Sentir irritação, dificuldade de concentração ou mudanças rápidas de humor

Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.

Vamos encarar a realidade: todos nós ficamos um pouco irritados às vezes. Talvez nos momentos em que estamos cansados, com fome, tristes, chateados ou tivemos um dia ruim. Às vezes, as pessoas ficam mal-humoradas sem nenhum motivo aparente.

Algumas crianças e adolescentes podem apresentar irritação frequente, dificuldade para manter a concentração e mudanças rápidas de humor, que não se explicam apenas por cansaço ou contrariedades do dia a dia.

Não se trata de “mau humor” comum, mas de uma instabilidade emocional intensa e persistente que interfere nas relações familiares, escolares e sociais.

O que é esperado?

Crianças e adolescentes, assim como os adultos, sentem raiva, irritação ou ficam de mau humor. Sentir raiva é esperado e, na maioria das vezes, esses sentimentos passam em cerca de 30 minutos.

Ainda assim, é compreensível que, quando uma criança se irrita, isso atrapalhe a convivência ou incomode os outros. Como ainda estão desenvolvendo habilidades para lidar com as emoções, sua irritação pode impactar mais o ambiente ao redor.

É comum, por exemplo, que crianças menores de 5 anos tenham episódios intensos de descontrole emocional. Nesses momentos, elas podem chorar, gritar, bater o pé, chutar ou até rolar no chão quando não conseguem o que querem. Essas reações costumam ter uma causa específica, surgem de forma intensa, mas também desaparecem minutos ou horas depois.

À medida que crescem, crianças mais velhas e adolescentes continuam sentindo raiva em algumas ocasiões, mas geralmente a expressam de maneiras diferentes. Adolescentes, por exemplo, costumam se irritar com os pais com mais frequência, não por falta de afeto, mas porque se sentem mais seguros para demonstrar emoções difíceis em casa.

Já com os amigos, tendem a controlar a raiva para manter os laços. Como os pais ainda têm grande influência sobre suas rotinas e decisões, acabam se tornando os principais alvos dessa frustração.

O esperado é que, mesmo após um dia difícil, crianças e adolescentes consigam participar de atividades, conversar e se envolver com a rotina normalmente. As variações emocionais comuns não se estendem por semanas seguidas nem afetam de forma intensa a convivência familiar ou o desempenho escolar.

Quando devo me preocupar?

A raiva e a irritabilidade, quando a criança fica com raiva com facilidade ou se irrita com frequência, podem ter diferentes causas. Às vezes, são reações naturais a frustrações do dia a dia.

Mas também podem ser respostas a situações mais difíceis, como injustiça, bullying, negligência ou abuso. Em alguns casos, a irritabilidade pode ser um sinal de algo mais profundo, como ansiedade ou depressão. E, para algumas crianças, pode ser o principal problema emocional a ser tratado.

Você deve se preocupar se essa irritação estiver:

  • Atrapalhando a rotina ou os relacionamentos. Se a raiva está prejudicando a convivência com a família, os amigos ou o rendimento escolar, é sinal de que algo não vai bem.
  • Acompanhada de outros sinais. Fique atento(a) se, além da irritabilidade, a criança ou adolescente parece muito triste, ansioso(a), inseguro(a) ou com autoestima baixa.
  • Aparecendo após eventos difíceis. Mudanças no comportamento após traumas, perdas ou situações de estresse podem indicar a necessidade de ajuda.
  • Se tornando frequente ou intensa. Crises que duram muito tempo, acontecem com frequência ou envolvem agressividade física (como machucar outras pessoas ou quebrar objetos) são sinais de alerta.
  • Aparecendo em outros contextos. Se a criança ou adolescente está mal-humorado(a) também na escola, com amigos ou em atividades de que costumava gostar, vale investigar mais a fundo.

Se o comportamento está causando estresse significativo para a própria criança ou adolescente, ou se há risco de comportamento agressivo (contra si ou contra outros), é importante ficar atento e buscar ajuda.

O que posso fazer para ajudar?

Como pai, mãe ou cuidador, você conhece melhor seu(sua) filho(a) e pode notar quando algo não vai bem. Se a irritação estiver mais frequente, intensa ou difícil de lidar, vale agir com atenção e acolhimento.

Aqui vão algumas atitudes que podem ajudar:

  1. Converse com a escola. Fale com o(a) professor(a) ou orientador(a) para saber se o comportamento também acontece na escola e se algo mudou por lá. Essa troca pode ajudar a entender melhor a situação.
  2. Escute com calma. Pergunte como seu(sua) filho(a) tem se sentido e o que anda incomodando. Evite dar respostas rápidas ou minimizar. Às vezes, só o fato de ser ouvido(a) já traz alívio.
  3. Ensine formas de se acalmar. Mostre estratégias simples que ajudam a lidar com a raiva, como respirar fundo, abraçar um brinquedo, dar uma volta ou ficar por um tempo em um lugar tranquilo.
  4. Evite punições severas. Gritar, castigar ou envergonhar seu(sua) filho(a) pode piorar a situação. A irritação constante costuma ser sinal de que algo mais profundo está acontecendo.
  5. Valorize os momentos positivos. Se a irritação for pontual, tente não dar tanta atenção a ela. Em vez disso, elogie os comportamentos positivos e mostre reconhecimento quando seu(sua) filho(a) consegue se controlar.
  6. Observe os gatilhos. Preste atenção nas situações que costumam gerar irritação. Pode ser cansaço, frustração, dificuldade de comunicação, fome, ou até um momento de transição como trocar de atividade.
  7. Ofereça apoio emocional. Diga que é natural sentir raiva, mas que é importante aprender a expressar esse sentimento sem machucar a si mesmo ou aos outros.

O envolvimento ativo dos cuidadores é fundamental para que a criança ou adolescente desenvolva habilidades de controle emocional e atenção.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

É natural ficar preocupado, envergonhado ou culpado caso seu(sua) filho(a) sentir muita irritação. Porém, existe ajuda disponível.

É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.

Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:

  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
  • Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
  • Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.

Guias de Bolso

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Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.

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