte (avião, ônibus, carro, metrô, barco)
  • Monstros, fantasmas, alienígenas ou mágicos

O que posso fazer para ajudar?

O primeiro passo é acolher o medo do(a) aluno(a), mesmo que pareça exagerado. Evite expor, ridicularizar ou pressionar. Respeite o ritmo da criança ou adolescente e ajude-a a enfrentar a situação aos poucos, em etapas.

  1. Converse com calma: Fale com o(a) aluno(a) de forma tranquila e acolhedora para entender o que está acontecendo. Mostre que você está disponível para escutar.
  2. Escute com atenção: Mesmo que o medo pareça bobo para um adulto, para o(a) estudante ele é real. Escute antes de tentar dar soluções.
  3. Ajude a pensar em soluções: Trabalhe junto com o(a) aluno(a) para entender por que ele(a) tem medo e como pode enfrentar isso aos poucos. Dividir o desafio em etapas pode ajudar.
  4. Crie um ambiente seguro: Mantenha a sala de aula acolhedora, organizada e previsível, para que os(as) alunos(as) se sintam seguros e à vontade para falar sobre suas emoções.
  5. Reforce positivamente: Valorize e elogie o(a) estudante sempre que ele(a) tentar enfrentar o medo, mesmo que o avanço seja pequeno.
  6. Converse com os responsáveis: Se os medos começarem a atrapalhar o dia a dia, é importante conversar com a família.
  7. Procure apoio na escola: Após conversar com os responsáveis, acione a equipe de apoio escolar, como o(a) psicólogo(a) ou orientador educacional.

Com suporte e segurança emocional, ele(a) poderá desenvolver estratégias mais saudáveis de enfrentamento.

O(a) educador(a) não precisa resolver tudo sozinho(a), mas seu olhar empático pode transformar a experiência escolar de um(a) estudante que está lidando com esse tipo de sofrimento.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

A escola pode indicar serviços de psicologia escolar, orientadores educacionais ou encaminhar a família para um(a) psicólogo(a) clínico.

Informe aos responsáveis que é possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.

Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:

  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
  • Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
  • Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Lembre aos cuidadores que profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os próprios responsáveis. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.

Guias de Bolso

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Saiba como funciona o SUS para saúde
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